Aidar empurra Juvenal para fora do SP, e ex-presidente pode sair

O presidente Carlos Miguel Aidar chocou dirigentes e conselheiros aliados com entrevista dada à “Folha de S. Paulo” e publicada nesta quarta-feira. Aidar atingiu em cheio o ex-presidente Juvenal Juvêncio, que o indicou à sucessão, e afirmou que a forma de gestão do antecessor era “ultrapassada”. O presidente são-paulino ainda afirmou que Juvenal geria com “benesses”, com conselheiros e diretores costumados a ganhar vantagens, e que hoje o clube tem 950 funcionários quando poderia funcionar com apenas 95. Aidar também criticou a gestão das categorias de base e falou que nem o próprio Juvenal Juvêncio, hoje diretor em Cotia, está garantido. O efeito de tais palavras será muito mais devastador do que a própria entrevista: existe a possibilidade de Juvenal Juvêncio entregar o cargo de diretor da base.

Quem faz a afirmação são os aliados de Juvenal Juvêncio. O ex-presidente ficou profundamente irritado com as declarações de Aidar. Segundo conselheiros e membros da diretoria que hoje estão mais próximos dele, Juvenal entendeu as palavras como revide. O ex-presidente havia se irritado nos últimos meses ao ver e ouvir Aidar expor interna e externamente que o clube estava quebrado financeiramente enquanto gastava mais R$ 20 milhões para tirar Alan Kardec do Palmeiras. Juvenal não gostou e demonstrou insatisfação.

É consenso entre os aliados que as palavras de Aidar provocam situação absolutamente incômoda para que Juvenal Juvêncio siga trabalhando como diretor das categorias de base em Cotia. Há dois meses, o ex-presidente, que trata um câncer de próstata, teve melhora significativa na saúde e tem ido pelo menos três vezes por semana ao centro de treinamento de Cotia, onde estão alojados os jogadores jovens do São Paulo.

Agora, depois de ter o trabalho criticado publicamente e ter sido colocado com o cargo a perigo, Juvenal pode pedir para que seja destituído da função. A opinião comum é que não há como Juvenal seguir trabalhando na base depois de tantas críticas ao seus oito anos de mandato, entre 2006 e 2014, e à gestão de Cotia, departamento no qual ele é diretor hoje.

Segundo aliados do ex-presidente – a maioria faz parte da atual diretoria de Aidar – o mais chocante é que o próprio Aidar se beneficiou das “benesses” que cita nas entrevistas. O atual presidente venceu Kalil Rocha Abdalla nas eleições de abril porque teve o apoio de Juvenal e sua máquina de governo, que há anos contava com benefícios para conselheiros e diretores, como forma de controlar o poder. Controle que rendeu a Juvenal o maior absolutismo político na história do clube e proporcionou duas mudanças de estatuto: primeiro alterou a duração do mandato, de dois para três anos, e depois permitiu uma nova interpretação na qual Juvenal poderia se reeleger pela segunda vez. Acabou ficando 8 anos no cargo, e teria ficado mais, caso o estatuto permitisse.

O absolutismo político de Juvenal que permitiu a concentração de poder entre 2006 e 2014 e elegeu Aidar deverá se voltar contra o atual presidente agora, caso Juvenal decida, de fato, deixar a diretoria do São Paulo. A opinião de quem está na diretoria de Aidar é que a saída do antecessor cairia como uma bomba atômica no conselho e desconcentraria completamente a gestão de Aidar – os eleitores do atual presidente votaram em quem Juvenal apontou.

A reportagem procurou Juvenal Juvêncio desde o período da manhã, mas não conseguiu contato com o ex-presidente – segundo aliados, ele ainda não quer falar sobre o atrito publicamente. Procurado na tarde desta quarta-feira, Carlos Miguel Aidar afirmou que não poderia atender porque está na posse do ministro Ricardo Lewandowski como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília – mais tarde, o São Paulo enfrenta o Botafogo no estádio Mané Garrincha, na capital federal.

 

Fonte: Uol

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