Casares fez contrato de R$ 5 mi ignorando alertas do jurídico

A gestão de Julio Casares no São Paulo ignorou vários alertas vermelhos do seu departamento jurídico sobre a empresa FGoal Marketing e Eventos e, contrariando os pareceres, concedeu exclusividade para exploração de alimentos e bebidas no Morumbis, em um contrato milionário.

A coluna teve acesso a documentos que mostram que o jurídico são-paulino apontou falta de experiência e histórico de mercado, falta de lastro patrimonial e financeiro da empresa e possibilidade de danos à reputação do clube. Em pelo menos três relatórios enviados às outras diretorias, foi apontada probabilidade alta de grande impacto negativo para o clube.

O contrato com a FGoal foi rescindido pelo São Paulo no começo de fevereiro, já na gestão de Harry Massis Jr. O clube alegou que identificou saques não autorizados nas suas contas, acessadas pela FGoal, totalizando quase R$ 200 mil. A empresa alega que as movimentações foram autorizadas, contesta a rescisão e entrou com ação cobrando R$ 5 milhões do clube.

Procurada pela coluna, a FGoal disse, por meio de seus advogados, que assinou um contrato regularmente com o São Paulo e que vinha cumprindo integralmente todas as suas obrigações. Acrescentou que qualquer questão relativa a relatórios internos ou compliance do clube compete ao São Paulo.

O São Paulo e a defesa de Julio Casares também foram procurados. A matéria será atualizada caso se manifestem.

Alerta de alto risco e danos ao São Paulo
A proposta de acordo de cessão à FGoal da exploração de alimentos e bebidas no Morumbi começou a ser analisada no São Paulo no final de 2022. Fontes do clube afirmaram à coluna que a empresa chegou por intermédio de Mara Casares, ex-diretora feminina e cultural, e do ex-diretor social Antonio Donizete Gonçalves, o Dedé.

Na primeira análise, em novembro de 2022, a FGoal era uma microempresa de marketing digital, que sequer tinha alimentos e bebidas entre as suas atividades comerciais. O jurídico apontou a falta de experiência e expertise na área como um dentre vários problemas, e caracterizou o negócio como de alto risco para o clube. A empresa não tinha estrutura física, portfólio de clientes ou qualquer registro de empregados. Foram pedidas providências e novas informações.

Uma nova análise, em dezembro, manteve a caracterização de risco alto e o parecer contrário à contratação. O relatório apontou que não havia comprovação da prestação de serviços descrita em notas fiscais apresentadas pela FGoal, que a empresa seguia sem demonstrar expertise no segmento e representava risco alto para o clube.

Uma semana depois do segundo relatório houve uma intervenção de Antonio Donizete, o Dedé, então diretor social do São Paulo. Por e-mail, Dedé entrou em contato com o departamento jurídico e informou que, apesar dos relatórios, ele próprio endossava a qualidade dos serviços prestados pela FGoal e já tinha aprovado e encaminhado a contratação.

“Tendo em vista, o andamento e análise do novo contrato para a Operação A&B, para o próximo ano no estádio do Morumbi, tenho a expressar meu parecer positivo quanto a prestação de serviços da empresa FGOAL, por estar seguro que fará o melhor para o SPFC, pois presenciei seu trabalho, desde atendimento, limpeza e qualidade perante ao público, com dedicação e condições necessárias para um atendimento de excelência”, escreveu Dedé.

“Diante disto, agora prestará seus serviços de Cessionário na Operação A&B, a partir de agora no estádio do Morumbi, nos Jogos, Shows e afins, cujos documentos já foram certificados e inseridos no sistema de CONTRATOS, com minha aprovação e para o qual, solicito sua colaboração de encaminhamento, para devida efetivação do mesmo e para assinatura do Presidente Julio Casares”, finaliza.

Mesmo com os relatórios contrários e alertas emitidos, a FGoal passou, em 2023, a administrar alimentos e bebidas em jogos do São Paulo no Morumbis.

Em março de 2024 FGoal e São Paulo decidiram assinar um

novo contrato. Ao avaliar o negócio, o departamento jurídico do clube emitiu o terceiro relatório apontando a empresa como de alto risco, citando questões como falta de empregados, pendências fiscais em todas as empresas dos sócios e outros pontos problemáticos..

O relatório foi enviado para ciência e teve visto do então CEO do clube, Márcio Carlomagno. Apesar dele, o São Paulo assinou o novo contrato com a FGoal no dia 17 de maio de 2024, cedendo a exploração de alimentos e bebidas do Morumbi à empresa até dezembro de 2029.

Rescisão e ação judicial
Após o impeachment de Julio Casares, o São Paulo, sob a gestão de Harry Massis Jr., rescindiu o acordo com a FGoal de forma unilateral no dia 5 de fevereiro deste ano. A empresa foi à Justiça cobrando R$ 5,18 milhões pelo encerramento do contrato.

No processo, a FGoal utiliza a gravação de um pequeno trecho de uma reunião no qual a diretora jurídica do São Paulo, Erica Duarte, cita a mudança de presidência como razão para a rescisão. Segundo a empresa, o fim do acordo teria motivação política.

A coluna, entretanto, teve acesso à notificação de rescisão contratual enviada pelo São Paulo à FGoal. Nela, o clube detalha que identificou saques de mais de R$ 200 mil reais em contas pertencentes ao clube na plataforma de pagamentos usada no Morumbi e no clube social, feitos pela FGoal sem autorização contratual.

A FGoal afirma, no processo, que todas as movimentações tinham sido acordadas e autorizadas na gestão Casares, e eram parte do objeto da prestação de serviço ao clube.

 

Fonte: Uol

Nota do PP: ótima matéria, porém nada diferente do que já falamos há alguns meses.

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