
O Conselho Deliberativo do São Paulo decide nesta quinta-feira se Julio Casares será expulso do quadro associativo do clube. A votação ocorre de forma online e termina às 17h.
O colegiado analisa uma recomendação da Comissão de Ética do clube, que sugeriu a exclusão. O documento, elaborado no último dia 24, aponta gestão temerária de Julio Casares, que dirigiu o clube de 2021 a 2026, até sofrer impeachment e renunciar ao cargo antes da decisão final em Assembleia Geral.
O dirigente foi enquadrado no artigo 34 do estatuto social.
— Estará sujeito à pena de eliminação do quadro associativo do SPFC o associado que for condenado em processo judicial, definitivamente, ou venha a ser responsabilizado disciplinarmente, pela prática de ato de gestão irregular ou temerária, na forma da legislação vigente, em especial o disposto no art. 25 da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015, ou naquele que vier a substituí-lo — diz o documento.
Ao todo, o Conselho é formado por 255 integrantes. Para ser expulso, Casares precisa receber ao menos 171 votos favoráveis à aplicação da pena, o equivalente a dois terços do colegiado.
Impeachment
A derrocada de Casares começou em dezembro do ano passado, depois de o ge revela esquema ilegal de camarote pertencente à diretoria em dias de shows no Morumbis, com participação de Douglas Schwartzmann, braço-direito de Casares e ex-diretor adjunto de futebol de base, e Mara Casares, ex-esposa do dirigente que também tinha um cargo diretivo.
Em áudio obtido pela reportagem, os dois admitiram que ganharam dinheiro com a comercialização de ingressos para o camarote 3A, no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço consta como “sala presidência”. O local fica em frente ao escritório que era de Julio Casares e servia também para reuniões e entrevistas.
Com a repercussão, a Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso, e conselheiros protocolaram, no dia 23 de dezembro, um pedido de impeachment de Casares.
Depois da aprovação do Conselho Deliberativo, o ex-presidente renunciou ao cargo no dia 21 de janeiro, antes da assembleia dos sócios.
Saques suspeitos e contas reprovadas
Em março, o Conselho Deliberativo reprovou o balanço financeiro de 2025, mesmo com superávit de R$ 56 milhões. O motivo foi a detecção de saques suspeitos feitos por Julio Casares que totalizavam R$ 7 milhões, sem documentação ou justificativa.
Relatório apontou que o ex-presidente sacou R$ 11 milhões ao longo da temporada, mas apenas R$ 4 milhões têm justificativa. Os R$ 6.953.000 restantes, classificados no documento como despesas promocionais, não têm explicação nem comprovação dos gastos.
A auditoria alertou para a ausência dessa documentação.
Cartão corporativo
Em julho, uma reportagem do ge mostrou que Julio Casares gastou R$ 1 milhão no cartão corporativo do São Paulo durante seu mandato. Entre os gastos mostrados em faturas obtidas estão 71 idas ao Esch Café, uma casa de charutos; 53 pagamentos ao Gero, um dos restaurantes mais badalados da capital paulista; e diversas despesas em lojas de luxo.
Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo em novembro do ano passado, quando já era investigado pela Polícia Civil por possíveis irregularidades em sua gestão.
Comissão recomenda expulsão
Os cinco membros da Comissão de Ética (Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton Jose Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja) votaram, de forma unânime, pela expulsão de Julio Casares.
O relatório da Comissão de Ética, de autoria do relator Luiz Braga, cita a constatação de aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do clube “cuja documentação não permitia comprovar adequadamente origem, finalidade e destino”.
Outro argumento apresentado pela Comissão de Ética são os gastos realizados com o cartão corporativo do São Paulo.
Além da expulsão por gestão temerária, o colegiado recomenda o ressarcimento aos cofres do clube de valores que tenham sido usados para fins particulares.
Fonte: Globo Esporte