Impeachment de Casares aquece com ‘vira-voto’ e chamado de organizadas

A oposição do São Paulo se mobiliza para a votação do afastamento do presidente Júlio Casares no Conselho Deliberativo. Em contraponto, há apreensão sobre um possível esvaziamento do encontro. A reunião extraordinária que decide o futuro do dirigente será no dia 14, no MorumBis.

Ainda que a sessão seja a portas fechadas, é esperada a presença de torcedores em protesto contra a gestão atual no lado de fora. As organizadas Independente, Dragões da Real e Falange Tricolor convocaram integrantes para uma concentração na data do encontro. “A mais importante convocação dos últimos anos”, escreveu a Independente.

Entre os opositores, há uma espécie de “mutirão vira-voto” para convencer conselheiros pela aprovação do afastamento de Casares. O procedimento foi aberto por um pedido com 57 assinaturas (o mínimo era de 50). Para que seja aprovado, é preciso de dois terços dos votos (177).

Há receio de que haja um esvaziamento no Conselho por a reunião ocorrer na metade de janeiro, quando muitos integrantes estão fora de São Paulo. O presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, tinha até o dia 23 para convocar a reunião (30 dias após o recebimento do pedido de abertura do processo), que poderia ocorrer ainda depois deste prazo.

Entretanto, a convocação veio após o Conselho Consultivo publicar parecer contrário ao impeachment. A emissão de uma opinião pelo grupo de notáveis do São Paulo não é determinante no afastamento, mas é parte anterior à votação na dinâmica de uma possível destituição.

Entre relatos ouvidos pela reportagem do Estadão, foi dito que há conselheiros que cobram troca de favores para votar a favor do afastamento. Teriam sido solicitados valores em dinheiro e apoio para se tornar conselheiro vitalício. Os pedidos não foram atendidos.

Até mesmo outras questões do Conselho Deliberativo ficam de lado neste momento. No fim do ano passado, foi aprovado o orçamento de 2026. Após o resultado, houve questionamento sobre a votação, por alguns votos supostamente não terem sido computados, o que foi negado pelo clube. A aprovação venceu com vantagem de apenas cinco votos. Essa discussão estagnou entre opositores diante do foco na campanha pelo afastamento.

Mesmo com essa movimentação e com Casares perdendo apoio, o cenário neste momento é de não haver 177 votos para afastá-lo. Em paralelo, porém, a Polícia Civil continua duas investigações que miram o dirigente; uma sobre desvios de verba do clube e outra sobre uso irregular de um camarote no MorumBis.

Se Casares for afastado no Conselho, em até 30 dias, uma Assembleia Geral de sócios do clube deverá ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples dos sócios. Um afastamento bane o presidente do clube, tirando-o também do Conselho Consultivo – o que não acontece em caso de renúncia. Se o dirigente for absolvido, o caso é arquivado.

Entenda a crise política no São Paulo
Em situação financeira complicada, o clube tinha uma coalizão forte que sustentava a gestão de Júlio Casares. A saída de Carlos Belmonte fragilizou a situação, mas ainda não impediu, por exemplo, que o próprio ex-diretor aprovasse o orçamento da gestão para 2026.

Entretanto, a instabilidade cresceu depois de episódios recentes. O primeiro foi o vazamento de um áudio que revelava um esquema clandestino de comercialização de um camarote no MorumBis em noites de shows.

Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, diretores flagrados na gravação, se afastaram dos cargos. O Ministério Público de São Paulo pediu a abertura de um inquérito policia, enquanto o São Paulo abriu sindicâncias (interna e externa) para apuração.

Em paralelo, a Polícia Civil de São Paulo passou a investigar diretores por supostos desvios de verba em vendas de atletas do clube. Ao todo, 35 saques em dinheiro vivo das contas do São Paulo que somam R$ 11 milhões são alvos de investigação.

Os escândalos criaram tensão na gestão são-paulina e possibilitaram que a oposição se fortalecesse para pedir o afastamento de Casares e visar a eleição de 2026.

A defesa de Casares, representado pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, informou que “todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.”

“Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração”, diz a nota.

Os representantes ainda afirmam ainda que “a origem do lastro de tais movimentações serão esclarecidas ao longo da investigação para rebater qualquer ilação”, reforçando que ainda não teve acesso ao inquérito policial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.