Documento mostra por que São Paulo vende tantas joias da base

De janeiro a junho de 2025, o São Paulo teve déficit de R$ 34 milhões e manteve o endividamento em R$ 976 milhões. Ambos os números poderiam ser piores. A projeção inicial era de prejuízo ainda maior para o período, e a variação da dívida foi de apenas 0,8% maior em relação a dezembro do ano passado.

Os números constam da apresentação de comissão financeira criada neste ano para aconselhar a diretoria, a que o Sport Insider teve acesso. Em documento datado de agosto, o órgão analisa as contas do primeiro semestre e faz projeções até dezembro.

Apesar de haver boas notícias entre os dados parciais, a revisão feita pela comissão demonstra preocupação em relação ao fechamento da temporada. Naquele momento, a expectativa era de que o São Paulo fosse terminar o ano com R$ 119 milhões em prejuízo e R$ 1,1 bilhão em endividamento.

Esse cenário financeiro ajuda a entender por que o clube tem vendido tantos jogadores, principalmente os oriundos das categorias de base. Entre janeiro e junho, foram negociados Moreira, William Gomes e Ângelo. A partir de julho, serão contabilizadas as transferências de Matheus Alves, Lucas Ferreira, Henrique Carmo e Lucas Loss.

E por que o São Paulo está nesta situação? Basicamente, porque gasta mais do que arrecada com as suas fontes ordinárias de receita — direitos de transmissão, patrocínios, bilheterias e sócios-torcedores. Então, a venda de atletas se torna a saída.

Quando se compara a projeção feita antes de a temporada começar (os números orçados) com a realidade até junho (os realizados), percebe-se que a arrecadação está muito próxima do que se estimou. Sem considerar transferências de jogadores, o São Paulo esperava arrecadar R$ 313 milhões em seis meses e chegou a R$ 317 milhões.

O problema está nos custos. Quase todas as linhas — folha salarial, outros custos esportivos, categorias de base, clube social e estádio — superaram o que estava previsto para o primeiro semestre. Em vez de gastar R$ 354 milhões, como pretendia, o clube registrou R$ 402 milhões. É por isso que aumentou a pressão sobre o caixa.

No departamento de futebol do São Paulo, segundo dirigente ouvido pela reportagem, existe o entendimento de que o orçamento deveria ter sido confeccionado com mais realismo. Ele alega que o custo da folha baixou em 2025, na comparação com 2024.

De fato, o paralelo entre essa apresentação e as demonstrações financeiras do ano passado sugere que houve redução da folha. O São Paulo gastou R$ 28,9 milhões por mês no ano passado, em média, e esse número cai para R$ 26,4 milhões por mês durante o primeiro semestre deste ano. O valor aumenta mês após mês, no entanto.

Na apresentação, a comissão financeira são-paulina separou seu último slide para ressaltar que este é um “momento de união e trabalho e menos política”.

Table with 3 columns and 7 rows. (column headers with buttons are sortable)
2020 575
2021 642 11,7%
2022 587 -8,6%
2023 667 13,6%
2024 968 45,1%
jun/25 976 0,8%
dez/25 1,100 12,7%

 

 

 

Fonte: Rodrigo Capelo – O Estado de São Paulo

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