Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo até deu a impressão que traria uma vitória de Buenos Aires, mas acabou sofrendo de nova síndrome do segundo tempo e sucumbiu ante um Boca que parecia perdido, mas que mostrou que sua camisa ainda entorta varal, assim como a nossa.
Aliás, mais do que a importância de um jogo da Sul-Americana, o jogo teve sintomas de nostalgia, quando durante décadas os dois clube ostentaram os degraus mais altos da rivalidade na América do Sul. Hoje o Boca é um arremedo do que foi e o São Paulo…desnecessário falar alguma coisa.
No jogo, foram 30 minutos de total domínio do São Paulo. O trio de zaga funcionando bem, Marcos Antonio encostando na frente, Iago e Lucas Ramon avançando pelos lados e as oportunidades foram surgindo. Primeiro foi Luciano que cabeceou para grande defesa do goleiro argentino e depois Caller, que perdeu um gol inacreditável.
Mas, como eu disse, durou 30 minutos. Aí o Boca acordou para o jogo e começou a rondar a área do São Paulo. As deficiências começaram a surgir, principalmente no setor de meio de campo, onde Pablo Maia estava completamente perdido e Marcos Antonio não acompanhava a descida dos argentinos.
Na transmissão eu e o Dario Campos comentávamos que Dorival deveria voltar com Newton no lugar de Pablo Maia para dar maior consistência ofensiva. Ou até Danielzinho, o que faria o futebol de Marcos Antonio melhorar. Só que Dorival não mexeu, mas o Boca sim. Não com troca de jogadores, mas com troca de posição em campo, formando um carrossel. Em pouco tempo o gol saiu e as fragilidades do São Paulo ficaram patentes. O ataque morreu, o meio de campo não existiu e a defesa passou a bater cabeça o tempo todo.
O São Paulo voltou a ser o time omisso no segundo tempo que tem sido este ano. As exceções talvez tenham sido os jogos contra RB Bragantino e Atlético-MG.
A culpa maior, no meu entender, foi de Dorival. Ele desmontou uma dupla de meio de campo que estava dando muito certo, com Danielzinho e Marcos Antonio, para colocar Pablo Maia que não consegue mais jogar futebol. E depois de estragado, quando viu a coisa complicar, deveria ter colocado Newton, a quem ele tanto pediu à diretoria. Mas os erros continuaram, porque ele colocou Danielzinho no lugar de Marcos Antonio e Newton aos 47 minutos do segundo tempo. Grotesco.
Dá para virar. O estrago não foi tão grande. Mas tivéssemos um técnico com um pouquinho mais de capacidade, e jogadores com mas vontade em campo, não se dobrando a amores passados pelo Boca, no mínimo com um empate teríamos saído de Buenos Aires.
O Levir Culpe escreveu um livro “Um Burro com Sorte”.
Falava sobre si, mas o Dorival bem que podia ser seu personagem.
Ele é um paizão, extremamente educado e bondoso.
Entretanto, parece jogar sempre com medo de vencer.
Não treina nenhuma jogada diferente ou sistema tático diferente: é só o rachão e bolas paradas. Não ousa nunca; não arrisca nada. Espera sempre que sua Sorte lhe acompanhe e ele consiga alguma coisa. Não por seu trabalho, mas pela inspiração de seus jogadores ou pelo imponderável, que lhe veio premiando apesar dos pesares.
Com esse elenco e esse treinador, o mínimo resultado favorável será fruto de rezas e mandingas de amigos e torcedores…