Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, tenho sido nos últimos dias um crítico contundente do desempenho de Dorival Jr à frente do São Paulo. Time lento, sem conseguir um contra-ataque, sem marcação na saída de bola, com jogadas previsíveis. Isso tudo me fez pedir a demissão do técnico, depois da derrota para o Ituano, semana passada. Fiquei inconformado com a reunião de segunda-feira que culminou com sua permanência.
Mas vendo comentários no site, aqui e acolá, acordei para um detalhe: Dorival pediu jogadores de lado, de velocidade, pois só tinha Marcos Guilherme. Veio Valdívia, é verdade, mas vieram Nenê e Diego Souza, jogadores pesados e de meio.
Nem sei se Dorival foi forçado a escalar esses jogadores em todos esses jogos, mas o fato é que não era sua vontade. Agora, com a corda no pescoço, precisando ganhar ou ganhar do CRB para ter uma sobrevida no cargo, ele colocou os dois no banco e fez entrar Valdívia e Brenner, mantendo Marcos Guilherme e Cueva. O resultado foi óbvio: um time muito mais rápido, leve e jogadas fluindo.
Vamos combinar que tudo poderia ter sido muito mais fácil. O CRB, naturalmente, completamente fechado, e o São Paulo consegue um pênalti aos seis minutos. Mais uma vez Cueva desperdiça a cobrança, como houvera acontecido em Itu. O São Paulo ficou nitidamente incomodado e as jogadas não saíram. Eu já estava vendo a hora que as vaias dos pouco mais de oito mil torcedores começariam no Morumbi.
Mas foi nessa velocidade a que me referi que saiu o primeiro gol. Boa jogada de Brenner pelo lado do campo, a bola para o centro da área e o gol de Valdívia. Logo depois, um lançamento perfeito de Jean para Militão, ele arranca, toca para Cueva, o peruano dá dois toques na bola e coloca Militão na cara do goleiro para um golaço.
Isso pode maquiar a atuação ruim do São Paulo. Na realidade, houve mais velocidade, o time ficou mais leve, como já disse e repito, mas não significa que jogou bem. Fez os dois gols e se mantivesse o ritmo desses minutos dos gols, faria cinco, seis, chancelaria a classificação para a próxima fase. Teve até oportunidades para isso no segundo tempo, mas o excesso de preciosismo, do “toma, faz você”, fez com que a vitória fosse apenas por 2 a 0.
Partindo-se do princípio que a Copa do Brasil é o principal campeonato que temos nesses primeiros meses do ano, devo constatar que Diego Souza e Nenê viraram reservas. Não posso conceber que eles estivessem sendo poupados para jogar contra o Linense.
Ficou claro que o futebol flui mais com essa formação. Nenê vai ser muito útil ao São Paulo a partir de maio, quando Cueva for defender sua Seleção na Copa do Mundo. Diego Souza também pode fazer esse papel de meia. O que está mais do que claro é que ele não pode ser o 9 do time.
Aliás, ele ficou visivelmente irritado com a reserva, tanto que entrou no segundo tempo, mas com uma má vontade tão grande, que merecia ter sido sacado cinco minutos depois.
Ainda não me convenci que Dorival não é culpado pelo mau futebol do time. Ele é o treinador e, até onde eu sei, tem liberdade para escalar quem quiser. Pois que o faça direito e coloque esse time para jogar e ganhar os jogos.