Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, estamos fora da Libertadores. Surpresa? Não. Apenas para os corações mais aficionados e iludidos, como o meu, a vitória seria possível. Mas eu, mesmo com esse coração alucinado, pensava na tese de que o Botafogo era tão favorito, tão favorito, que o São Paulo iria se classificar. Afinal, quando enfrentamos o Barcelona, o Milan e o Liverpool, sempre chegamos como zebra, contra os grandes favoritos. E sempre vencemos.
Mas os tempos são outros. Os tempos são de Casares, Belmontes, Dedés, Schwartzmanns, Sefarins, Oltens, Babys, enfim, são destes que estão destruindo, dia após dia, um clube que nasceu em 1930, fruto de verdadeiros são-paulinos, esses, sim, abnegados, e que nos fizeram chegar onde chegamos. Até 2010, porque depois apareceram esses e os Juvenais, Aidares e Lecos da vida.
Eles não entram em campo? Não. Mas eles colocam o que temos em campo. E o que vemos, apesar de alguns entenderem que temos o 17º pior elenco do campeonato, que ele é abaixo de medíocre; apesar de alguns entenderem que o elenco não se mede por uma derrota, afinal, vários estavam improvisados (então não é sinônimo de elenco fraco?) , o grupo é muito forte. Eu tenho dito que o elenco é medíocre, e o time titular é bom. Mas não tão bom a ponto de poder eliminar um Atlético-MG, na Copa do Brasil ou um Botafogo na Libertadores, mesmo abandonando por completo o Campeonato Brasileiro.
Falando do jogo, Zubeldía, grande responsável por termos chegado até aqui, colocou o que tinha de melhor. Se há uma crítica a fazer é a de que não levou Longo para o banco, e ficamos sem um primeiro volante marcador para ser, eventualmente, usado. Mas em campo constatamos que o Botafogo, o time que não tem camisa, é muito superior ao do São Paulo, o time cuja camisa entorta varal.
E vejam que o Botafogo, em determinado momento do jogo, praticamente pediu para ganharmos. Mas nossos grandes ídolos, de quem o time depende diretamente, nos derrotaram: Lucas perdeu o pênalti no primeiro tempo, Callerei perdeu um gol debaixo da trave e depois perdeu um pênalti na decisão, por mais que tenha marcado o gol de empate.
Fora esses lances, no segundo tempo o Botafogo se encolheu e cansou de errar. Nós não soubemos aproveitar. Depois, quando empatamos o jogo e quase fizemos o segundo gol com Rodrigo Nestor, a “torcida que conduz” resolveu ajudar o combalido Botafogo e acendeu centenas de sinalizadores, propiciando ao banco do Botafogo que causasse aquela confusão no banco do São Paulo. Parabéns, “torcida que conduz….para baixo”. Vocês sabem de que torcida estou falando.
Se eu achava que tínhamos um bom time titular, agora já repenso até isso. Temos um grande goleiro? Temos um grande lateral direito? Temos um grande lateral esquerdo? Temos um grande volante? Temos um grande meia?
O ano para nós acabou. Não sei o que vai acontecer domingo, contra o Corinthians, mas, por mais que eu vá de novo tomar calmantes antes do jogo e sofrer como um demente, entendo que uma derrota para o Corinthians não vai abalar essa “impoluta” diretoria. Afinal, para ela o elenco é ótimo e o que vale são as copas. Ao Brasileiro o limbo. Portanto, cabe a nós a torcida. A diretoria que se recolha, como fez hoje em suas redes sociais, e se cale para sempre.