Sem construtora, entenda o que falta para reforma do Morumbi sair do papel

Depois de muitas discussões, boicote a votação e saída da construtora Andrade Gutiérrez das obras, a novela da cobertura do Morumbi dá alguns passos em direção ao final. A comissão formada pela oposição do São Paulo para estudar o projeto já liberou para votação as partes financeira e jurídica – falta analisar a engenharia, o que deve ocorrer na próxima semana.

Segundo o assessor da presidência do São Paulo, José Francisco Manssur, a Andrade Gutiérrez, ao sair do negócio – a construtora citou a turbulência política do clube como razão – deixou uma lista com cerca de 40 documentos relativos ao projeto das obras. Destes, três foram solicitados para uma análise mais profunda pelos oposicionistas.

Os projetos solicitados foram feitos por uma empresa portuguesa, encomendados pela ex-parceira. O próprio Manssur afirma que já os tem em mãos, e aguarda o agendamento de uma data pela comissão da oposição para entrega-los.

Os documentos serão analisados pelos dois principais engenheiros que compõe a comissão: Luiz Cholfe e Eduardo Alfano Vieira. Ambos são velhos conhecidos de Juvenal Juvêncio, ex-aliados que migraram para o grupo rival. Cholfe foi consultor das obras de instalação de amortecedores no Morumbi, e Alfano ocupou a vice-presidência de marketing durante o primeiro mandato de Juvenal.

As principais preocupações dos partidários do candidato à presidência Kalil Rocha Abdalla são quanto à durabilidade das novas estruturas, já que a cobertura é móvel, e a busca de garantias de que a execução seguirá à risca o projeto, caso venha a ser aprovado.

Enquanto a oposição finaliza a análise técnica, a diretoria são paulina trabalha em duas frentes: acelerar o processo e fixar uma nova data para votação, e encontrar uma nova construtora para assumir os trabalhos após a saída do parceiro.

A data para a nova votação ainda está indefinida. O candidato situacionista, Carlos Miguel Aidar, sugere que seja no mesmo dia das eleições presidenciais – a medida garantiria o quórum mínimo de 75% do Conselho Deliberativo, e impediria novo boicote. A definição virá em uma reunião entre Aidar, Juvenal Juvêncio e o presidente do conselho, José Carlos Ferreira Alves, após o carnaval.

A adoção do plano de Aidar pode acirrar os ânimos e criar novo racha entre situação e oposição. Os oposicionistas são extremamente contrários à pressa em aprovar o projeto, e ao mesmo tempo em que prometem não colocar obstáculos à votação após um parecer de sua comissão, irão reagir a qualquer tentativa de forçar o pleito antes que a análise esteja concluída.

O São Paulo afirma manter diálogo com cerca de dez construtoras – dentre elas está a WTorre, responsável pelo estádio do Palmeiras. O UOL Esporte apurou, entretanto, que a parceira do rival não está entre as favoritas para assumir o projeto do Morumbi.

As obras de modernização do Morumbi incluem a construção de uma cobertura para o estádio e de uma arena de eventos, para 28 mil pessoas, anexa ao estádio. A XYZ Live, que vai operar a arena de shows no novo projeto, a Lacan Investimentos, e a Multipark, responsável pelos estacionamentos, fazem parte no acordo. O projeto de R$ 450 milhões seria financiado pelo BTG Pactual, e bancado por meio de investidores, que poderão explorar arena e estacionamentos durante 20 anos – o projeto prevê que receitas das duas origens, além da cessão do setor amarelo do estádio, compensarão os investidores.

 

Fonte: Uol

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