Calleri, atraso nos salários, saídas e reforços: Rafinha planeja futuro do SP

Cerca de quinze minutos depois de apresentar Victor Sá como reforço do São Paulo, Rafinha entrou em uma sala adjacente no CT da Barra Funda. Ali dentro, cumprimentou rapidamente os presentes e se posicionou em frente à câmera para conceder sua primeira entrevista exclusiva desde que se tornou diretor executivo do clube.

Se não respondeu perguntas durante sua primeira apresentação de reforço, Rafinha não fugiu de nenhum questionamento feito pela reportagem do ge. Durante 30 minutos, ele respondeu sobre saídas, chegadas, salários atrasados, polêmicas e, claro, a nova vida como executivo do São Paulo.

– Muito mais fácil jogar, sem dúvida (risos). É um desafio grande, não vou mentir. O muro é bem alto. Mas estou me saindo bem pelo contato que tive durante minha carreira como atleta. Tem muitas portas que deixei abertas e isso está me ajudando nessa nova função.

Rafinha foi firme desde o primeiro minuto de entrevista. Não escondeu o tamanho do desafio da nova função e foi sincero ao expor as dificuldades que tem sentido, até mesmo no trato com os ex-companheiros.

Questionado sobre temas mais delicados, como a reintegração de Arboleda e a saída de Alan Franco, não se escondeu. Revelou que, por dois meses, tentou convencer o argentino a ficar, mas não teve sucesso. E classificou como “muito ruim” o empréstimo ao Tigres, do México.

– É ruim pra nós? Muito ruim. Mas como vamos ficar com um jogador que não quer ficar aqui? Às vezes tem coisas do lado pessoal que nós não podemos… Tem limite pra gente. Do portão para cá é nossa responsabilidade, do portão para fora cada um tem sua vida pessoal. Temos que ter pessoas focadas e com a cabeça aqui para ajudar o clube.

Rafinha confirmou que o São Paulo tem um mês de direitos de imagem em atraso, mas negou que isso tenha influenciado na saída de Alan Franco.

No entanto, não foram apenas notícias ruins que o executivo deu. Perguntado sobre a arrastada renovação com Calleri, Rafinha fez uma previsão otimista.

– Nessas últimas reuniões, tudo que o Calleri está fazendo… Ele entende o momento do clube. Tudo que estava ao alcance dele, ele está fazendo. Ele quer ficar no São Paulo, entende o momento do clube, e o São Paulo quer ficar com ele. Certeza que vamos ter boas notícias nos próximos dias.

 

Rafinha ainda revelou que ligou para o alemão Mario Gotze, seu ex-companheiro de Bayern de Munique, para pegar referências sobre Aurélio Buta, novo reforço do São Paulo, e rechaçou vender jogadores no segundo semestre sem que tais negociações resolvam o problema do time tricolor.

Veja a íntegra da entrevista do ge com Rafinha:
GE: como está sendo ser dirigente?

– Muito mais fácil jogar (risos), sem dúvida. É um desafio novo. Esses seis meses como gerente me ajudaram muito. Claro, ter esse aprendizado na prática é bem melhor. Estava vendo o que estava se desenhando, sempre pedia muita ajuda para muita gente e comecei a fazer alguns cursos ao mesmo tempo para me ajudar, até mesmo antes de todas as mudanças.

– Falar é uma coisa, mas executar na prática os contratos, porcentagem, cláusulas, não é tão fácil quanto parece. Precisa entender bem as legislações, confederação e tudo que envolve essa parte contratual. Estou me preparando bem, estudando, tirando informações e cursos individuais com amigos do futebol europeu. Está sendo legal. É um desafio grande, não vou mentir.

– O muro é bem alto. Mas estou me saindo bem pelo contato que tive durante minha carreira como atleta. Tem muitas portas que deixei aberta e isso está me ajudando nessa nova função.

Essa ascensão de gerente para executivo já era pensada por você ou te pegou de surpresa aconteceu de forma tão rápida?

