Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, aos poucos as figuras, a quem cabe a responsabilidade de gerir as coisas do São Paulo, estão nos jogando na vala dos comuns, no mais profundo precipício, cuja entrada muitas vezes pode ser irreversível.
A derrota para o Fluminense no Maracanã não ocorreu apenas dentro de campo. Na realidade ela foi reflexo de tudo o que ocorre nos bastidores do São Paulo. Tenho tentado ao máximo de afastar dos temas políticos, até porque fiz parte do movimento vitorioso do Resgate Tricolor, que tinha por objetivo trazer Muricy Ramalho de volta e abraçar o time, como toda a coletividade são-paulina, digo, aqueles que realmente amam o São Paulo, decidirão por fazer.
Chega um momento, no entanto, que os campos se confluem e não há mais como dissociar uma coisa da outra. Em campo, o time foi inoperante, frágil, ridículo. Fora dele, algumas pessoas exageraram no direito de serem inúteis e infelizes.
Não consegui entender até agora as substituições que Dorival Jr fez. Um leitor comentou no site que, ciente da derrota, poupou Cueva e Pratto para o jogo de domingo. Até me fez refletir sobre a tese. Mas depois, ouvindo a entrevista de Dorival, ele disse exatamente o contrário. Falou que tentou algo novo e não deu certo.
Mas como daria certo, cara pálida? Você tem um time limitadíssimo, que depende de jogadas individuais de atletas como Hernanes, Cueva e Pratto. Aí você tira dois deles, deixa o time sem um atacante de meio de área e bom cabeceador, para tentar jogadas aéreas, e fica com dois – Marcos Guilherme e Thomas -, correndo de um lado para o outro, confundido a zaga adversária. Pratto não estava bem, é certo, mas não poderia sair. Cueva estava crescendo no jogo. Mas parece que o técnico não viu isso. Marcos Guilherme era figura nula, mas continuou em campo. Então concluo: ou eu não entendo absolutamente nada de futebol ou Dorival fez bobagens.
Outra coisa: que uniforme horrível. E isso culpo os conselheiros, em sua imensa maioria, que aprovaram esse terceiro uniforme. E não me venham falar que sou saudosista, conservador e outras coisas mais. A camisa é feia demais. Já tinha falado isso quando ela foi apresentada e no primeiro jogo em que foi utilizada.
Mas vamos lá: a camisa preta ainda vai. Faz parte de nossas cores. Só que com calão e meias grenás, parecia o arremedo do uniforme do Juventus. Aliás, o time da Moóca tem um uniforme muito bonito. Além do mais, não temos grená nas nossas cores. Não é possível querer o grená passar por vermelho. Só se for para daltônicos. Então “parabéns” aos conselheiros por ter descaracterizado o São Paulo. Talvez eu possa fazer uma leitura disso: é para que, se for rebaixado, haja um disfarce e não pareça ser o São Paulo.
Agora volto à política. Pelos números que recebi, 12 pessoas, entre conselheiros e diretores, foram para o Rio de Janeiro. É uma prática antiga, que vem de antes de Juvenal Juvêncio. Recebi diversas fotos que alguns tiraram em pontos turísticos do Rio de Janeiro. Aqui vi dois problemas: alguns conselheiros, em suas redes de WhatsApp – volto a dizer que tenho acesso ao que se fala nessas redes por cinco fontes diferentes – detonaram os que foram e o presidente Leco, que os mandou.
Não vou pegar pesado com Leco pois, como eu disse, isso é prática comum no São Paulo. É mais ou menos como a política nacional. Imputaram ao PT a organização da corrupção no Brasil. E eu sempre disse que não foi o PT quem criou a corrupção, pois quando Pedro Álvares Cabral chegou aqui em 1500, ele e os portugueses já corromperam os índios para “pegarem” as índias. O PT aprimorou e exagerou o ato de corromper. E deixo claro que ao fazer a comparação a faço por mera metáfora, pois em hipótese alguma posso associar corrupção à gestão de Leco.
O que não pode é conselheira, caso da Marcela Gatti, ficar fazendo check in em rede social, no Hotel Hilton Copacabana, com a frase: “vida muito difícil”. Sim, devia estar difícil mesmo, às custas do São Paulo. Desnecessária essa publicação. Mas deu abertura para que eu cobre diretamente todos, eu disse TODOS os conselheiros: quero ver se na próxima reunião alguém vai pedir para verificar as contas dessa viagem ou vão ficar como sacrossantos, aplaudindo de pé Vinicius Pinotti quando for falar sobre futebol e se resignando, como cordeiros, às ordens dos seus líderes.
Infelizmente, enquanto nós, torcedores e responsáveis por publicações – me incluo nos dois casos – tentamos blindar o time das questões políticas e abraçá-lo para sair de vez dessa situação que nos encontramos, muitos conselheiros do clube, que só pensam em si acima de tudo, continuam transformando num inferno a vida no São Paulo.