Áudios ligam Olten Ayres de Abreu a suposto esquema em camarote

O UOL teve acesso exclusivo a áudios que implicam o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, em um suposto esquema irregular de venda de ingressos de camarote no Morumbis.

Segundo as gravações, Lucca Monteiro Borzani, filho de Felício Borzani Neto, amigo de infância de Olten Ayres, vende ingressos no setor camarote térreo, na tribuna do Conselho, em nome do dirigente.

Nos áudios obtidos pela reportagem, Lucca se apresenta como responsável pela intermediação das entradas e afirma que os bilhetes estavam vinculados ao espaço destinado ao Conselho Deliberativo.

Em uma das gravações, ao tentar convencer um interessado que demonstrava receio de sofrer um golpe, ele faz referência direta ao “tio” Ayres e à posição ocupada por ele no clube.

“Olten Ayres é meu tio (de consideração), nem posso dar golpe, nunca dei golpe em ninguém, se não eu que me queimo também. O Olten é presidente do Conselho Deliberativo, ele é minha pessoa de confiança, da minha família, e eu sou pessoa de confiança dele, ele me dispõe os ingressos. E sobre dar os ingressos pessoalmente mano, só daria os ingressos pessoalmente se me encontrassem no meu camarote. Eu não vou sair rodando o Morumbi, que é gigantesco, pra caçar alguém pra dar ingresso, desculpa. Ou me encontra no camarote, já que tem esse receio aí de ser golpe, enfim, até entendo, mas não é. Se não, eu falo com outra pessoa aqui, porque não vou sair procurando ninguém pra dar ingresso físico, sendo que dá pra, em dois cliques, mandar digital”, afirma Lucca em um dos trechos.

O UOL também teve acesso a um comprovante de pagamento de R$ 420 feito para a conta corrente de Lucca Monteiro Borzani.

A transferência seria referente à compra de um ingresso de uma partida do Campeonato Brasileiro de 2025.

O setor mencionado —camarote térreo, tribuna do Conselho— é reservado a conselheiros e convidados institucionais do clube. Não há venda direta ao público.

A negociação, segundo os registros obtidos, ocorreu de forma particular, com pagamento via transferência bancária para conta pessoal.

Em outro áudio obtido pelo UOL, Lucca responde sobre o valor de venda dos ingressos e fala sobre os benefícios do camarote:

“O preço é aquilo que te falei, não dá pra precisar porque não é um preço fixo, depende muito da demanda e da relevância do jogo, então varia. A comida é de tudo, tem de tudo lá: sanduíche, bolo, hot-dog, doces… você pega o que você quiser lá, tem de tudo. E bebida só não tem alcoólica, de resto tem refri, sucos, tem tudo!”, afirmou.

O UOL obteve registros de ingressos vendidos desde 2024, todos vinculados ao nome de Olten Ayres.

No próprio ingresso virtual, consta o aviso em destaque: “Venda proibida. Caro torcedor esse é um ingresso de cortesia e a sua venda é expressamente proibida. Ajude a combater o comércio irregular e denuncie”.

A partir de 2025, com a implantação do sistema de reconhecimento facial no estádio, a comercialização passou a ocorrer mediante o registro do CPF do comprador, sem necessidade de envio de ingresso com QR code digital ou apresentação de ingresso físico.

A reportagem também obteve registros de mensagens em que Lucca Monteiro Borzani oferece a venda de ingressos para partidas contra o Primavera, pelo Campeonato Paulista, e contra o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, ambas disputadas em 2026.

Ao UOL, Felício Borzani Neto, pai de Lucca, afirma que não tinha conhecimento do caso e se colocou à disposição da Comissão de Ética do clube para prestar esclarecimentos:

“Sim, sou amigo pessoal do Olten. Até digo que sou amigo do Olten, não do presidente do Conselho. Ele me convidou algumas vezes para ir ao estádio assistir o jogo, estendi o convite ao meu filho, o Lucca, que você citou. O Olten deu para mim os ingressos e me deu total confiança. Eu passei para o meu filho, porque nem sempre vou ao estádio. Eu imagino que ele em posse desses convites, convide dois amigos ou os primos. Agora, se você me dá outra versão da destinação, estou sabendo por você. Isso para o Olten vai causar uma decepção muito grande na amizade que temos. É um amigo que confiou em mim e passei pro meu filho que pode ter feito uma besteira dessa. O que meu filho fez, ele responderá. Me coloco à disposição do Conselho de Ética do São Paulo ou qualquer outro órgão. Óbvio que não respondo pelos erros do meu filho, se assim ele cometeu ele responderá? mas eu serei um dos punidores, não tenha dúvida disso”.

O São Paulo, por sua vez, comunica que “defende que qualquer denúncia de malfeito envolvendo profissionais, sócios ou conselheiros seja apurada rigorosamente pelo Conselho de Ética, independentemente de cargo, parentesco ou posição política”.

Fonte: Uol

Nota do PP: eu estava com essa matéria engatilhada, esperando receber retorno do Olten para soltar. Enfim, ema ema. Mas eu dou o crédito, ao contrário do pessoal do Uol.

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