– Não era meu objetivo, de jeito nenhum. São Paulo tinha um executivo, que era o Rui Costa. O clube estava passando por um momento muito difícil no Paulista e quando me convidou para voltar para fazer essa parte, eu prontamente atendi porque era um momento muito difícil para o clube. Sabia o que o clube estava procurando.

– Nesse momento, muita gente não quis aceitar esse desafio. Eu me posicionei, dizendo que sim, queria voltar e deixei claro o desejo. Consegui ajudar em muitos setores nessa volta. Dizer que eu planejava ser executivo? Não era meu plano, mas de acordo com o que foi acontecendo… Eu ajudava o Rui de todas as formas no que ele precisava e isso me ajudou, estar no dia a dia, vendo como funcionava esse cargo.

– Não vou dizer que é algo de outro mundo, que nunca ia aceitar esse desafio. No dia a dia, eu vejo que é possível, sim. É preciso aprender muito ainda, estou começando agora. Mas para ensinar, tem que aprender.

– Não vejo problema nenhum, estou pedindo muita ajuda para amigos do futebol. Vou me dedicar ao máximo para me aperfeiçoar em todos os atributos, todos os detalhezinhos que tem que estar ligado porque isso muda uma vida e a situação de um clube. Isso você só adquiri com o tempo, estudando, aprendendo. Não vou dizer que amanhã vou ser um dos melhores, é com o dia a dia. Estou me dedicando muito e tenho certeza que vou me sair muito bem nessa função

Qual tem sido o maior desafio desde a saída do Rui Costa? Separar a relação de ex-atleta e dirigente é um deles?

– Esse é o principal ponto que tive dificuldade quando cheguei em janeiro. Saber a hora de diferenciar, o limite que posso chegar com os atletas. Joguei com eles, conheço todos, tenho liberdade com todos, mas tem que dar um passo para trás, não tem como misturar as coisas.

– É complicado ter que dar notícia ruim para quem você jogou, mas faz parte. É um desafio grande saber chamar o cara na sua sala, explicar o pensamento do clube, o momento, dizer que esse ciclo acabou, ou que a gente conta com ele.

Você era um dos líderes e sentava na mesa com dirigentes para defender os direitos dos seus companheiros. Você já consegue hoje falar como dirigente com eles?

– É complicado, mas essa parte estou me saindo bem. Não estou penalizando ninguém, estou fazendo o que é bom para a carreira do atleta e para o clube. É complicado explicar situações porque você tem que falar algumas coisas que às vezes o atleta não quer ouvir.

– Mas, nesse posto aqui, tem que falar, tem que ser firme. Tenho que agir pela razão. Entendo hoje o que os executivos passam no futebol. Não é fácil, mas estou sabendo separar muito bem as situações.

Uma dessas conversas com seus ex-companheiros que mais interessa ao torcedor é com o Calleri pela renovação do contrato, que sabemos que não está das mais fáceis. Como está isso? Hoje há mais chance dele ficar ou sair do São Paulo?

– O Calleri é um cara especial. Todos queremos muito que ele fique aqui. O Calleri tem se mostrado muito do lado do clube agora. Estou bem otimista. Nessas últimas reuniões, tudo que o Calleri está fazendo… Ele entende o momento do clube. Tudo que estava ao alcance dele, ele está fazendo, entende o momento.

– O Calleri gosta de estar no São Paulo, ama esse clube. Nós também. O Calleri entendeu o momento e a necessidade do clube. Torcedor sabe melhor que todos nós, é um cara importantíssimo para o São Paulo. Queremos muito que ele fique, mas, claro, entendendo o momento atual do clube. Não podemos fazer loucura. É um jogador que temos objetivo de renovar e tenho certeza que vamos ter um final feliz nessa história da renovação. Calleri quer ficar no São Paulo, entende o momento do clube, e o São Paulo quer ficar com ele. Certeza que vamos ter boas notícias nos próximos dias.

Por falar em renovação, existe alguma expectativa pela renovação do Lucas?

– (Na segunda-feira) O empresário dele esteve aqui. O Lucas estava focado na recuperação. A reunião foi só para entender o momento do clube. Não tem essa necessidade agora de se desdobrar por essa negociação porque o Lucas não pode jogar.

