Laudo da polícia descarta edições e atesta participação de trio em áudio sobre esquema no São Paulo

Um laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica negou edições e confirmou, com “suporte extremamente forte”, a participação de Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado no áudio em que foi revelado o esquema de exploração clandestina de um camarote do Morumbis.

Como parte da investigação que apura possíveis crimes cometidos por ex-dirigentes do São Paulo na gestão do ex-presidente Julio Casares, a Polícia analisou o áudio revelado pelo ge em dezembro do ano passado. Nele, Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado discutem sobre um esquema de uso ilegal do camarote 3A do Morumbis.

O objetivo da análise do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica foi identificar possíveis edições no áudio, como cortes ou montagens; e reconhecer os interlocutores, usando outras gravações das vozes do trio como comparação.

O laudo não constatou “deficiências qualitativas ou quantitativas que impedissem a aplicação dos procedimentos periciais” e concluiu que não há, no áudio, “sinais técnicos compatíveis com edição, cortes, emendas, montagens, supressão de trechos, alterações artificiais de velocidade (…) nem outros indícios de manipulação digital do sinal”, que mantém “uma continuidade espaço-temporal e uma sequência lógica”.

A Polícia concluiu, portanto, que a gravação de 44 minutos de uma ligação entre os três, em que eles discutem sobre o esquema, não foi editada.

O laudo também apontou que as vozes gravadas no áudio revelado pelo ge correspondem às vozes de Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado. A Polícia usou, como amostras para comparação, oitivas e entrevistas dos investigados.

Numa escala verbal de análise, a compatibilidade entre as vozes gravadas no áudio sobre o camarote e outras gravações em que o trio já havia sido identificado aparece no nível mais alto.

“O contexto favorável proporcionado pela qualidade e pela disponibilidade do material encaminhado, aliado ao elevado grau de distintividade das vozes e dos padrões de fala dos locutores examinados, permitiu concluir que as evidências de natureza fonético-forense fornecem suporte extremamente forte, correspondente ao mais alto nível da escala verbal adotada, à hipótese de que Douglas Eleutério Schwartzmann, Mara Casares e Rita de Cássia Adriana Prado são os participantes da conversa registrada”, diz o laudo.

A análise do áudio é parte da investigação conduzida pela Força-Tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que apura possíveis irregularidades cometidas por ex-dirigentes do São Paulo nos últimos anos.

Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado, além de Julio Casares, são investigados neste inquérito policial, que está em andamento desde o início deste ano.

A Justiça, inclusive, já decretou a quebra do sigilo fiscal e bancário de todos os investigados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

Relembre o caso
Em dezembro do ano passado, o ge revelou que Douglas Schwartzmann, então diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e então diretora feminina, cultural e de eventos, participavam de um esquema de exploração clandestina de camarote no Morumbis.

Os dois haviam sido gravados em uma ligação com Rita de Cássia Adriana Prado em que discutiam o esquema. Douglas Schwartzmann, inclusive, admitia que “todos” haviam ganhado dinheiro.

– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem – disse Douglas.

Em outro momento da ligação, o agora ex-diretor dizia que Marcio Carlomagno foi quem cedeu o camarote para Mara Casares.

– Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio.

– E o Marcio vai ser mandado embora, porque foi ele quem concedeu o camarote para ela (Mara). Eu não tenho nada com isso, não tenho meu nome em nada. Não peguei camarote nenhum, não tenho nenhum documento lá. Agora, a Mara tem e o Marcio também. Quer prejudicar a Mara e o Marcio? Só queria entender o que você quer fazer com isso.

Todos os envolvidos no caso deixaram o São Paulo. Horas depois da divulgação do áudio, Mara e Douglas renunciaram às diretorias que ocupavam. No início do ano, com o impeachment e a renúncia de Julio Casares, Marcio Carlomagno foi demitido.

O Ministério Público pediu, ainda no ano passado, a abertura de um inquérito policial para apurar a exploração ilegal de camarote no Morumbis. A Polícia Civil acatou ao pedido e iniciou a investigação.

Depois, a Polícia Civil e o Ministério Público se juntaram numa Força-Tarefa que investiga o caso. A investigação já tem provas de que o espaço já era explorado irregularmente pelo menos desde 2023.

Fonte: Globo Esporte

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