
O advogado Leonardo Serafim, ex-diretor jurídico do São Paulo e atual homem-forte do presidente Julio Casares, recebeu R$ 20 mil relativos a uma operação envolvendo a Far East na intermediação do contrato de patrocínio com a Under Armour em 2015. A informação consta em documentos de uma quebra de sigilo realizada pelo Ministério Público (MP) aos quais tivemos acesso.
O Ministério Público diz que Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo entre 2014 e 2015, com participação de Serafim, contratou o escritório do advogado José Roberto Cortez “aparentemente versando sobre a nebulosa questão de comissões para a empresa Far East no contrato com a Under Armour”, desembolsando R$ 200 mil.
Segundo o órgão, a ordem de pagamento partiu do departamento jurídico do São Paulo. A contratação de Cortez ocorreu no dia 8 de junho de 2015. Apenas cinco dias depois, a TML, empresa de Cinira Maturana, então namorada de Aidar, pagou R$ 20 mil a Serafim. O órgão destaca que a quantia é justamente 10% do valor acordado com o escritório.
“Assim, nesta contratação específica houve repasse de exatamente 10% do valor bruto, em ligação óbvia entre a aceitação desta ‘contratação’ por Aidar, com interferência direta de Leonardo, e o pagamento espúrio ao diretor jurídico”, diz o MP.
Serafim era um dos dirigentes que haviam assinado o contrato de comissão para a Far East Global, empresa que receberia gorda comissão na Era Aidar por intermediar a chegada da Under Armour ao Morumbi.
O Ministério Público de São Paulo denunciou Serafim no crime patrimonial e em lavagens de capitais, enquadrando o advogado em artigos do código penal que mencionam furto qualificado, com abuso de confiança e mediante concurso de duas ou mais pessoas.
O acordo com a Far East foi um dos motivos que levaram à renúncia de Carlos Miguel Aidar da presidência do São Paulo em 2015. No total, o acerto foi de uma comissão de 15% (R$ 18 milhões) sobre o contrato do clube com a patrocinadora Under Armour —a empresa, chamada Far East Global, era desconhecida.
O São Paulo absolveu Aidar ao constatar que o pagamento da comissão não se concretizou e não houve dano aos cofres do clube. Conselheiros de oposição do clube sempre desconfiaram que Jack Banafsheha, representante da Far East, poderia ser um laranja da gestão do ex-presidente.
O UOL entrou em contato com todos os envolvidos citados nesta reportagem. Serafim foi procurado por telefone e mensagem e afirmou que vai se manifestar apenas no processo. A assessoria de comunicação do São Paulo informou que o clube não comenta ações judiciais. A reportagem conversou, por telefone e troca de mensagens, com a advogada de Cinira e foi informada que ela não comentaria sobre o assunto.
Os advogados José Luis Oliveira Lima e Fernanda Melo Bueno, que representam Aidar, divulgaram a seguinte nota:
“Em primeiro lugar, a defesa registra a sua indignação com mais um vazamento seletivo em um procedimento sigiloso. Vamos requerer novamente a investigação sobre essa circunstância. No tocante à acusação, ela nada mais é do que uma peça de ficção criada pelo Ministério Público, que não é capaz de narrar um único fato criminoso em face do presidente Carlos Miguel Aidar. Depois de mais de cinco anos de investigação conduzida pelo MP, absolutamente nada foi demonstrado contra o Presidente Carlos Miguel Aidar, que sempre pautou a sua vida pela correção e ética.”
José Roberto Cortez, por sua vez, afirmou:
“Cabe esclarecer que no Inquérito Policial instaurado à época dos fatos há expressa manifestação do Ministério Público afirmando não haver nenhuma materialidade para envolver a mim e minha filha. A afirmação de ‘comissionamento embutido’ nos honorários a serem recebidos pelo trabalho de advocacia não faz sentido, uma vez que o contrato de serviços previa pagamento apenas em caso de vitória judicial. Para recebê-los, tivemos que ajuizar uma ação de cobrança, que tramita há três anos, na qual o SPFC foi condenado por decisão unânime, transitada em julgado, em todas as instâncias, a nos pagar mais de R$ 5 milhões. A decisão está sendo executada e estamos buscando receber um saldo próximo de de R$ 3 milhões, por meio de pedidos de penhoras em contas bancárias, como já autorizado pela Justiça. Por essas razões e diante da falta de fundamento em eventual denúncia criminal, estamos preparando um pedido de habeas corpus. É o que nos cumpria informar”
Com colaboração do Uol
Ele e todos os envolvidos precisam ser expulsos do SPFC, além das penas cabíveis na esfera cível e criminal!
Mas sabemos que a esmagadora maioria do CD é da situação e isso é, com certeza, um grande aliado dos denunciados!
Setor popular na arquibancada e separação do social x futebol são artimanhas para mudar o foco!!
Como diz o padre Marcelo: “Santo! Santo! Santo!”
E eu completo: Todos Santos!
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