Quem será nosso próximo presidente?

Após ano decepcionante para seus torcedores, o São Paulo já se planeja para 2014. Nesta temporada, o time do Morumbi não faturou títulos, lutou contra o rebaixamento na maior parte do Campeonato Brasileiro e, na última semana, foi eliminado pela Ponte Preta na Copa Sul-Americana. O planejamento para a próxima temporada precisa levar em conta um evento importante: a eleição presidencial do clube, marcada para abril. De um lado está Carlos Miguel Aidar, apoiado pelo atual presidente, Juvenal Juvêncio, que administra o clube há sete anos; do outro está o oposicionista Kalil Rocha Abdalla, que tem o apoio do vereador e ex-supervisor de futebol Marco Aurélio Cunha. Os dois candidatos receberam a reportagem e concederam entrevistas exclusivas, respondendo às mesmas perguntas. Ambos comentaram seus planos para o estádio de Morumbi, Centro de Formação de Atletas (em Cotia) e relacionamento com outras federações e clubes.

Carlos Miguel Aidar

Aidar: “Paulista com 20 clubes e jogos desinteressantes” - Foto: DivulgaçãiEscolhido por Juvenal Juvêncio para disputar sua sucessão pelo grupo governista, Carlos Miguel Aidar é velho conhecido dos são-paulinos. Advogado e proprietário do escritório Aidar SBZ, é filho de Henri Aidar, que presidiu o São Paulo entre 1971 e 1978. O candidato foi associado ao clube do Morumbi antes mesmo de ser registrado como cidadão brasileiro, em 1946. Assim como o pai, Carlos Miguel presidiu o clube do Morumbi entre 1984 e 1988, em dois mandatos consecutivos. Foi um dos responsáveis pela montagem do time conhecido como “menudos do Morumbi”, criou do Clube dos 13 e, embora tenha se distanciado do time por conta de sua vida profissional, sempre representou o São Paulo em processos considerados complexos na Justiça.

O Morumbi é uma das principais fontes de renda do clube, com cerca de R$ 40 milhões por ano. Há, porém, projeto para cobertura e construção de arena de shows no valor de R$ 408 milhões, a ser aprovado no dia 17 pelo conselho. Para isso, o estádio terá de ficar fechado por oito meses. Essa obra é prioritária? É possível realizá-la sem comprometer o clube financeiramente?

É uma obra prioritária e absolutamente necessária. Não diria que tanto pela cobertura, mas pela arena. Não existirá no Brasil um local como esse, confortável, com capacidade para 25 mil pessoas e ar-condicionado, sem que seja necessário utilizar o campo. Procurei o Juvenal, percorri o estádio para entender o que era e busquei informações, pois todo esse processo vai “sobrar” para mim. Serão construídos também dois prédios para estacionamento, com 2 mil vagas. Um fundo de investimento vai captar no mercado R$ 408 milhões e a obra só começa quando esse montante estiver disponível. Há contratos assinados com a empresa que vai explorar comercialmente a arena e com a que vai cuidar dos estacionamentos, com cessão de uso por 20 anos. Vai haver queda de receita, mas vamos economizar onde for necessário e fazê-la. Isso, claro, não vai impactar em contratação de jogadores.

Quais são seus planos para o CFA Laudo Natel, em Cotia?

Quero transformá-lo em unidade independente de negócios. Então, o São Paulo terá prioridade, mas caso não precise desse ou daquele jogador, vamos vendê-lo ou emprestá-lo para outro clube do Brasil ou de qualquer parte do mundo, sem nenhum problema. Para isso, o CFA vai ser transformado em empresa autônoma, com gestão independente e profissional, claro, pertencente ao São Paulo.

No mandato de Juvenal Juvêncio, o clube entrou em rota de colisão com a CBF, FPF e outros clubes. Como o senhor pretende se relacionar com essas instituições?

O futuro presidente da CBF se chama Marco Polo Del Nero (atual presidente da FPF), com quem tenho relação próxima, inclusive advogo para a Federação Paulista em casos especiais. Com o Reinaldo Carneiro Bastos, futuro presidente da FPF, também tenho ótimo relacionamento. Porém, se em algum momento o interesse do São Paulo for desrespeitado, vou brigar, mesmo que tenha de deixar de advogar para a federação. Em todos os conflitos, o Juvenal teve razão, mas talvez tenha pecado na estratégia, embora seja simples analisar depois do fato ocorrido.

