Depois de irem ao CT da Barra Funda ontem para um conversa com jogadores e comissão técnica do São Paulo, as torcidas organizadas do clube anunciaram apoio aos jogadores, afirmando que há pagamentos em atraso e se solidarizando com o momento turbulento vivido.
As lideranças falaram em atrasos de, em média, três meses. O UOL apurou que as pendências são relativas a direito de imagem, e não salário em carteira, e variam entre atletas do elenco.
Um relato à reportagem aponta um atraso de quatro meses. Há casos mais extremos, de jogadores que dizem não ter recebido direitos de imagem até o momento na temporada.
Uma das queixas é sobre hierarquização dos pagamentos, com atletas que são menos aproveitados ficando para trás na fila de pagamentos.
Foram ouvidos jogadores que relatam que não só os direitos de imagem estão atrasados em três meses, mas também as parcelas do acordo feito pela diretoria do clube em fevereiro para saldar dívidas deixadas pela gestão Julio Casares.
Pessoas do departamento de futebol do São Paulo admitem que existem atrasos, mas não especificam os prazos ou casos individuais, nem confirmam os relatos mais graves.
Os pagamentos de imagem, de modo geral, não são mensais como os de salário: contratos de imagem preveem parcelas bimestrais ou trimestrais, divididas ao longo da duração do vínculo. Por isso, os meses em atraso podem variar bastante de um atleta para outro.
O São Paulo vive uma situação financeira extremamente delicada. O clube é alvo de inúmeras cobranças judiciais e extrajudiciais de atletas e agentes.
No começo do mês, fez um acordo para pagar R$ 16 milhões restantes ao megaempresário Giuliano Bertolucci – os últimos de uma dívida que chegou a R$ 76 milhões em valor presente. Isso com só um agente.
Em agosto do ano passado, o São Paulo também fez um acordo para encerrar uma dívida de R$ 26 milhões com o empresário André Cury. As parcelas, de valor sob sigilo, vão até dezembro desse ano.
Há cobranças que chegam a R$ 10 milhões pela contratação de Jhegson Mendez, R$ 4,6 milhões pela venda de Beraldo, R$ 14 milhões com acusações de negligência médica do zagueiro Ruan Tressoldi. A lista é enorme.
As negociações para substituição da ticketeira Total Acesso pela Ticketmaster envolvem uma antecipação de receitas de R$ 130 milhões. O clube ainda vive momento político turbulento, com eleições presidenciais previstas para dezembro.
Fonte: Uol