Casares e ex-presidentes debatem denúncia contra filha de Massis

A estabilidade política do São Paulo se vê ameaçada. Mesmo com ex-apoiadores de Júlio Casares e até antigos opositores ao lado, o presidente Harry Massis Júnior enfrenta movimentos contrários. Segundo apurou o Estadão, uma ala na política interna do clube articula a saída de Massis do poder.

O assunto será levado a uma reunião do Conselho Consultivo, composto por ex-presidentes do clube, incluindo Julio Casares – que recém-renunciou ao cargo – e do Conselho Deliberativo, no escritório do jurista Ives Gandra, na tarde desta sexta-feira. O motivo foi uma denúncia contra a filha de Massis, Chris Massis, que era diretora da base feminina até a chegada de seu pai à presidência. Massis a destituiu no dia 3 de fevereiro.

O grupo vai discutir o tema a partir do material denunciado de forma anônima. Há integrantes que defendem uma renúncia de Massis a partir disso.

“Há mais ou menos uma semana, recebi com surpresa e indignação o relato da minha filha Christina sobre a revenda de ingressos de show. Não compactuo com a lamentável atitude dela e defendo que a comissão de ética do clube aprofunde as apurações sobre o caso. Não tenho compromisso com erro ou malfeito de nenhuma ordem. Pouco importa se a pessoa em questão tem meu sangue ou não”, disse Massis, em nota ao Estadão.

“A Christina é maior de idade, tem seu próprio CPF e deve responder pelos seus atos. Durante minha gestão, minha maior missão é ter tolerância zero com qualquer atitude eticamente reprovável. Isso vale para todos, até para minha filha. Reafirmo que só soube do caso há poucos dias e que fui também chantageado para que o caso não viesse à tona. Mas aparentemente não me conhecem. Aqui tem um homem íntegro, que tem como único intuito passar o São Paulo Futebol Clube a limpo, custe o que custar e doa a quem doer”, completou o presidente do clube.

Procurada pela reportagem, Chris Massis diz que a situação se trata de uma tentativa de derrubar o presidente e nega qualquer esquema irregular de venda de ingressos.

Na gravação atribuída a Chris e à qual o Estadão teve acesso, ela nega venda de ingressos. Chris teria dito, no áudio, que repassou o dinheiro a “uma senhora que ela ajuda” e afirma que uma terceira pessoa teria tentado envolvê-la em um esquema de cambismo.

“Ele (um terceiro não identificado) me pedia: ‘Eu queria presentear as pessoas’. Aí ele começou a falar que queria fazer esquema com camarote, que vamos trazer gente. Um dia, ele levou cambista para o camarote da vice-presidência. Eu falei: ‘Meu, você está louco, vai botar esses caras aí, super mal encarados, para assistir ao jogo’. Eu dei ingresso para ele, só que daí ele falou para começar (um esquema), que agora é o momento”, teria dito Chris na gravação.

O áudio também mostra supostamente Chris falando que, se o caso se tornasse público, poderia representar o fim da gestão de Massis. “Eu estava conversando hoje com meu pai e ele soltou uns atos administrativos para se proteger. Ele quer contornar a situação. Ele está passado, falou que vai ter que renunciar. Ele falou que, se isso estourar, vai ser obrigado a renunciar”.

Prints de uma conversa de WhatsApp mostram supostamente Chris Massis citando valores de ingressos do show de Bruno Mars no MorumBis em outubro de 2024, época em que ela era diretora da base feminina e seu pai era vice-presidente da gestão Casares. Chris estaria pedindo R$ 3,5 mil por ingresso e supostamente pediria R$ 500 em comissões.

No começo da gestão, Massis tirou a filha da diretoria adjunta das categorias de base do futebol feminino sob a justificativa de evitar conflitos de interesse na gestão do clube.

Caso Massis renuncie, o presidente do conselho deliberativo do clube, Olten Ayres de Abreu Júnior, assume por 30 dias e é obrigado a convocar nova eleição. O pleito definiria o presidente até o fim do ano, quando ocorre a eleição regular para o próximo triênio. O presidente do Conselho nega que tenha interesse em concorrer em qualquer um dos pleitos. “Não está nos meus planos”, disse ao Estadão. Nos bastidores, porém, ele não descarta a possibilidade de se tornar candidato.

Do outro lado, Massis já deixou claro que não pretende concorrer. Entretanto, ele tem aliados que pensam em se lançar como possíveis candidatos, em contraponto à antiga oposição de Casares na disputa. Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho Deliberativo, atua como consultores do presidente e seria um nome com perspectiva de candidatura.

A antiga oposição, que transita entre elogios e críticas a Massis, tem dois nomes cotados. Um deles é Vinicius Pinotti, ex-diretor de marketing e de futebol e consultor de Casares até o fim do ano passado.

Outro é José Carlos Ferreira Alves. Ele é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e já foi vice-presidente, diretor de futebol, trabalhou no departamento jurídico e também foi presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo.

Esse último cargo o permite compor o Conselho Consultivo e participar da reunião desta sexta-feira. A proposta de impeachment de Casares passou pelo órgão, que recomendou o não afastamento. Ferreira Alves, porém, foi favorável a afastar o então presidente.

 

Fonte: Estadão

Um comentário em “Casares e ex-presidentes debatem denúncia contra filha de Massis

  1. Massis e aliados e etc ficarem espertos pq Casares e toda sua tropa destruidora vao tentar arrumar todo jeito de arrancar o Massis e turma para entrar os corruptos de novo no poder.

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