Rogério Ceni, que pode se aposentar neste ano, demonstrou interesse em continuar no clube, talvez como integrante da diretoria. Como o senhor planeja a relação do clube com ex-jogadores e ídolos?

Quando fui presidente, em 1987, realizei uma festa em homenagem aos 30 anos da conquista do Campeonato Paulista de 1957. Recebemos jogadores, parentes e, na época, disse uma frase que nos marcou: “quem não tem história para contar não viveu”. Mitos e ídolos são importantes. Por exemplo, meu maior ídolo é meu pai. Na administração, caso esses ex-atletas tenham como contribuir, recebo isso prazerosamente. No entanto, não basta ser um ex-jogador. É necessário ter condições técnicas de assumir algum cargo.

Se o senhor for eleito, o Movimento Bom Senso FC (organizado por jogadores que reivindicam melhores condições para exercer a profissão no Brasil) pode contar com apoio do São Paulo?

Com certeza. É preciso mudar o calendário. Vamos começar novamente um Campeonato Paulista com 20 clubes e jogos desinteressantes. Por exemplo, poderíamos colocar os times grandes numa fase à frente, diminuir o número de clubes da primeira divisão do Paulista e do Brasileiro. Vamos formar uma liga de futebol, independente, que incentive o clube hoje pequeno a crescer. Esse movimento precisa ir até o fim unido com os clubes e chegar ao ponto de parar o futebol brasileiro, se for preciso. Você derruba a direção da CBF e de federações dessa maneira. Não quero jogar “lenha na fogueira”, mas a causa é mais que justa, é necessária. É um absurdo o número de jogos dos grandes clubes.

Kalil Rocha Abdalla

Abdalla não quer ser rotulado como de oposição - Foto: DivulgaçãoCurador da Santa Casa de São Paulo, Kalil Rocha Abdalla administra hoje orçamento de mais de R$ 1 bilhão. Sócio do Tricolor desde 1951, foi diretor jurídico nos dois mandatos de seu adversário, Carlos Miguel Aidar, de 1984 a 1988, e desde a vitória do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa até o início deste ano ocupou o mesmo cargo. Só se desligou para concorrer à presidência do clube. Na última semana, Abdalla foi condecorado com o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Advogado de formação, Abdalla tem passagem pela Federação Paulista de Futebol (FPF), além de ter participado de momentos marcantes da história do Tricolor, como a compra do CFA de Cotia. Abdalla não quer ser intitulado como “de oposição”.

O Morumbi é uma das principais fontes de renda do clube, com cerca de R$ 40 milhões por ano. Há, porém, projeto para cobertura e construção de arena de shows no valor de R$ 408 milhões, a ser aprovado no dia 17 pelo conselho. Para isso, o estádio terá de ficar fechado por oito meses. Essa obra é prioritária? É possível realizá-la sem comprometer o clube financeiramente?

É preciso separar essa pergunta em duas partes. Na parte social, o clube está muito bem. O Juvenal foi um grande presidente, embora tenha se esquecido da hora de sair. No que diz respeito ao estádio do Morumbi, não tenho os dados sobre o tempo de fechamento. Toda melhora exige sacrifícios. O estacionamento para o Morumbi é uma questão complexa, pois é necessário pensar que, fora da área do estádio e do clube, há terrenos da prefeitura. Quando eu assumir, no dia seguinte a obra do estacionamento no clube será iniciada. Sobre a cobertura, se os trabalhos estiverem em andamento, serão tocados normalmente. Do contrário, vou iniciá-los.

Quais são seus planos para o CFA Laudo Natel, em Cotia?

Esse é o melhor centro de treinamento que já vi em todo o mundo. A área foi adquirida na gestão do Marcelo Portugal Gouvêa. No local, funcionava um haras de cavalos ingleses. Eu vi o CFA nascer. O vendedor da área tinha alguns débitos, procuramos um banco, que nos ofereceu um financiamento.

