Flávio Marques: “Selecéu” do São Paulo Futebol Clube

A minha coluna mensal aqui no Tricolornaweb é publicada sempre na primeira terça-feira de cada mês. Neste novembro de 2021, coincidiu com o feriado de Finados, data em que homenageamos aqueles que foram importantes em nossas vidas, mas que já partiram deste mundo. Dessa forma, reservei este artigo para escalar aqui a minha “Selecéu” © do SPFC, com grandes nomes que vestiram nossa camisa. (© “Selecéu” é um termo criado por Roney Altieri).

No gol escalei Waldir Peres, “São Waldir”, o segundo jogador com mais partidas disputadas pelo SPFC (617 jogos), Campeão Paulista (75, 80 e 81) e Brasileiro (1977), goleiro titular da seleção Brasileira na Copa de 1982, no fantástico time de Telê Santana. Aqui cabe uma menção honrosa a José Poy, que defendeu o Tricolor por mais de 500 jogos entre 1949 e 1962, e foi campeão pelo São Paulo como goleiro (Paulista 49, 53 e 57) e como treinador (Paulista de 1975).

Na lateral direita, De Sordi. Nilton De Sordi foi o lateral-direito titular da seleção campeã mundial na Copa de 1958. Com 544 jogos pelo SPFC, disputados entre 1952 e 1965, De Sordi foi campeão Paulista de 1953 e 1957.

Zagueiros: Mauro e Roberto Dias

Mauro Ramos de Oliveira. Mauro foi um zagueiro clássico, que tratava bem a bola, e um líder dentro de campo. Jogou no São Paulo entre 1948 e 1959, tendo disputado 498 partidas e participado da conquista de quatro títulos Paulistas (48, 49, 53 e 57). Como jogador do SPFC, foi campeão mundial com a seleção Brasileira em 1958.
Roberto Dias. Roberto Dias Branco, foi o grande símbolo do São Paulo Futebol Clube ao longo dos anos 1960. Uma década em que o Tricolor não teve conquistas, pois todo o esforço esteve concentrado na construção do estádio do Morumbi. Dias foi citado por Pelé como seu “mais difícil marcador”, pois aliava disposição e técnica apurada. Disputou 527 jogos pelo Tricolor, entre 1960 e 1973, e, mesmo sendo um defensor, anotou 78 gols em sua carreira no São Paulo.

Lateral esquerdo: Marinho Chagas. “A Bruxa”, com cabelos longos e loiros, nariz grande e risada estridente, fazia mágica com a bola nos pés. Chegou ao São Paulo em 1981 para fazer parte da “Máquina Tricolor”, conquistando o Campeonato Paulista de 1981. Adiante do seu tempo, Marinho era um excelente apoiador, em uma época em que os laterais tinham características mais defensivas.

Médio volante: Chicão. Francisco Avanzi, o Chicão, revelava em cada entrevista o forte sotaque de sua região de origem, Piracicaba. Marcador aguerrido, mas meia com bom passe, Chicão foi a “arma secreta” de Cláudio Coutinho quando enfrentou a Argentina, na cidade de Rosário, pela Copa de 1978. Pelo Tricolor foram 317 jogos entre 1973 e 1979, tendo colaborado nas conquistas do Paulista 75 e Brasileiro 77.
Meias: Zizinho e Pedro Rocha

Zizinho, Thomas Soares da Silva, o ídolo de Pelé, melhor jogador da Copa do Mundo de 1950, chegou ao Tricolor, já veterano, em 1957. Pelo São Paulo disputou apenas 67 jogos, marcando 27 gols. Sua categoria e liderança, porém, foram essenciais para a conquista do título Paulista de 1957, e para incluir o Mestre Ziza no rol de grandes ídolos do São Paulo Futebol Clube de todos os tempos.

Pedro Rocha, “o Verdugo” (carrasco), defendeu a seleção Uruguaia em quatro Copas do Mundo, entre 1962 e1974, e foi apontado por Pelé como “um dos cinco maiores jogadores de futebol do mundo”. Pelo SPFC atuou em 393 jogos, marcou 119 gols e colaborou na conquista dos campeonatos Paulistas de 1971 e 75, além de participar da campanha do vice-campeonato da Libertadores de 1974. Fazia parte do grupo campeão Brasileiro de 1977, mas não chegou a atuar no torneio.

Atacantes: Toninho Guerreiro, Leônidas e Canhoteiro
Toninho Guerreiro, nascido Antônio Ferreira, já era destaque no Santos de Pelé quando chegou ao Morumbi para ser bicampeão Paulista em 1970/71. Como havia conquistado anteriormente o tricampeonato estadual pelo Santos, Toninho Guerreiro é o único jogador a possuir um penta campeonato Paulista genuíno (5 conquistas consecutivas). Seu apelido vinha do estilo de jogo de acreditar em cada bola, de nunca desistir de uma jogada. Pelo São Paulo marcou 86 gols em 171 jogos disputados.

Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, grande craque Brasileiro das décadas de 1930 e 40, foi um dos responsáveis pela elevação do SPFC à categoria de “Time Grande”. A chegada de Leônidas em 1942, vindo de trem do Rio de Janeiro, na Estação da Luz, é um evento lembrado até hoje na história da cidade. Na era de ouro do Pacaembu, Leônidas defendeu o São Paulo em 211 jogos, marcou incríveis 144 gols (média de 2 gols a cada três jogos), e participou da conquista dos Paulistas de 1943, 45, 46, 48 e 49.

Canhoteiro, José Ribamar de Oliveira, é descrito por todos que o viram jogar como o “Garrincha da ponta esquerda”. Driblava com facilidade em pequenos espaços, e mostrava uma habilidade impressionante. Teria vaga garantida para a Copa de 1958, se não tivesse sido cortado da seleção por indisciplina. Pelo Tricolor disputou 413 jogos, entre 1954 e 1963, marcando 105 gols. Foi campeão Paulista de 1957.