– Está focado na recuperação. É um cara que todos têm um carinho muito grande. O São Paulo quer muito contar com o Lucas, é um dos ídolos do São Paulo, nos ajudou muito aqui. O São Paulo quer sempre ficar com esses jogadores. Tomara que ele se recupere rapidamente para poder voltar aos gramados.

Falando sobre entender o momento do São Paulo e o clube não pode fazer loucuras, o Lucas hoje tem um dos maiores salários do São Paulo e não está conseguindo entregar em campo. Até onde o São Paulo pode ir pelo Lucas?

– Até bom para poder responder esse lado agora. São dois grandes jogadores. O São Paulo quer manter o Calleri e o Lucas, mas isso vale para qualquer outro: os jogadores hoje têm que se adequar ao momento que o clube vive. Vai melhorar? Claro que vai. Sabemos disso. Mas hoje o momento é esse.

– O São Paulo vai voltar para os trilhos. Tenho certeza que eles entendem isso da melhor forma. Não é questão de nome, Calleri, Lucas, o jogador tem que entender o momento. O São Paulo tem que ficar com jogador que quer ficar no São Paulo, tem que fazer a parte dele. Quer ficar no clube? Ótimo. Se o jogador fizer a parte dele, não vai ter obstáculos para que fique aqui.

Sobre essa questão de querer ficar no São Paulo, recentemente o Alan Franco saiu. Ele era um jogador que estava aqui há bastante tempo. Surgiram muitas coisas sobre o que motivou ele a sair. Queria que você explicasse como foi essa decisão.

– O Alan tem o carinho de todos no clube, nunca deu problema aqui. Faz dois meses que estou tentando convencer o Alan a ficar no São Paulo. Dois meses. “Alan, calma, você vai ter minutos”. Ele achava que não ia jogar porque na primeira passagem do Dorival ele não teve os minutos que achava que eram necessários, não jogava tanto.

– Hoje ele é outro jogador e é outro momento. Em nenhum momento ele foi comunicado que não iria jogar. Vinha jogando todos os jogos, inclusive com Dorival. Foi uma decisão do atleta. O Alan quis ir embora, mudar de ares. Ele me comunicou, me chamou algumas vezes, tentei contornar, chamamos o Dorival, conversamos muitas vezes e chegou o momento que ele falou que não queria mais, que queria sair do São Paulo, não queria mais jogar aqui.

– Para o torcedor são-paulino entender: como vamos segurar no São Paulo um jogador que não quer ficar? Não é que o jogador chega, reclama que quer ir embora e a gente abre a porta e deixar ir. Não é assim que funciona. São Paulo é muito grande para isso. Agora, não podemos ficar com um jogador que não quer vestir a camisa do São Paulo.

– Temos um carinho muito grande pelo Alan, eu joguei com ele, expliquei que ele era muito importante, que era uma liderança, que ajudava muito em todos os sentidos… Mas a partir do momento que ele não quer mais jogar aqui, não podemos segurar. Se ele ficasse aqui, iria ficar insatisfeito, não iria treinar bem, não iria ajudar nos jogos.

– Acontecem outras situações do lado pessoal que não podemos sair falando, roupa suja a gente lava em casa. Essas outras coisas a gente não entra no tema. Mas claro que incomoda. Mas o jogador não quer ficar aqui, a gente vai fazer o que? Expliquei que enquanto não tivesse uma reposição, não poderíamos liberar. Independentemente de estar feliz ou triste.

– Conseguimos contratar o Domingos, conversamos com ele, mesmo assim não quis ficar. Então, optamos por ceder o empréstimo ao Tigres. É ruim para nós? Muito ruim. Mas como vamos ficar com um jogador que não quer ficar aqui? Às vezes tem coisas do lado pessoal que nós não podemos… Tem limite para a gente. Do portão para cá é nossa responsabilidade, do portão para fora cada um tem sua vida pessoal. A gente entende o momento, entendeu o Alan. Temos que ter pessoas focadas e com a cabeça aqui para ajudar o clube.

Você frisou muito sobre o jogador que quer ficar no São Paulo, e o Arboleda? Ele quase foi negociado, mas foi reintegrado nesta intertemporada. Como foi esse processo? Você acredita que ele está querendo ficar no São Paulo?

