Mancini confirma áudio vazado e dá versão sobre saída do São Paulo

Vagner Mancini, ex-coordenador técnico do São Paulo, confirmou a veracidade do áudio vazado neste sábado, no qual ele diz que deixou o clube após ter sido prometido a ele a efetivação no cargo de treinador e citando que a contratação de Fernando Diniz foi um pedido de Daniel Alves.

Em contato com a reportagem do Globo Esporte, Vagner Mancini deu a sua versão do caso (de que se sentiu “desprestigiado” por ter visto jogadores pedindo a contratação de Fernando Diniz) e rebateu a posição do São Paulo, que sustenta que nunca foi prometido a ele a efetivação como treinador e que a contratação de Fernando Diniz não se deu por conta de um pedido de Daniel Alves.

– Eu seria o treinador. Deixei à vontade para eles trazerem outro treinador. A opção por mim tinha sido por eu conhecer esses jogadores, por eu ter ido bem no Paulista. Eles ainda falaram: “Você aceita o cargo?” E eu falei que se todos estavam à vontade, se a diretoria estava de acordo, eu aceitava – afirmou Mancini, em contato por telefone com a reportagem.

– O convite foi feito por tempo indeterminado. Eles até pediram para o meu procurador, Fabio Mello, ir para o clube. Eu falei até que levaria o meu auxiliar e meu analista, e deram o aval. Se fosse para só o jogo contra o Flamengo, porque eu levaria um analista e um auxiliar? – acrescentou Mancini.

Vale lembrar que, em janeiro, ao assumir o cargo de coordenador técnico, Vagner Mancini disse que não assumiria como treinador efetivo em “qualquer hipótese”.

Vagner Mancini se demitiu do cargo de coordenador técnico do São Paulo e teve áudio vazado neste sábado — Foto: Ale Frata/Estadão Conteúdo

Vagner Mancini se demitiu do cargo de coordenador técnico do São Paulo e teve áudio vazado neste sábado — Foto: Ale Frata/Estadão Conteúdo

Os bastidores do caso

O Globo Esporte apurou que, na tarde de quinta-feira, logo depois de Cuca pedir demissão, houve a conversa de Mancini com a cúpula da diretoria de futebol do São Paulo no CT, e na sequência o então coordenador foi para o campo acompanhar o treino mediado pelo preparador físico Pedro Campos. Logo após a atividade, Mancini viu uma conversa de jogadores com membros da diretoria. Ao ser chamado, Mancini foi informado de que Fernando Diniz era um nome que estava em pauta. O clube admite que os jogadores foram consultados – o próprio Raí, executivo de futebol, disse isso em entrevista coletiva na sexta.

– Eles ainda estavam pensando a respeito, mas estavam inclinados a contratar o Diniz. Era um direito deles. As coisas não foram conduzidas da melhor forma, a comunicação não foi boa e eu preferi sair do clube e deixar o clube contratar quem ele quisesse – disse Mancini.

– Não estamos brigando por quem está certo ou errado. Insistiram para eu continuar como coordenador, mas eu não teria mais clima. A partir que dois ou três foram pedir a vinda de outro profissional, eu me senti desprestigiado. Não houve frustração, mas me senti constrangido.
Daniel Alves e Hernanes conversam com Fernando Diniz em treino do São Paulo; novo técnico chegou ao clube com aval dos jogadores — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Daniel Alves e Hernanes conversam com Fernando Diniz em treino do São Paulo; novo técnico chegou ao clube com aval dos jogadores — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Influência de Daniel Alves

Um dos jogadores que pediram a contratação de Fernando Diniz foi Daniel Alves. Além dele, Hernanes e Pablo foram consultados pela diretoria. Raí, em entrevista coletiva, chegou a citar esse contato com os atletas.

– Soube que ele (Daniel Alves) era um deles. Eu não estava na sala e no momento da conversa, eu estava no campo. Eu não posso afirmar nada, mas eu sei que um deles é o Daniel Alves. Eu não tenho nada contra ele, muito pelo contrário. Ele tem o direito de ter a opinião dele. Eu ouvi da diretoria que foi o Daniel Alves que foi quem pediu o Diniz – disse Mancini.

Contratado no início do ano para ser o coordenador técnico do São Paulo, Vagner Mancini deixou o clube após nove meses no cargo. Como interino no Campeonato Paulista, ele fez nove jogos, acumulando três vitórias duas derrotas e dois empates.

