Clubes dominantes no futebol brasileiro nos últimos 10 anos, somando sete títulos do Campeonato Brasileiro e cinco Libertadores, Flamengo e Palmeiras vêm se sobressaindo no que diz respeito ao aspecto financeiro. E os balanços de 2025 ratificam isso, com dois clubes apresentando as maiores receitas brutas e superávit na temporada passada.
O ge analisou e comparou os demonstrativos contábeis dos 20 clubes que disputaram a Série A do ano passado, além dos quatro que conseguiram o acesso na Série B. O Remo foi o último a apresentar, fora do prazo previsto em Lei Geral do Esporte, na última sexta-feira.

No ano em que conquistou o Brasileiro e a Libertadores, pela primeira vez o Flamengo ultrapassou a barreira dos R$ 2 bilhões de receitas. A maior do País. Além disso, o Rubro-negro também contou com o maior superávit da temporada, com R$ 336 milhões.
O Palmeiras apresentou uma receita total, também recorde, de R$ 1,78 bilhão, com um saldo superavitário ao final do ano de R$ 292,4 milhões. Números bem superiores em comparação aos rivais.
Para se ter uma ideia, o terceiro maior superávit do ano foi do Vasco, com R$ 81 milhões.
— O sucesso recente de Flamengo e Palmeiras passa muito pela saúde financeira construída nos últimos anos. Os dois clubes conseguiram criar um ciclo muito forte de geração de receita, previsibilidade de caixa e capacidade de investimento contínuo no futebol. Isso permite errar menos, manter elencos competitivos por mais tempo e trabalhar com planejamento de médio e longo prazo. No futebol brasileiro, onde muitos clubes ainda vivem pressionados pelo curto prazo, essa estabilidade acaba fazendo muita diferença dentro de campo — destaca Pedro Weber, sócio da Chenus, empresa especializada em investimentos no esporte..
Outras três equipes tiveram receitas totais ultrapassando a barreira de R$ 1 bilhão: Botafogo (R$ 1,4 bilhão), São Paulo: (R$ 1,07 bilhão) e Fluminense (R$ 1,02 bilhão). Porém, nesses três casos é preciso fazer ressalvas.
Apesar da receita recorde, o Botafogo fechou 2025 com um déficit de R$ 290,8 milhões, o segundo maior do País.
Em abril, John Textor terminou sendo afastado da SAF do Botafogo, pelo Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas, que alegou que medidas recentes tomadas pelo norte-americano tinha “potencial de causar danos irreparáveis aos acionistas e a toda a comunidade de torcedores do Botafogo”
O São Paulo, apesar de apresentar uma receita total de R$ 1,07 bilhão e um superávit de R$ 56 milhões, teve seu balanço financeiro rejeitado pelo Conselho Deliberativo do clube por 210 votos a 24.
Fechando o quinteto das receitas bilionárias, aparece o Fluminense, com ativo total R$ 1,02 bilhão, mas que também fechou o ano no vermelho, com déficit de R$ 51,5 milhões.

Por outro lado, o Mirassol, que terminou a temporada com o surpreendente quarto lugar e a classificação para a fase de grupos da Libertadores logo em seu primeiro ano na Série A, teve uma receita total de R$ 179,9 milhões, superior apenas as de Coritiba, Remo e Chapecoense (que disputaram a Série B) e do rebaixado Juventude.
Déficit quase bilionário
Porém, em se tratando de saldo financeiro negativo, nenhum outro clube chegou próximo ao Atlético-MG. Em uma temporada onde conquistou apenas o Campeonato Mineiro, foi 11º no Brasileiro, eliminado nas quartas da Copa do Brasil e vice da Sul-Americana, o Galo apresentou em seu demonstrativo contábil um impressionante déficit de R$ 882,1 milhões.
Esse prejuízo do exercício foi puxado por R$ 572 milhões atribuídos a “perda de valor justo”, conforme documento. Segundo as notas explicativas, a administração ressalta que “tal efeito possui natureza não financeira e pontual”. Por isso, o Galo considerou que o prejuízo no exercício foi de R$ 310 milhões, conforme apresentado. Ainda assim, o maior do País no ano.

Além de Atlético-MG e Botafogo (que já haviam liderado os maiores déficits em 2024), outras quatro SAFs também apresentaram prejuízos superiores a R$ 100 milhões no exercício: Bahia (R$ 154,6 milhões), Cruzeiro (R$ 114,9 milhões), Coritiba (R$ 113,9 milhões) e Fortaleza (R$ 120,1 milhões).
— Não vejo como coincidência o fato de muitas SAFs aparecerem entre os maiores déficits. A primeira onda das SAFs no Brasil aconteceu justamente em clubes que estavam entre os mais pressionados financeiramente, com alto nível de endividamento, problemas de caixa e passivos acumulados há muitos anos. Em alguns casos, além da herança recebida, também faltou maior diligência na definição dos limites de alavancagem que os novos acionistas poderiam assumir dentro da operação. Alguns projetos acabaram acelerando investimento esportivo sem que a estrutura financeira estivesse completamente estabilizada — pontua Pedro Weber.
Outros dois clubes também tiveram déficits acima de R$ 100 milhões. Caso do Corinthians, com R$ 143,4 milhões (apesar do título da Copa do Brasil), e o Sport, rebaixado com a segunda pior campanha da história dos pontos corridos, com 17 pontos e duas vitórias, e que fechou com 112,4 milhões no vermelho.
Dos 24 clubes analisados, apenas nove (37,5%) fecharam o ano com superávit nas contas, entre eles novamente vale cita o Mirassol, com saldo positivo de R$ 58,1 milhões, além do Juventude, rebaixado para a Série B, com R$ 25,4 milhões em caixa.
Enquanto os outros 15 apresentaram déficits no exercício (62,5%), entre eles os quatro clubes que conseguiram o acesso à Série A: Coritiba, Athletico-PR, Chapecoense e Remo.
Fonte: Globo Esporte