Ceni x SPFC: acordo de saída do clube tem cláusula que veta críticas a Leco

Rogério Ceni foi demitido do São Paulo em 3 de julho de 2017. Ao assinar a rescisão (em 30 de agosto do mesmo ano), ficou acertado que o treinador teria direito a multa de R$ 5 milhões — conforme previsto em contrato. A cláusula 9 do acordo ainda o impedia de fazer críticas ao clube ou a qualquer membro da gestão de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco.

O UOL Esporte teve acesso ao documento que tem a cláusula com veto às críticas. Segundo o contrato, assinado pelo ex-goleiro, pelo diretor financeiro (Elias Barquete Albarello), o então diretor executivo de futebol (Vinícius Pinotti) e o mandatário (Leco) e que tinha como testemunhas o ex-diretor jurídico Leonardo Serafim e o ex-gerente de futebol José Carlos dos Santos, “as partes concordam que não vão divulgar a terceiros, bem como não vão fazer declarações depreciativas ao São Paulo Futebol Clube, aos dirigentes prepostos e ou respectivos representantes legais”.

De lá para cá, mesmo que tenha deixado o Morumbi em meio à divergência com a atual gestão, Rogério Ceni não se manifestou diretamente de forma negativa sobre Leco ou seus pares na administração do clube. O técnico jamais fez críticas aos dirigentes abertamente e sempre tergiversou ao ser questionado sobre temas envolvendo a sua passagem pelo CT da Barra Funda como treinador.

Curiosamente, pouco depois de o acordo ser formalizado, Leco deu a entender em entrevista ao site Chuteira FC que o ex-arqueiro teria a sua imagem arranhada pelo desempenho de seis meses como treinador. Ceni, coincidentemente ou não, postou depois a seguinte frase de Rui Barbosa: “Não se deixe enganar pelos cabelos brancos, pois os canalhas também envelhecem.”

A multa de R$ 5 milhões foi paga de forma parcelada. Depois de dar uma entrada de R$ 400 mil, o Tricolor depositou mais quatro parcelas. De acordo com o contrato, a indenização de R$ 5 milhões teria de ser paga para qualquer uma das partes em caso de decisão unilateral de rompimento do contrato. O valor seria reduzido para R$ 2,5 milhões na segunda temporada. Assim, se Rogério Ceni pedisse demissão em 2017, teria de pagar R$ 5 milhões ao São Paulo, de acordo com o documento.

Assinado em novembro de 2016, o compromisso só previa qualquer alívio no valor da rescisão após o fim da temporada, entre 11 e 25 de dezembro 2017, quando se entende que o clube estaria fazendo o planejamento para o ano seguinte. Ainda assim, para o São Paulo ficar livre da indenização, Ceni não poderia atingir percentual superior a 40% em competições oficiais (Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Brasileiro).

À época, Rogério Ceni não tinha um salário tão alto quando comparado aos vencimentos de treinadores de outros grandes clubes do país. O ex-goleiro recebia R$ 250 mil por mês, com reajuste semestral pelo IGP-M.

Procurado para falar sobre o tema, Ceni não quis se manifestar e evitou dar explicações a respeito do caso. A diretoria do clube paulista também não falou sobre o assunto.

Segundo funcionários do São Paulo, cláusulas com este teor, que vetam críticas à gestão do clube, são comuns nos bastidores do Morumbi. Este não foi o único distrato com um trecho que proíbe declarações depreciativas.

Agora no Flamengo, Rogério Ceni é rival do São Paulo na noite de hoje (18), pela partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil 2020, em duelo que ocorre no Morumbi. No jogo de ida, os paulistas venceram o Fla por 2 a 1 em pleno Maracanã.

 

Fonte: Uol

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