Flávio Marques: Refuerzos vienen del Plata! Bienvenidos!

O estuário do Rio de la Plata tem em sua margem oeste a cidade de Buenos Aires, Argentina, praticamente na mesma latitude de Montevidéu, Uruguai,  localizada na margem leste. Das duas capitais vieram os mais novos reforços do Tricolor. Vejamos o que esperar de Calleri e Gabriel Neves, e como fica a situação do Clube com oito estrangeiros no elenco.

  • Jonathan Calleri, nascido em 23 de setembro de 1993 em Buenos Aires, Argentina. Centroavante.

 

Calleri, atleta formado no All Boys – tradicional time de bairro da capital da Argentina – chegou pela primeira vez ao São Paulo F.C. em janeiro de 2016, vindo do Boca Juniors. Sua passagem pelo Tricolor foi curta, tendo se transferido em julho do mesmo ano para o West Ham United, time que disputa a Premier League Inglesa. Pelo SPFC, Calleri disputou 31 jogos e anotou 16 gols, uma excelente média. Foi um jogador importante na melhor campanha do São Paulo na Libertadores na última década. Abaixo as estatísticas de Calleri ao longo de sua carreira (fonte: transfermarkt.com).

O retorno de Calleri ao Tricolor já havia sido ensaiado antes, praticamente a cada final de temporada Europeia nos últimos cinco anos. A torcida, com ótimas lembranças do artilheiro, esperava ansiosamente o dia em que ele voltaria a defender nossas cores.

E essa paixão da torcida parece ser o único motivo da contratação. O desempenho esportivo de Calleri, desde que deixou o Tricolor, é muito abaixo das expectativas. Mesmo se desconsiderarmos a péssima temporada passada na Inglaterra – foi utilizado em apenas 43% dos jogos do time, participou de 19 jogos e marcou um único gol – os resultados em quatro temporadas disputando o Campeonato Espanhol são fracos (32 gols em 138 partidas disputadas, média de 0,23 gol / jogo, ou aproximadamente 1 gol a cada 4 partidas jogadas). Nos últimos quatro anos Jonathan Calleri sempre defendeu equipes pequenas da Espanha.

Luiz Cunha, diretor de futebol do SPFC durante a primeira passagem de Calleri pelo Clube, me confidenciou: “Calleri deixava o coração em campo a cada jogo aqui. Jogava com paixão, e não só para cumprir um contrato profissional”.

 

Seja bem-vindo Jonathan Calleri, e que em seu retorno dê novamente muitas alegrias à torcida Tricolor.

 

 

  • Gabriel Neves Perdomo, nascido em 11 de agosto de 1997 em Maldonado, Uruguai. Médio Volante.

Gabriel Neves é um médio volante formado nas categorias de base do tradicional Club Nacional de Football, de Montevidéu, Uruguai, chegou ao time principal em 2018 e desde então segue defendendo o time que já revelou no passado Dario Pereyra e Diego Lugano, ídolos da torcida do São Paulo. Gabriel Neves esteve anteriormente no foco da diretoria Tricolor, mas no passado não houve acordo nos termos financeiros para a contratação.

 

Segundo Carlos Belmonte, diretor de futebol do SPFC, em entrevista para o canal do Arnaldo e Tironi, o São Paulo pagará US$ 300 mil pelo empréstimo até dezembro de 2022, pagos em três parcelas, uma ainda este ano e duas em 2022. Belmonte abriu ainda que o salário de Gabriel Neves será um valor próximo ao que recebem os garotos promovidos de Cotia (algo em torno de  R$ 100 mil mensais, segundo informações da imprensa esportiva).

 

Fui investigar as estatísticas da carreira de Gabriel Neves e parece que aqui houve um acerto da equipe de scout e análise de mercado do SPFC. Vejam os números (fonte transfermarkt.com).

 

PPJ = Pontos Por Jogo                  GP/J = Gols Pró por Jogo             GC/J = Gols Contra por Jogo

 

Ao longo de duas temporadas e meia em que Gabriel Neves foi titular da equipe, o Nacional disputou 124 partidas. Neves ficou fora de 41 desses jogos, por motivos de suspensão, contusões e convocações para a seleção Uruguaia. Com Neves no time o Nacional teve melhor aproveitamento de pontos (2,04 média de pontos por jogo x 1,59), melhor média de gols marcados (1,61 x 1,39) e, principalmente uma grande diferença positiva na média de gols sofridos por jogo (0,83 x 1,12).

 

Gabriel Neves virá para disputar vaga no time titular com Luan, em uma posição onde tínhamos apenas um atleta especialista da função (médio volante).

Toda contratação de jogador de futebol é sempre uma aposta, podendo dar certo ou não, mas neste caso a aposta parece muito bem embasada nos números. O custo parece ser atrativo e com a chegada de Gabriel Neves cobrimos uma lacuna que era ter apenas um atleta para a posição de médio volante.

 

Vamos torcer para que Neves contribua com o time do São Paulo na mesma medida que fez em sua carreira no Nacional.

 

 

  • A Legião Estrangeira

 

Com a chegada de Gabriel Neves e Calleri o São Paulo Futebol Clube completa o número de oito atletas estrangeiros em seu elenco principal, lembrando ainda que em maio passado trouxemos do Defensor do Uruguai o jovem Facundo Milán, centroavante, integrado ao elenco Sub 20.