– Todo mundo sabe que o Arboleda é o jogador mais velho que temos no plantel do São Paulo. O cara tem uma história gigante no São Paulo. Eu mesmo falei para ele, ele errou, ele errou grande com a gente, errou muito com o São Paulo, certo? Errou com os companheiros, com o clube, e o clube no momento penalizou ele da forma que era cabível, o que o clube podia fazer o clube o penalizou. Só que não podemos penalizar o Arboleda e o São Paulo ao mesmo tempo. Errou? Errou grande.

– Voltou no tempo que foi determinado. Não tivemos propostas pelo Arboleda, tivemos algumas ofertas do Brasil, mas nada concreto. O Arboleda é um jogador de muita qualidade, um dos melhores defensores do Brasil, e é um jogador do clube.

– Como eu vou manter o Arboleda no clube, deixá-lo treinando separado? É um jogador caro para o clube, tem muita qualidade. Sabemos que hoje não temos condições de contratar um zagueiro do nível do Arboleda para o clube.

– Ele errou e foi penalizado, foi multado, conversou com os jogadores, todos os jogadores cobraram ele, o clube penalizou, mas eu não posso cobrar o Arboleda e ao mesmo tempo penalizar o São Paulo, deixando-o fora, é um jogador que ajuda muito. O Dorival conversou com ele, os jogadores conversaram, ele pediu desculpa para todos os jogadores, explicou o que aconteceu com ele.

– O clube fez tudo que era possível, em todos os sentidos, juridicamente, do que era possível naquela situação e decidimos reintegrá-lo. Ele ajuda muito. Errou? Sim. Hoje é um jogador que está aí, o Dorival está vendo como é útil, os jogadores têm tranquilidade em tê-lo no campo, é um jogador que passa segurança, tranquilidade. Agora, não podemos passar a mão na cabeça.

– Cobramos ele em todos os sentidos e hoje está de volta ao clube. “Ah, mas reintegrar o Arboleda é um desrespeito com o torcedor”. O São Paulo penalizou o Arboleda como era possível, em todos os sentidos. Vamos fazer o quê? Matar o Arboleda? Vamos crucificar o Arboleda por que ele errou? Não posso fazer isso.

E teve um momento que o São Paulo procurou clubes para negociar e não apareceu…

– Exatamente, e é um jogador importante para o clube hoje, que ajuda em todos os sentidos. O jogador mais velho da casa. Foi o papo que tivemos, eu mesmo falei muitas vezes para ele “Arboleda, você não pode sair do São Paulo pela porta dos fundos, você é o jogador que tem mais anos de casa aqui, tem história”.

Em cima do Alan Franco, mas uma pergunta que serve ao restante. A saída do Alan Franco tem a ver com salários atrasados? O São Paulo tem hoje salários atrasados, seja salário ou direitos de imagem? Se tem, são salários referentes àquele acordo feito pelo Massis do começo da gestão? Existem salários ou direito de imagem atrasados?

– Tem atraso e não é essas coisas de loucura. O São Paulo tem, sim, imagem atrasada. O acordo o São Paulo está pagando, pagou as parcelas que tinha, e isso é verdade, mas essa questão do Alan Franco sair por causa de dinheiro, isso não é verdade.

– Quem está cobrando dinheiro não deixa dinheiro para trás, então esse não é o tema, isso é totalmente fora, o Alan Franco não saiu do São Paulo por salários atrasados. Ele não queria mais ficar no São Paulo. O salário está igual para todos. Está atrasado, é errado? Claro que é errado, sabemos disso, mas veja o momento que o clube atravessa, nós não temos jogo no Morumbi, faz quase dois meses que o São Paulo não tem jogo, não podemos usar o Morumbi, então isso prejudica o clube em todos os sentidos.

– Mas o clube não se programou para a Copa do Mundo? Claro que se programou, não é só o São Paulo, todos os clubes do Brasil tiveram esse período sem jogos que afetou muita gente. Agora, tem que dar o justo, se o jogador jogou tem que receber. Agora, o presidente Massis está honrando todos os salários, tentando deixar tudo certinho, salário das categorias nunca atrasa os salários, nos últimos anos nunca teve esse problema no São Paulo.

