Diniz reage a pressão e sobrevive a agosto macabro para técnicos

Desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado em pontos corridos, em 2003, nunca houve um mês como o de agosto passado. Quinze técnicos foram demitidos nas principais equipes do país – um recorde. E Fernando Diniz sobreviveu.

Houvesse uma aposta em treinadores que perderiam o emprego no último mês, as bancas dificilmente topariam pagar mais do que R$ 1 para cada R$ 1 investido em quem apontasse o treinador do São Paulo como favorito.

Quando julho terminou, Diniz era o técnico que viu seu time, amplo favorito, ser eliminado pelo Mirassol, remendado após perder quase todo o elenco durante a paralisação causada pela pandemia, no Campeonato Paulista.

Agosto começou com protestos de torcedores, rojões na concentração, desempenho ruim e muita pressão. Mas o agosto que engoliu técnicos em todos os cantos poupou Diniz. E isso em um clube que se notabilizou pela pouca paciência com treinadores em tempos recentes – foram dez trocas na gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva, iniciada em 2015.

A diretoria do São Paulo deu respaldo a Diniz quando tudo indicava o contrário. A lembrança do bom futebol apresentado pela equipe antes da parada e a falta de opções no mercado deram fôlego ao treinador.

Diniz reagiu de forma discreta, a princípio. Tirou Pato do time, um movimento que acabou levando à rescisão do contrato do jogador, em baixa e caríssimo para os padrões atuais do clube.

O início no Brasileiro, com uma vitória (Fortaleza), uma derrota (Vasco) e um empate (Bahia), levou ao limite a pressão sobre Diniz, que, nas cordas, fez mudanças mais profundas na equipe (Léo, Diego, Gabriel Sara e Luciano se tornaram titulares) e se levantou.

O time enfileirou três vitórias seguidas e colheu elogios até na derrota para o Atlético-MG – fez bom primeiro tempo, mas se desestabilizou após ter um gol anulado pelo VAR. Contra o Fluminense, domingo, saiu perdendo, mas reagiu no segundo tempo e venceu por 3 a 1.

Na última semana, Diniz chegou a afirmar que o São Paulo é candidato ao título brasileiro. Um otimismo compreensível para alguém na posição dele – admitir o contrário seria como chutar contra o próprio gol –, mas aparentemente ainda demasiado para quem observa de fora.

Fato é que Diniz soube reagir no pior momento da equipe sob seu comando – e hoje vê o São Paulo na vice-liderança do Brasileiro, sem Daniel Alves, lesionado.

Vivo no banco tricolor em setembro, o técnico não conseguirá baixar a guarda. Com jogos a cada três dias e o reinício da Libertadores na próxima semana, o humor dos que o contrataram – e que têm o poder de demiti-lo – pode mudar rapidamente a depender dos resultados.

Mas as notícias sobre a queda de Diniz foram exageradas. Até agora.

Fonte: Globo Esporte

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