– Eu não fiquei incomodado, não fiquei frustrado. Fiquei nove meses no clube e fui leal ao Jardine, ao Cuca, e não tem razão que não seja. Sou amigo do Diniz e não teria problema algum, eu como coordenador, trabalhar com Fernando Diniz, que é um amigo que tenho na vida, inclusive me chama de padrinho. Ali eu não podia ficar, não tem nada a ver com o Diniz, eu não podia ficar em um ambiente que alguém toma outra decisão depois que ela já tinha sido tomada – disse Mancini.

O ex-coordenador técnico afirmou que o clima dele no clube era bom e nunca teve nenhum problema com os atletas.

– Um grande número de jogadores e funcionários me mandaram mensagem. Isso me confortou.

A cronologia dos fatos:

  • Logo após a demissão de Cuca, na tarde de quinta, Vagner Mancini é chamado para uma reunião com a diretoria para alinhar alguns pontos. O então coordenador técnico é convidado a dirigir a equipe contra o Flamengo. Mancini aceita.
  • Mancini acompanha o treino na tarde de quinta-feira. Enquanto isso, a diretoria estuda outros nomes, como o de Fernando Diniz;
  • Logo após o treino, Mancini é chamado e informado de que jogadores haviam sido consultados sobre Diniz;
  • Incomodado pelo fato de os jogadores terem sido procurados (e se manifestado a favor de Diniz) e pelo constrangimento pela falta de comunicação do clube com o caso, Mancini pede demissão. Ele divulga nota sobre sua saída menos de uma hora depois do anúncio da contratação de Fernando Diniz;
  • Fernando Diniz é apresentado na manhã de sexta, ao lado de Raí, que admite, em entrevista, que os jogadores foram ouvidos a respeito do novo treinador. Na ocasião, Raí elogia Mancini e se diz “surpreso” pelo pedido de demissão;
  • Na manhã deste sábado, áudio de Mancini relatando a influência de Daniel Alves na contratação de Fernando Diniz ganha as redes sociais;
  • Em entrevista, Mancini confirma o que diz no áudio vazado, relatando que o convite da diretoria era para que assumisse como técnico efetivo;
  • Procurado, o São Paulo nega ter feito tal convite a Mancini e a influência de Daniel Alves na contratação de Fernando Diniz.

Fonte: Globo Esporte

5 comentários em “Mancini confirma áudio vazado e dá versão sobre saída do São Paulo

  1. Não sei o que há de ruim no fato do Dani Alves sugerir um técnico, afinal, quem contrata é a diretoria… e acho válido a opinião de um multi campeão e extremo profissional… o negócio é o seguinte… esse Mancini abandonou o barco antes que fosse escancarada a sua incompetência, tal qual a diretoria…
    Este Sr. está falando por seu orifício corrugado, pois ao chegar no São Paulo e mesmo pouco antes da chegada do Cuca (quando dirigiu o time) deixou bem claro que havia chegado ao São Paulo para funções administrativas… e que já havia recusado ofertas para voltar a ser técnico… e agora quer fazer carnaval, pois queria estar a frente do time… fraco como profissional em duas frentes… tanto como coordenador de futebol e também como técnico… já vai tarde… quer criar polêmica onde não existe… agora só falta sair o Leco e seus diretores… aí sim, voltaremos a ser um time sério

  2. Complicado o Mancini. Ele disse várias vezes que não queria o cargo de técnico, disse até não existia a possibilidade de assumir se não fosse temporariamente. Depois sai dizendo que foi traído porque lhe prometeram o cargo? Então ele estava secando o Cuca?

  3. Da história toda fico perguntando o tamanho do rabo preso do Leco/Raí com esse moleque do Alexandre Pássaro?

    O cara está no SPFC desde o tempo do Adalberto Batista se não estou enganado.

    Do Mancini, sempre foi estranha desde sua chegada, sua ligação com o empresário Fábio Melo, a contratação do Willian Faria, de ter se colocado como técnico pra 2020 e principalmente, usar de forma sórdida liberar o áudio que não é a primeira vez que faz, resultado, jogou o Daniel Alves contra a torcida, contra a imprensa em dia de jogo tão importante e de quebra pode prejudicar a carreira do Diniz que está iniciando. Belo caráter

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