Conselho do São Paulo começa a votar expulsão de Casares nesta quarta

O Conselho Deliberativo do São Paulo dará início, nesta quarta-feira, à votação que decidirá ou não pela expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo. Afastado pelos conselheiros em dezembro após uma série de denúncias financeiras , o ex-dirigente renunciou à presidência do clube em janeiro deste ano.

Como será a votação?
A reunião do Conselho Deliberativo desta quarta-feira está agendada para as 19h (de Brasília), com a primeira chamada a partir das 18h30, e será realizada no auditório do Morumbis. A conversa se dará de forma híbrida, ou seja, conselheiros poderão participar presencialmente ou de maneira virtual.

A reunião terá como objetivo analisar o parecer final da Comissão de Ética sobre Julio Casares, acusado de supostos escândalos financeiros envolvendo sua gestão, de 2021 a janeiro de 2026. O órgão tricolor apurou denúncias de possível gestão temerária e supostas irregularidades financeiras cometidas pelo ex-presidente. Por isso, sugeriu a expulsão de Casares do quadro de associados do clube.

Depois da análise do documento final da Comissão de Ética, o presidente do Conselho, Olten Ayres, colocará a pauta em votação, que também será feita on-line pelo sistema do clube. A deliberação tem início a partir das 22h e se encerra às 17h da quinta-feira (10).

O São Paulo conta, atualmente, com 255 conselheiros. Para que Casares seja excluído do quadro associativo, são necessários dois terços dos votos, ou seja, 171 conselheiros. Se a expulsão fosse reprovada, Casares, em tese, seguiria como sócio. Contudo, o ex-presidente renunciou recentemente ao título.

 

O que recomenda a Comissão de Ética
A Comissão de Ética e Disciplina do São Paulo recomendou, por unanimidade, a expulsão de Julio Casares do quadro associativo do clube. O órgão tricolor é composto por cinco membros: Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton Jose Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja. Todos votaram a favor da exclusão.

A decisão da Comissão de Ética baseia-se em apurações internas que sugerem uma possível gestão temerária e supostas irregularidades financeiras cometidas por Casares durante o período em que presidiu o clube, entre 2021 e 2026. Ele também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suposta lavagem de dinheiro e possível exploração clandestina de um camarote no Morumbis.

O ex-presidente, vale lembrar, teve a chance de se defender perante os membros do órgão em audiência no último dia 31 de julho, mas optou por não comparecer, enviando apenas sua defesa. Com isso, o processo teve andamento, e no parecer final elaborado pela Comissão de Ética, Casares foi enquadrado no parágrafo 8 do Artigo 34 do Estatuto Social do clube, que versa o seguinte:

“§ 8º Estará sujeito à pena de eliminação do quadro associativo do SPFC o associado que for condenado em processo judicial, definitivamente, ou venha a ser responsabilizado disciplinarmente, pela prática de ato de gestão irregular ou temerária, na forma da legislação vigente, em especial o disposto no art. 25 da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015, ou naquele que vier a substituí-lo”.

Além disso, a Comissão de Ética também recomenda que Casares faça o ressarcimento, aos cofres do São Paulo, dos eventuais despesas particulares no cartão corporativo. O ge revelou que o presidente, durante sua gestão, teria gastado R$ 1 milhão no cartão do clube para fins pessoais. O órgão ainda pede que Casares indenize o São Paulo com base no Artigo 11 do estatuto social.

O parecer da Comissão de Ética e Disciplina, vale lembrar, é meramente recomendatório. Os conselheiros, neste sentido, não são obrigados a acatar a sugestão do órgão e têm direito a votos divergentes.

Apuração foi mantida mesmo após renúncia
A apuração do caso Casares foi mantida mesmo após a renúncia de Casares ao cargo de conselheiro e à função de associado, em julho deste ano. Em carta aberta, o ex-presidente alegou ter sido alvo de perseguições, ataques pessoais e disputas políticas que o transformaram em “vilão” e, por isso, tomou a decisão de abrir mão dos postos.

Contudo, o Artigo 38 do estatuto social do São Paulo prevê o seguinte:

“Artigo 38 / Não será aceito pedido de demissão do Quadro Associativo, quando o Associado for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento, bem como não será permitida sua inclusão como dependente de outro Associado”.

Diante deste cenário, Casares estaria impossibilitado de oferecer renúncia à posição de sócio enquanto alvo do processo disciplinar na Comissão de Ética. Foi com base neste artigo que o órgão decidiu dar sequência ao processo de apuração e formalizar o parecer final com a sugestão de exclusão do quadro de sócios.

Casares, vale lembrar, também renunciou à presidência do São Paulo antes da votação de impeachment por parte dos associados, que poderia terminar com o afastamento definitivo da função em janeiro deste ano.

As investigações sobre supostas irregularidades
As investigações sobre possíveis irregularidades na gestão Julio Casares tiveram início ainda em dezembro de 2025 com a revelação, feita pelo ge, de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso, e tanto Mara como Douglas foram expulsos do clube em votação conduzida pelo Conselho Deliberativo.

Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, a Polícia Civil passou a investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares.

Já no início de janeiro de 2026, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O ex-presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.

Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, que totalizaram R$ 11 milhões. Diante deste cenário, a Polícia Civil também passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube. As autoridades procuram entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das companhias e os possíveis desvios de dinheiro.

Ainda em janeiro, o MP-SP, juntamente com a Polícia Civil, instaurou um novo inquérito para averiguar um possível caso de corrupção no departamento social do São Paulo. O principal alvo da investigação é António Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, que atuava como diretor social do clube até deixar o cargo em janeiro deste ano, em comum acordo com o presidente Harry Massis.

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