
A Justiça de São Paulo rejeitou neste quinta-feira uma ação da defesa do ex-presidente do São Paulo Julio Casares que pedia a suspensão do inquérito policial que apura lavagem de dinheiro e desvios no clube.
O caso foi revelado com exclusividade pelo UOL em janeiro deste ano. Foram sacados R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do São Paulo. Casares, presidente na época, recebeu R$ 1,5 milhões em depósitos fracionados em espécie.
Procurada pela coluna, a defesa de Casares falou em cerceamento de defesa e disse que buscará a revisão da decisão no tribunal de Justiça.
“A defesa de Julio Casares, exercida pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, vê com indignação a confirmação do cerceamento de defesa e o privilégio dado ao Ministério Público. Proibir a defesa de estar presente em ato da Autoridade Policial, no qual se fizeram presentes 02 (dois) Promotores de Justiça é inverter a lógica da paridade de armas na atuação entre acusação e defesa, demonstrando o tratamento dispare. Essa ilegalidade certamente será revista pelo Tribunal de Justiça”, diz a nota.
Casares entrou em abril com um mandado de segurança alegando violações ao seu direito de defesa no processo. O centro do argumento está em depoimentos de duas testemunhas, uma secretária da presidência e o diretor financeiro Sérgio Pimenta, em abril deste ano.
A defesa do ex-presidente não esteve presente nos depoimentos e não teve ciência da data na qual eles aconteceriam. Eles contaram com a presença do Ministério Público, que fez diversas perguntas às testemunhas.
À Justiça, a defesa de Casares afirma que a medida violou o direito de defesa, prerrogativas profissionais dos advogados e o princípio de paridade de armas, já que o órgão de acusação esteve presente.
A força-tarefa que conduz a investigação se defendeu no processo, apontando que a presença de representados do investigado poderiam causar intimidação ou restrições nos relatos das testemunhas.
O argumento foi acolhido. Na decisão, a juíza responsável apontou também que Casares ainda não é réu, mas sim investigado em um inquérito, e afirmou que a presença da defesa nos atos investigatórios não é absoluta.
Os depoimentos dados à força tarefa foram contundentes. As testemunhas afirmaram ao delegado Tiago Fernando Correia e aos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan que Julio Casares tinha uma rotina mensal de saques de R$ 100 mil reais do clube.
Atualmente, o São Paulo não consegue precisar o destino de R$ 7 milhões.
A força tarefa não comenta as investigações, que correm sob segredo de Justiça.
Fonte: Uol