O depoimento – ou na verdade, o não depoimento – de Rita de Cássia Adriana Prado à Polícia Civil ontem indicou que a intermediária, que é uma peça-chave nas investigações que pairam sobre o São Paulo, não irá, nesse momento, colaborar com as apurações.
Adriana Prado, como é chamada, optou por permanecer em silêncio – um direito garantido pela Constituição Federal. Havia uma grande expectativa, frustrada, em torno das informações que ela poderia trazer ao processo.
Primeiro pelo óbvio: Adriana foi a locatária de camarote clandestino no Morumbis, gravou os ex-diretores Douglas Schwartzmann e Mara Casares admitindo a irregularidade do negócio e depois vendeu os áudios à oposição.
Mas isso é apenas o começo. A operação de busca e apreensão realizada pela força tarefa da Polícia e do Ministério Público no último dia apreendeu um caderno de anotações pertencente à Adriana. Há indícios de que a relação dela com dirigentes do São Paulo e a própria exploração de espaços paralelos em shows ia além da gravação.
Nas negociações com oposicionistas a Casares, Adriana também indicou, mais de uma vez – algo que ela agora nega – ter mais material e informações danosas ao grupo político do ex-presidente Julio Casares do que o que se tornou público até hoje.
Há ainda vários sinais de uma relação mais antiga e profunda com a família Casares e com o próprio São Paulo. Adriana financiou e patrocinou eventos dentro do clube, a maior parte deles organizada por Mara Casares. A coluna publicou em janeiro registros de alguns, que incluíam a marca da empresária, especialista em intermediação de shows, em camisetas usadas por cartolas dentro do clube, em mais de uma ocasião.
Essa relação vem desde pelo menos 2022, e se estende até ao filho de Julio Casares, Julinho. Adriana e Julinho foram réus em um mesmo processo, envolvendo uma disputa em torno de um gato de raça, que pertencia a Adriana e foi alvo de uma matéria no programa de Julinho, especializado em pets.
Na época, Julinho negou ter relação com Adriana, mas ela já patrocinava e fazia negócios com Mara, sua mãe, dentro do São Paulo.
O São Paulo é hoje alvo de três inquéritos criminais: o caso do camarote, os depósitos em dinheiro vivo na conta do ex-presidente Julio Casares e possível corrupção em contratos do clube social.
Adriana mantinha relação antiga com a família Casares, é pivô do caso camarote e participava e patrocinava vários eventos no social. A expectativa é a de que fosse capaz de fornecer aos investigadores várias respostas.
Por enquanto, o silêncio – que não deixa de ser, por si só, uma forma de resposta.
Fonte: Uol