Casares não aparece em oitiva e será julgado à revelia

O presidente deposto, Júlio Casares, não compareceu à oitiva marcada para esta quinta-feira no Morumbi. Ao invés disso, fez um pedido ao Conselho Deliberativo que interrompesse e encerrasse o processo a que ele responde por ter renunciado ao Conselho e estar se desligando do clube Social. Ele será julgado à revelia.

A defesa do ex-presidente, feita pelos advogados Bruno Borragine, Daniel Bialski e André Bialski, usa no artigo 5º, inciso XX, da Constituição Federal para contestar o Estatuto Social do clube, que impediria Casares de deixar o quadro de sócios e, assim, manteria as investigações internas.

Apesar de ter deixado o Conselho Deliberativo, Julio Casares, de acordo com o Estatuto Social do São Paulo, não poderia deixar o quadro de sócios justamente por estar em meio a uma investigação. O documento diz que “não será aceito pedido de demissão do Quadro Associativo, quando o Associado for objeto de procedimento administrativo disciplinar, até a conclusão de tal procedimento (…)”.

A Constituição Federal, porém, diz que “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado”. A defesa de Julio Casares, então, pediu nesta quinta-feira o fim das investigações contra o ex-presidente, já que ele entregou seu título de sócio do São Paulo.

A advogada Amanda Nunes, que representava a acusação com Carlos Sadi e Caio Forjaz, esteve presente e dispensou as testemunhas Sergio Pimenta e Erica Duarte, pela decisão do julgamento que ocorreria à revelia.

Agora o relator, Luiz Braga, tem até 15 dias para apresentar seu voto ao Conselho de Ética. Posteriormente ele será enviado para votação no plenário do Conselho Deliberativo.

Informações que eu colhi dão conta que haverá pedido de expulsão e o voto deverá ter unanimidade no Conselho de Ética. Indo ao plenário, ao menos 230 conselheiros deverão acompanhar esse voto.

O ex-presidente é investigado também pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por possível lavagem de capitais e participação num esquema de exploração clandestina de um camarote do Morumbis em dias de shows.

Julio Casares foi presidente do São Paulo de janeiro de 2021 a janeiro de 2026. No início deste ano, o ex-dirigente sofreu impeachment num processo aberto por causa do esquema de exploração clandestina de um camarote do Morumbis, revelado pelo ge em dezembro de 2025.

Pouco depois de sofrer impeachment no Conselho Deliberativo, Casares renunciou ao cargo de presidente do São Paulo. Ele ainda passaria por votação em assembleia geral, com participação dos sócios, para ter seu futuro decidido. Antes disso, porém, ele entregou a presidência.

 

Paulo Pontes

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