Liziero contrasta ascensão meteórica com azar em decisões

O ano nem chegou na metade e o clima no São Paulo já ferve. Mais uma temporada em que os insucessos e as decepções se acumulam em um curto espaço de tempo. A tensão diária no clube em função do jejum de títulos e dos fracassos diante de seus maiores rivais têm refletido em impaciência e reformulações que se atropelam com o objetivo de encontrar um rumo.

Em meio a esse turbilhão, o clube e a atual comissão técnica têm um desafio peculiar: proteger e dar suporte a uma das principais promessas das categorias de base de Cotia dos últimos anos.

Igor Matheus Liziero Pereira, mais conhecido apenas pelo terceiro nome que ostenta, sofreu um choque em sua rotina de forma brusca, como só o futebol é capaz de proporcionar.

O garoto de 20 anos passou os últimos oito anos de sua vida sendo lapidado no tricolor e, apesar da expectativa alta criada em torno de seu potencial, até o fim de fevereiro Liziero ainda era praticamente um anônimo para o público em geral.

Dia 9 de março, o versátil jogador canhoto foi chamado para integrar o elenco profissional, no CT da Barra Funda. Dois dias depois lá estava ele em campo, no Morumbi, para estrear na vitória por 3 a 1 sobre o Red Bull Brasil.

Desde então, Liziero sofreu com experiências que requerem uma maturidade e uma personalidade que talvez um jovem como ele ainda não tenha tido tempo de adquirir.

A perda do pênalti que garantiu o Corinthians na final do Paulista ainda é o baque mais forte da carreira de Liziero (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Liziera viveu o céu quando foi titular na vitória do São Paulo por 1 a 0 sobre o Corinthians, pelo confronto de ida das semifinais do Campeonato Paulista. Após o triunfo, o volante destacou a emoção de ter atuado pela primeira vez para um público tão elevado (42.830 pessoas).

Uma semana depois, no entanto, Liziero encarou o mesmo Corinthians, mas em Itaquera, onde o Tricolor nunca havia vencido. Um dos pilares da retranca são-paulina naquela noite de quarta-feira, a aposta de Diego Aguirre teve de absorver o forte baque pelo gol de Rodriguinho, aos 47 minutos do segundo tempo. O São Paulo estava a dois minutos de ir à final e, de repente, se deparou com a disputa por pênaltis.

Na marca da cal, depois de um empate nas cinco primeiras cobranças, Liziero assumiu a responsabilidade pela batida, mas viu sua bola parar nas mãos de Cássio antes de tocar a trave e sair mansamente.

Como era de se esperar, Liziero sentiu o impacto daquela frustração, talvez mais do que qualquer outro jogador do elenco são-paulino. O dias posteriores foram de apoio, conversas e até respaldo dos torcedores.

Aguirre manteve Liziero no time, poupando-o apenas no duelo contra o Paraná Clube, quando outros titulares também receberam descanso. A estratégia visava outra decisão importante no semestre: o duelo de volta contra o Atlético-PR, pelo ideal de avançar às oitavas de final da Copa do Brasil, torneio que o São Paulo nunca conseguiu erguer a taça em sua gloriosa história.

Em desvantagem pelo revés em Curitiba (2 a 1), o São Paulo partiu para a pressão inicial e foi premiado com dois gols em 35 minutos de jogo. O jogo tinha cara e aspecto de redenção.

Mas, pouco antes do intervalo, Liziero acabou mais uma vez sendo protagonista de um lance crucial. Enganado pela finta de Camacho, o volante tricolor acabou tocando involuntariamente com o braço na bola dentro da área, enquanto escorregava pelo gramado.

Pênalti, gol de Guilherme e um balde de água fria no ímpeto do São Paulo. A partir disso, o time se perdeu em campo, esbarrou no nervosismo e na falta de concentração. Sofreu mais um gol em casa e amargou outra eliminação frustrante.

Liziero, pensativo e abatido, após a eliminação do São Paulo na Copa do Brasil em pleno Morumbi (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Diego Aguirre admitiu que a equipe não soube reagir psicologicamente depois da penalidade cometida por Liziero. Mas, novamente todos refutaram apontar qualquer peso a mais sob os ombros do jovem pela segunda eliminação em menos de um mês.

Assim, antes mesmo de completar dois meses como jogador profissional do São Paulo, Liziero já foi chamado de “azarado” por alguns torcedores nas redes sociais. O lado bom disso tudo é que até os que observam a falta de sorte do volante ainda mostram paciência e boa expectativa pelo futebol do jogador.

Liziero tem a confiança das arquibancadas, da comissão técnica e de seus companheiros. O que ainda falta é experiência, que só chegará com o tempo. Personalidade e cabeça boa serão fundamentais para que o talento não seja consumido pelas primeiras decepções que o futebol lhe trouxe. O mesmo futebol que também alavancou sua vida em tão pouco tempo.

Nos bastidores, os dirigentes do São Paulo tentam o quanto antes acertar uma renovação contratual com o atleta, que já tem o salário considerado defasado e até inseguro perante ao assédio de outras equipes. Por ora, o vínculo é válido até fevereiro de 2020. Um reajuste e um acréscimo considerável da multa rescisória pode ser encarado por Liziero como um voto de confiança e estimulo para que ele supere os fracassos e vislumbre mais sorte na carreira.

 

Fonte: Gazeta Esportiva

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