Lá, pretendo manter o centro de treinamento com foco no aprendizado de novos jogadores. Minha pretensão em Cotia não é de ganhar títulos, mas sim formar atletas. Quero também um treinador de ponta trabalhando lá. Haverá um diretor especializado no CFA com relação direta ao nosso superintendente de futebol, que já sei quem será, mas prefiro não revelar seu nome.

Rogério Ceni, que pode se aposentar neste ano, demonstrou interesse em continuar no clube, talvez como integrante da diretoria. Como o senhor planeja a relação do clube com ex-jogadores e ídolos?

O clube tinha a tradição de realizar festa para ex-atletas anualmente, o que foi paralisado e pretendo voltar a fazer. A imprensa também será tratada de maneira muito cordial comigo. Não fujo de entrevistas e estou à disposição. Os ex-jogadores serão recebidos com carinho. Constantemente fico sabendo de rumores em outros clubes, de ex-jogadores barrados no estádio. Isso é inadmissível.

Aqui na Santa Casa, de onde sou provedor, recebemos muito bem alguns ex-jogadores, sejam do São Paulo ou não. Recentemente, recebemos o ex-atleta Teodoro, que infelizmente morreu, mas foi tratado com todo respeito e dignidade. Na última quarta-feira, Pedro Rocha teve alta daqui e foi transferido para um hospital geriátrico no Jaçanã (zona norte da Capital), que também é administrado por nós, aprovado por sua esposa. Enfim, levaremos esse estilo de administração para o São Paulo.

Se o senhor for eleito, o Movimento Bom Senso FC (organizado por jogadores que reivindicam melhores condições para exercer a profissão no Brasil) pode contar com apoio do São Paulo?

Não conheço a fundo esse movimento, apenas pela imprensa. Por exemplo, a questão das férias é algo de legislação e os clubes e federações deveriam seguir isso sem a necessidade de um grupo como esse. Temos de trabalhar com o que existe hoje, ou seja, a FPF e a CBF. Sou amigo do Marco Polo Del Nero, também do José Maria Marin (presidente da CBF) e tenho trânsito aberto com quase todos os presidentes de agremiações. Vamos discutir o que tiver de ser discutido com a realidade atual.

No mandato de Juvenal Juvêncio, o clube entrou em rota de colisão com a CBF, FPF e outros clubes. Como o senhor pretende se relacionar com essas instituições?

Faço uma festa com todos eles no meu primeiro dia de mandato (risos). Precisamos manter cordialidade com os outros clubes. Pesa muito o fato também de, por exemplo, eu ter sido colega de ginásio do presidente licenciado do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, do presidente do Palmeiras, Paulo Nobre – que, sem patrocínio máster em sua camisa, jogou duas partidas com o logotipo “Santa Causa”. Não teremos nenhuma dificuldade de relacionamento, esse é meu estilo.

 

Fonte: Diário Regional

2 comentários em “Quem será nosso próximo presidente?

  1. sou são paulino dez k eu nasci nunca vi meu time de coração tão ruim desse jeito fabuloso sem vontade de jogar time sem tesão hoje da vergonha de ver meu tricolor do coração fingir k/ joga futebol onde anda aquele tricolor k/me dava tanta alegria de ver jogar aquele futebol alegre
    tantos títulos k/com o juju deixamos de ganhar

  2. Queremos jogador com a grife do TRIMUNDIAL.
    Nao importa quem seja o mandachuva, ou melhor o ditador de plantao.
    Queremos a continuidade de ter sempre bons para otimos
    jogadores no time, alem de serem homens cumpridores de seus deveres
    e obrigacoes, como sempre foi na maioria das vezes, que honrem
    nossas origens.
    Mas hoje nem esses politicos de plantao dao o exemplo a ser seguido
    como em outros tempos.
    Se continuarmos com esse pensamento atual, no proximo ano
    sera nossa vez. Nao e possivel um time como o nosso
    contratar so jogadores de segunda e sempre vender os que se destacam
    por milhoes. Alem de hoje sermos refem desse pipokkkero onde gastaram
    um montao e ………………………… tai o resultado, outro lucio da vida.

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