 

O artigo 42 do Regulamento Geral de Competições da CBF, porém, limita a cinco o número de estrangeiros que podem ser inscritos na súmula de uma partida das competições nacionais. Dessa forma, a cada rodada de campeonato Brasileiro, o São Paulo terá que excluir da relação três atletas que seguem sob contrato e recebendo seus salários integralmente. Abaixo a relação dos estrangeiros, organizada por ordem de chegada ao Tricolor.

 

Essa tabela revela uma falta de critério nas contratações do São Paulo para esta temporada, repetindo erros do passado recente.

 

A primeira questão é: por que renovamos o contrato de Rojas, que vencia em maio, estendendo a vigência até o final de dezembro deste ano? Rojas sofreu contusões que o afastaram da equipe por praticamente todo o tempo de contrato original e, mesmo quando se recuperou fisicamente, não apresentou futebol que o credenciasse a permanecer no elenco Tricolor. Simplesmente deixar o contrato se encerrar, e não renovar, seria a melhor opção de momento. O SPFC economizaria em torno de R$ 1,5 milhão até o final do ano, dinheiro que seria melhor aplicado em outras frentes, e diminuiria o problema de excesso de estrangeiros.

 

Um segundo ponto importante está relacionado à contratação de Orejuela. O lateral direito colombiano vinha de duas temporadas sem destaque, jogando nas equipes do Cruzeiro e do Grêmio. Foi contratado após a chegada de Crespo, técnico que desde o princípio já havia definido que Daniel Alves voltaria a jogar em sua posição de origem. Ainda assim o São Paulo fechou uma negociação de EUR 2 milhões (aproximadamente R$ 13 milhões) pelos direitos do jogador. O custo estimado anual em salários e direitos de imagem está na casa de R$ 4 milhões, e o contrato válido até março de 2025. Orejuela tem sido excluído de algumas convocações, e a tendência é de termos outro “Hudson”, “Maicossuel” ou “Everton Felipe”, jogadores que o SPFC emprestou por várias temporadas a outros clubes, de graça e  pagando os salários, pois tinham salários altos e contratos muito longos.

 

Uma terceira falha clamorosa do departamento de scout foi a contratação de Benitez. Todos os apaixonados por futebol, amadores, torcedores, sabiam que Benitez é muito bom tecnicamente mas que apresenta limitações na questão física. Desde que chegou ao  Morumbi, em maio passado, Benitez disputou apenas três jogos em que completou os noventa minutos em campo. Benitez é um meia armador como poucos, um jogador que há tempos não tínhamos no time, mas o treinador o afastou dos jogos mais importantes da temporada até agora – as quartas de final da Libertadores – por não confiar na capacidade física de Benitez para cumprir a função tática requerida para aqueles confrontos.

 

O problema do excesso de estrangeiros deve acabar no final deste ano, com o final dos contratos de Rojas, Galeano e Benitez, todos vencendo em 31/12/2021. A questão de Orejuela vai se alongar mais. Facundo Milán já ficou para trás nas oportunidades de promoção – Marquinhos Oliveira e Juan já estrearam no profissional – provavelmente devido à limitação de estrangeiros, e provavelmente será liberado antes do final de seu contrato sem ter uma chance no time principal.

 

A diretoria de futebol precisa avaliar melhor as oportunidades, e definitivamente voltar o foco das novas contratações para jogadores nascidos no Brasil, evitando alongar ou ainda piorar esse problema da “legião estrangeira”.

 

2 comentários em “Flávio Marques: Refuerzos vienen del Plata! Bienvenidos!

  1. Bom dia Waldir,

    Obrigado pelos comentários.

    Rigoni também veio de campanhas medíocres na Espanha mas dá fortes sinais que vai se destacar aqui no Brasil. Minha esperança é que o Calleri siga o mesmo caminho.

    Gabriel Neves cobre uma lacuna que tínhamos no elenco – apenas um médio volante de origem. Aposto que será bem sucedido.

    Um abraço!

  2. Caro Flávio, bom dia! Essa sua análise, como sempre, está fundada em lógica perfeita. É claro que a contratação de um novo jogador, mesmo que respaldada em bons números apurados pelo scout, não significa que sua passagem no SPFC será um sucesso. Contudo, como bem acentuada na matéria, não podemos admitir erros grosseiros de um departamento que é bem remunerado para estudar/acompanhar o desempenho de jogadores no mercado. A contratação de Orijuella, Zé Ruella para a torcida, está lastreada em um gigantesco equívoco de análise, agregada a um custo exorbitante despendido pelo clube. Como a aquisição de um jogador apenas razoável e estrangeiro, pode ter sido tão mal avaliada? Nos meandros do futebol, pontuado por ações/ingerência de empresários, tudo é possível. Diferentemente de Calleri e de Gabriel, algumas contratações de jogadores previamente mal avaliados, como foram os casos de Maicossuel e de Everton Filipe, são injustificáveis e insanas, gerando enorme prejuízo para os cofres do clube. Vamos aguardar que assim como o bom Rigoni, eles possam agregar qualidade ao elenco.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.