– Atrasa um mês? Sim, não vou mentir, isso acontece no São Paulo, mas nunca deixam de receber, o São Paulo nunca deixou de pagar jogadores, nunca faltou com ninguém desta forma, então esse não é motivo para jogador ficar querendo, de atleta querendo sair, como no caso do Alan, que muita gente noticiou.

– Quem está cobrando salário não deixa dinheiro para trás. Esse não é o ponto pelo qual o Alan quis sair. Ele quis sair por outros motivos, que ele achava que era melhor nesse momento.

Só para deixar claro, tem direito de imagens atrasados, não salário de carteira? São quantos meses?

– Eu não sei exatamente, mas acho que é um mês está atrasado, não posso afirmar exatamente, mas acho que é um mês que está atrasado.

O São Paulo tem hoje alguma proposta para vender jogadores? O que o São Paulo planeja de saídas, teve o empréstimo do Negrucci, mas digo de vendas. Tem alguma meta?

– Meta tem. O presidente recentemente comunicou sobre a meta que o São Paulo tem que vender, mas temos que ser realistas. Hoje nós temos algumas sondagens, mas não nos valores que o São Paulo deseja. Tem sondagens, mas nada concreto para nenhum jogador.

– Claro que sabemos que tem que vender jogadores, isso é inevitável, faz parte do processo. Se chegar uma proposta que seja boa para o clube e jogador também, o São Paulo não vai hesitar em vender.

– Agora, não posso desmanchar um planejamento que o Dorival Júnior tem com sua comissão técnica para a temporada, para o segundo semestre, que é muito importante para nós, para uma venda de jogador que não vai resolver o problema do São Paulo. Não vamos fazer loucuras, não vamos queimar jogadores por valores que não sejam bons para o clube.

O São Paulo vai contratar mais jogadores nesta janela?

– É uma missão difícil, mas estamos tentando. O São Paulo precisa sim de mais uma ou duas peças para compor o elenco e nos qualificar ainda mais para o segundo semestre. Estamos procurando, não é fácil, quando não temos esse respaldo para poder contratar um jogador, estamos fazendo de tudo que o São Paulo pode fazer.

– Os jogadores que vieram também estão acreditando no projeto, são jogadores que tinham ofertas melhores do que as do São Paulo, temos que deixar bem claro, e optaram por vir ao São Paulo, pela grandeza do clube, pelo planejamento que o clube tem pro restante da temporada e próximos anos.

– Os jogadores que estão saindo, isso é a coisa mais normal do futebol. “Ah mas o São Paulo está emprestando jogadores da base”. Esses meninos, eles mesmo procuram a gente para falar que querem jogar, que querem ter minutos, às vezes estoura a idade no sub-20, e não tem como jogar.

– Nós temos um plantel com quase 40 jogadores, como que o Dorival vai dar treino e conseguir dar atenção para todos? Não é punição, é que não tem como trabalhar, como você vai dar atenção para quatro times? São 40 jogadores de linha quase. Então eles mesmos nos procuram, dizem que querem minutos, querem jogar, é bom, os jogadores saem, têm minutos em outros lugares, são emprestados e depois voltam numa condição melhor.

– Muitos deles chegam na minha sala e pedem “Rafinha, eu preciso jogar”. O São Paulo vai sempre buscar o melhor para eles. O São Paulo planeja para ter esses atletas no futuro, mas no momento o Dorival não vai poder usar, ele sabe os jogadores que tem à disposição, mas não é punição, nós queremos que os jovens tenham minutos, por isso a gente tenta ajudar eles desta forma.

Como foram as negociações com Buta e Domingos Duarte? Como chegaram nesses nomes e como conseguiu destravar a negociação do Domingos?

– São dois jogadores importantes nestas negociações. Eu conduzi agora a segunda negociação com Domingos Duarte, porque é um jogador que tinha acabado de sair do Getafe com a melhor campanha que ele fez na carreira dele. Jogou todos os jogos, em uma das defesas menos vazadas do Campeonato Espanhol, e é claro que é normal que os jogadores tenham propostas da Europa.

