Entenda situação de Rui Costa após demissão de Roger Machado

O diretor-executivo Rui Costa tem sua permanência ameaçada no São Paulo após a demissão do técnico Roger Machado. Principal responsável pela contratação do antigo treinador, o dirigente já era alvo de protesto, mas viu a pressão subir ao seguir no cargo mesmo após a saída de Roger.

O presidente Harry Massis vem sofrendo enorme pressão para demitir o atual executivo de futebol. Além do Conselho Deliberativo, Rui Costa vinha sendo alvo de protestos das arquibancadas.

É o momento de maior pressão sobre o diretor. Internamente, ele já sabia que a contratação de Roger Machado seria um movimento de “all-in”: ou daria certo e ele seria celebrado, ou daria errado e ele correria risco de ser demitido.

Ainda assim, Rui Costa conta com prestígio interno junto ao presidente e ao gerente Rafinha. Ele é a figura mais experiente no mundo da gestão de futebol entre os três, já que Massis assumiu a presidência em janeiro e Rafinha vive sua primeira experiência em cargos de direção.

Por enquanto, o executivo continua no clube e lidera o departamento de futebol na busca pelo novo treinador. Ele nem voltou com o time para São Paulo após a derrota para o Juventude, em Caxias do Sul, e foi direto para Florianópolis, ao lado de Rafinha, para negociar a contratação de Dorival Júnior.

Mesmo longe da capital paulista, Rui Costa foi alvo de protestos da torcida organizada que esteve em frente ao CT da Barra Funda na noite da última quinta-feira.

Apesar de ter sido o principal entusiasta da contratação de Roger Machado, Rui Costa fez questão de afirmar que a decisão pela demissão de Hernán Crespo e a escolha do novo treinador foi colegiada e não pessoal.

– Eu sou o responsável por várias coisas no departamento de futebol do São Paulo. E também sou responsável quando conquistamos. Nunca me ausentarei dessa responsabilidade, por isso estou aqui hoje. A mudança do Crespo foi tomada em conjunto porque tinha que ser tomada. Talvez quando tu diz que não houve explicação mais detalhada é por uma questão ética. Talvez, do ponto de vista de preservação pessoal, eu pudesse ter dado alguns detalhes da demissão do Crespo, até o Rafinha, que conviveu comigo. Mas eu não farei isso – disse Rui, após anunciar a demissão de Roger.

– Talvez, por motivos distintos, chegou o momento de também fazer essa mudança agora. Eu não me isento de responsabilidade. Divido ela com as pessoas que estão aqui hoje. Conversamos com o presidente para que eu pudesse estar aqui comunicando isso. O momento da demissão do Crespo foi necessário, mais do que pertinente, assim como agora.

Autonomia recente
Rui Costa foi contratado como diretor executivo do São Paulo em 2021, na gestão de Julio Casares. Por anos, dividiu o comando do futebol com Carlos Belmonte, então diretor da área, que saiu em novembro de 2025.

Bem avaliado internamente por sua atuação nos bastidores, Rui ganhou mais autonomia nas decisões do departamento. A leitura interna é de que seu trabalho só pode ser amplamente medido desde janeiro deste ano, quando Harry Massis assumiu a presidência e ampliou seu poder no clube.

Massis, antes vice-presidente, herdou a vaga de Casares, que renunciou ao cargo depois de ter aprovado o seu impeachment no Conselho, por gestão temerária.

Ao lado de Rafinha, gerente esportivo que assumiu o cargo nesta temporada, Rui Costa defendeu a Harry Massis a troca de comando por um projeto mais ambicioso. Seu nome preferido era o de Roger Machado, com quem trabalhou no Grêmio em 2015.

Como diretor executivo do clube gaúcho, participou da montagem do elenco que conquistou a Copa do Brasil de 2016 e a Libertadores de 2017, já sob o comando de Renato Gaúcho. O ciclo, no entanto, teve início com Roger, treinador da equipe entre maio de 2015 e setembro de 2016.

– Eu perguntei ao Roger: você acredita que o São Paulo pode ser campeão? Ele acreditou que é possível. Outros treinadores poderiam dizer outra coisa, mas ele mostrou convicção de que pode conquistar aqui – disse Rui Costa.

Riscos
Na coletiva de apresentação de Roger Machado, em 10 de março, Rui Costa fez questão de estar ao lado do treinador e sustentou que a decisão não estava ligada apenas aos resultados, mas a uma convicção de trabalho.

– Primeiro ponto: nós entendemos que era necessária a mudança. E poderia ser muito mais fácil, no objetivo de autopreservação profissional, porque eu estou sendo muito criticado, eu, o Rafinha e o presidente, esperar que as coisas acontecessem como normalmente acontece: que os resultados fossem ruins, que fossem inconstantes, para fazer a mudança na comissão – disse o dirigente na ocasião.

Desde as primeiras críticas, o dirigente sabia que o desempenho de Roger também impactaria sua permanência no cargo. Ele praticamente vinculou seu futuro ao sucesso do treinador.

– Estar associado ao Roger é um orgulho. Se ele não for bem, eu corro risco? Isso não é problema, sempre corri risco no futebol, e por isso sou executivo há muitos anos (…) Eu não tenho dúvidas de que o torcedor do São Paulo vai se identificar na maneira que o Roger trabalha os valores que o são-paulino mais admira. Isso é questão de tempo.

Um comentário em “Entenda situação de Rui Costa após demissão de Roger Machado

  1. “Estar associado ao Roger é um orgulho. Se ele não for bem, eu corro risco? Isso não é problema, sempre corri risco no futebol, e por isso sou executivo há muitos anos (…) Eu não tenho dúvidas de que o torcedor do São Paulo vai se identificar na maneira que o Roger trabalha os valores que o são-paulino mais admira. Isso é questão de tempo.”
    Quanta mentira, quanta soberba, quanta disfaçatez.. O Sr. Rei, vai ver se eu estou na esquina e aproveite, NÃO RETORNE MAIS…

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