Sobre a recente entrevista de Julio Casares à ESPN, deixo aqui meus comentários:
O problema é que as ações da diretoria estão desalinhadas com o discurso.
O discurso está correto, prega o equilíbrio, mas em 2021 o Clube gerou R$ 106 milhões de déficit.
Casares veio a público há algum tempo para anunciar um superávit de R$ 79 milhões e uma redução do endividamento líquido em R$ 100 milhões. Acredito que os números sejam precisos. Ele omitiu, entretanto, que nesse resultado já estão computadas as receitas de mecanismos de solidariedade de Antony e Casimiro, e a “mais valia do Antony”. Essas duas transferências renderam ao SPFC algo próximo a R$ 105 milhões, e são consequência de circunstâncias favoráveis, não de alguma ação efetiva dos dirigentes.
O presidente se vangloria de ter afastado os oficiais de justiça de sua porta, e de ter “limpado o nome” do Clube na FIFA. Ele esquece de dizer, entretanto, que essas quitações de dívidas foram feitas tomando novos empréstimos bancários. A ação foi correta, e imprescindível, mas a divulgação e promoção do feito, exagerada.
Agora ele aprendeu a responder sobre a SAF, e usa novamente o conceito correto. Vejam a conclusão do artigo que publiquei em 31/07/2020:
“A simples criação de uma Sociedade Anônima do Futebol do São Paulo FC não fará surgir investidores dispostos a arriscar seus recursos comprando ações de uma empresa iniciante, desmembrada a partir de um clube que vem apresentando grandes prejuízos. No caso específico do SPFC existe a necessidade de se sanear as finanças do clube, antes de se prosseguir com as discussões relativas à criação de uma SAF. Uma S.A. do futebol criada hoje estaria baseada em fundamentos muito pobres, e portanto a nova empresa já começaria muito depreciada. Iniciar agora uma SAF seria uma forma de vender muito barato nosso patrimônio, tangível e intangível.
Flavio Marques 31/07/2020”
Enquanto Casares repete o discurso da austeridade, gasta R$ 13 milhões para trazer Orejuela, contrata Galoppo a peso de ouro, anunciando que um “investidor” iria bancar esse reforço, contrata jogadores caros e que pouco renderam como William e Éder.
O SPFC parou de publicar os resultados parciais, bimestrais, que fazia até outubro de 2021. Apenas os Conselheiros têm acesso a esses relatórios, e nada podem comentar. Não é possível fazer uma análise precisa sobre o que acontece hoje no SPFC.
Observando como simples torcedor que sou, e sem acesso a qualquer informação, senão o que é publicado na imprensa, vejo semelhança entre o SPFC de hoje como o navio que recentemente abalroou a Ponte Rio Niteroi. Um grande patrimônio, mas que, à deriva, foi conduzido pelos ventos ao desastre.
Os ventos que conduzem o SPFC hoje são a necessidade de “mostrar serviço”, fazendo contratações “de impacto” em busca de títulos pouco prováveis.
Pobre São Paulo!
Caro Flávio, concordo com tudo. Menos com o navio. O nosso é aquele cruzeiro italiano Costa Concordia que naufragou por conta do erro do capitão.
Só para lembrar… Qual é a profissão do Presidente? Acertou quem respondeu “publicitário” e marqueteiro! Então, não dá para esperar nada diferente desse dircurso. A pintura que ele faz do céu será sempre azul, sem nenhuma nuvem e mais, sem nenhuma perspectiva da existência de cumulus nimbus… Muito azul! Então vamos sorrir e aplaudir o seu “sucesso”. Ocorre, tgodavia, que entre esse azul pincelado por ele e a realidade tricolor cá da terra, existe muitas coisas e fatos significantes que, certamente, não são e não serão abordados por ele. O resultado financeiro só não foi catastrófico porque a árvore plantada lá atrás, ainda na antiga estrutura de Cotia, mesmo estando velha e defasada, ainda produziu bons frutos. Contudo, essa árvore está em fase final de produção e essa “sorte” com certeza não será repetida tão cedo. Aí que reside a expecativa negativa… Sem a entrada desses recursos, o déficit de caixa seria ainda maior. Portanto, ou se enfrenta já essa dura realidade, “avisando” a torcida que serão passaremos pelos sete anos bíblicos de peste e de pobreza, ou se optar pelo contrário, o caminho da insolvência será encurtado e não restará nenhuma outra alternativa, se não a de transformar o time de futebol numa SAF, e talvez, seguir o exemplo do tradicional Belenenses, autualmente na 2a. divisão do campeonato português, e metido numa longa pendenga judicial com a empresa que “arrendou” o futebol daquele clube.
O presidente pintando um céu azul. Muito azul.
Com vista do Cruzeiro do Sul.
Seguindo as estrelas e o caminho do extinto Cruzeiro Esporte Clube.