– A gente sabia que não tinha como competir com esses clubes, os valores são maiores que os nossos. Claro, aí entra essa parte de mostrar, no caso do Domingos, o que significa o São Paulo. Às vezes você está em um clube da Europa, um clube menor da Europa, é muito melhor vir jogar no São Paulo, com todo respeito ao Getafe, aos outros clubes, é muito melhor estar no São Paulo do que em outros clubes que são de menor expressão na Europa.

– Isso conta muito, explicar a grandeza, os jogadores que vieram para cá, que tiveram sucesso no São Paulo, a dimensão de jogar no São Paulo é muito maior que jogar em um pequeno da Europa. Eu passei 16 anos no futebol europeu e sei que isso é verdade. Então é muito melhor estar em um clube grande no Brasil do que em um pequeno da Europa.

– O Aurélio Buta foi um pouco mais difícil, porque ele estava no Copenhagen, jogou muito tempo na Alemanha. Eu fui procurar informação. Jogou com um companheiro meu, que é o Mario Gotze. Jogamos no Bayern de Munique, eu pedi muita informação para ele, tenho amigos no Frankfurt, pedi informações.

– É um jogador que todo mundo só passou boas informações, os treinadores, os jogadores que jogaram com ele. E também é um jogador que tinha propostas melhores que a do São Paulo. Ele fala português, isso facilita muito para a família vir a um país que fala a mesma língua, o mesmo idioma, isso ajudou muito.

– Ele tem mercado no futebol europeu, teve propostas, os empresários não blefaram conosco em nenhum momento, deixaram claro que tinha propostas. Ajuda muito quando o cara quer estar aqui, quer estar nesse mercado, porque é o caminho inverso, o jogador brasileiro quer ir para a Europa, o jogador europeu quer ficar lá, mas eles vieram para cá, acreditaram no clube, no que mostramos para eles.

É um momento de instabilidade no São Paulo, por que tem eleições no final do ano. Cargos de diretoria geralmente são mais instáveis em trocas de gestão. É mais difícil trazer agora alguém para te ajudar? A partir do ano que vem, você pretende ter mais alguém com você no departamento, e você volta a ser gerente, ou irá contratar alguém? Quais seus planos para o futuro?

– Vou ser bem claro, o futuro que estou pensando é amanhã, nosso jogo com o Athletico, fim do primeiro turno, esse é nosso pensamento: terminar o turno bem e fazer um espetacular segundo semestre.

– Não tenho esse pensamento do que vai acontecer em janeiro, sei que tem eleição no clube, graças a Deus o Massis não está deixando essa parte nos afetar, porque sabemos que isso interfere, mas o presidente tem tentado ao máximo deixar o futebol livre de política.

– Tomara que a gente continue neste mesmo ritmo da preparação para a volta do campeonato, e quanto a mim, não tenho esse pensamento de planejar o futuro. Hoje, o Dr Felipe, que é do departamento jurídico, está me ajudando muito, junto ao Dorival Júnior, assim como todo departamento de futebol.

Para finalizar, o Artur quando veio ao São Paulo despertou interesse de outros clubes de fora, e foi colocado na conversa naquele momento que ele poderia sair no fim da temporada. É um jogador que preocupa?

– O Artur é um jogador que eu participei desta negociação, conversei muito com ele, tinham muitas propostas pelo Artur, realmente, e ele escolheu vir ao São Paulo. Isso é o importante, um jogador que escolheu vir ao São Paulo e hoje está nos ajudando muito, está sendo importante para nós.

– Essa parte de negociação não temos nada sobre o Artur, também não é nosso objetivo conversar sobre essa situação do Artur, não. Ele é jogador do São Paulo, está nos ajudando muito, tenho certeza que vai fazer um bom segundo semestre aqui no clube. Ele vestiu a camisa, é um jogador que nos ajuda muito no dia a dia, um cara espetacular, tenho certeza de que será muito feliz com a camisa do São Paulo.

Fonte: Globo Esporte

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