Treinador: Telê Santana. O técnico que chegou ao Morumbi, em sua segunda passagem, em 1990, após dirigir a seleção Brasileira em duas Copas do Mundo. Inicialmente Telê atendeu a um chamado para ficar três meses no comando do São Paulo, período que foi se estendendo até completar cinco anos, em uma fase em que o SPFC conquistou tudo o que seria possível para um clube de futebol. Campeão Paulista, Brasileiro, Libertadores, Mundial, Recopas, Supercopas, torneios amistosos na Europa, na “era Telê Santana” o São Paulo foi o time mais respeitado do futebol mundial, colaborando de forma decisiva para o imenso crescimento de nossa torcida.

Esta é a minha seleção. O São Paulo Futebol Clube é tão grande que muitos nomes importantes ficaram de fora, com certeza. Eu priorizei os jogadores que pude acompanhar jogando (a partir de 1970), e aqueles sobre os quais ouvi muitas histórias em casa. Dedico este artigo ao meu pai, Flavio Angerami Marques, o original, e meu tio, Francisco “Tico” Cuzato, e os agradeço por terem me tornado São-paulino.

17 comentários em “Flávio Marques: “Selecéu” do São Paulo Futebol Clube

  1. Flávio Marques e Waldir Albieri são sempre uma aula de sampaulinidade… é sempre um prazer ler seus textos.

    Saudações Tricolores!

  2. Caro Flávio, bom dia! Envelhecer é parte integrante da vida. Envelhecemos e assim passamos a ser testemunhas vivas de fatos e “causos”. Assim sendo e noves fora o grande Leonidas da Silva, o Homem de Borracha ou Diamante Negro, os demais escalados por você no “selecéu” eu vi jogar. Começando por Poy, um fantástico goleiro argentino que aqui desembarcou em 1949 e acabou fazendo parte da história do São Paulo FC, seja como jogador, seja como vendedor recordisda de cadeiras cativas no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, seja como treinador da base ou do time principal. Foi um exemplo de cidadão, além de ótimo golkeeper, como diria meu pai Nelson, de quem herdei minha sampaulinidade convicta. Em sua zaga dois monstros sagrados: Mauro Ramos de Oliveira, o “Marta Rocha” que atuava com uma elegância ímpar. Atuou por mais de 10 anos na seleção brasileira e como capitão ergueu a Jules Rimet no bicampeonato de 1962. Como dizem hoje em dia, ele jogava de terno. Para que os mais jovens possam ter ideia da sua classe, ele era um Miranda melhorado, posto que não perdia uma bola aérea. Roberto Dias Branco dispensa comentários. O Pelé costumava dizer que ele foi seu melhor marcados. Hoje dá nome as instalações do COD – Centro de Orientação Desportiva na área social do clube, onde atuou por mais de uma década. Nos dias de hoje, o meio-campo escalado por você seria uma referência de bom futebol. Contudo, por ser mais velho que você, ouso substituir o grande Chicão pelo “Monstro do Maracanã”, José Carlos Bauer, que eu ainda pequeno o tinha como idolo. Volante clássico e que impunha respeito na linha média. Nas meias dois jogadores fantásticos e que faziam toda a diferença: Zizinho e Pedro Rocha, aquele que iniciou a mística uruguaia no Morumbi. Nas laterais sua escalação está perfeitamente ajustada ao meu testemunho: De Sordi e Marinho Chagas. Duas personalidades opostas, um mais introvertido e outro extrovertido demais, mas ambos, às suas épocas, craques de seleção brasileira. No ataque eu também me permito subsituir o grande artilheiro Toninho Guerreiro pelo não menos grande Gino Orlando, grande jogador e que além disso, durante muito tempo foi o Prefeito do Estádio. Por último, CANHOTEIRO! Esse foi o meu maior ídolo duante a infância. Quando meu pai me levava ao Pacaembú para assistir os jogos do Tricolor, eu pedia a ele que me deixasse no velho alambrado, para permitir que eu pudesse ver de perto seus dribles desconcertantes. Aos jovens eu sugiro que leiam a obra de Renato Pompeu: “Canhoteiro, o homem que driblou a glória” para conhecer a carreira desse gênio do futebol, que na minha modesta opinião foi o melhor jogador que eu vi atuar vestindo nosso manto sagrado. Forte abraço e saudações tricolores!

    • Bauer foi grande, mas, como avisei no texto, aqueles que vi jogar tiveram vantagem para conseguir uma vaga.

      Obrigado pelo comentário.

  3. Pequena correção, Leônidas não d embarcou na Estação da Luz .
    Leônidas chegou a São Paulo e ao São Paulo na Estacado do Brás onde foi recebido por uma multidão.

      • Flávio,
        Lindo seu texto !
        Impossível não se emocionar. Temos em comum a herança que nossos pais nos deixaram, esse amor incondicional pelo SPFC.
        Obrigada por nos presentear num dia tão emblemático com essa leitura tão primorosa.
        PS. Acho que os colegas estão confundindo, “Canhoteiro” com “Gerson canhotinha de Ouro”.
        Abraço a todos ❤️

        • Obrigado Solange.

          Tivemos muitos nomes fantásticos na história. Eu me baseei mais nos atletas que vi jogar, a partir de 70/71, e nas conversas na mesa “dos adultos” em reuniões familiares.

          Bom Feriado e um abraço.

    • Gerson, o “canhotinha de ouro”, está vivo e muito bem aos 80 anos.

      Tomei cuidado na pesquisa para não “matar” nenhum ídolo precocemente. 🙂

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