Preso há 17 meses, Breno diz que pode ‘ser o mesmo de antigamente’ no SP

Depois de passar 13 meses preso em regime fechado, condenado por causar um incêndio em sua própria casa em Munique (Alemanha), Breno começou a reconstruir sua vida em agosto deste ano, quando passou ao semi-aberto na cadeia de Munique. Agora, tudo que ele quer é voltar a jogar futebol profissionalmente, algo que não faz há mais de um ano e meio.

Condições psicológicas para isso, segundo ele, não faltarão. Em entrevista ao UOL Esporte, o zagueiro de 24 anos afirmou que “não vê a hora” de poder voltar aos gramados. E promete fazer de tudo para “ser o Breno de antigamente”, quando fez ótima temporada no São Paulo em 2007 e foi vendido ao Bayern de Munique, onde hoje trabalha na loja oficial de segunda a sexta.

“Acho não, tenho certeza de que tenho condições. Estou contando os dias, não vejo a hora desse dia chegar. Se depender da minha vontade, serei sim o Breno de antigamente e retribuirei todo o carinho que a torcida do São Paulo tem demonstrado nesse momento de dificuldade da minha vida”, declarou.

Quando voltar a jogar, Breno já tem destino certo: o São Paulo, clube que o revelou e com o qual mantém contato frequente. No fim de 2012, as partes acertaram  um vínculo válido até 2015 e o clube paga uma pequena quantia mensal ao atleta. Segundo Alexandre Soares, empresário de Breno, o contrato é de produtividade.

O contrato tem várias cláusulas de produtividade. Quando ele retornar ao Brasil, muda. Quando começar a treinar, muda de novo. Quando jogar, outra mudança. O São Paulo primeiro quer recolocá-lo no futebol”, explicou o agente.

De acordo com Alexandre Soares, Breno voltará ao Brasil no máximo em agosto do ano que vem. Os advogados e representantes dele estão preparando um documento para antecipar este prazo – pode ser, então, que ele volte em meados de abril, para se preparar visando ao Brasileirão. O zagueiro, neste momento, não quer pensar em prazos.

“No momento eu só penso no meu futuro. Quero cumprir as minhas obrigações com a justiça alemã, para depois retomar a minha carreira e viver feliz no Brasil com a minha esposa e meus filhos. Sinto falta do contato e do convívio com as pessoas. O povo brasileiro é muito caloroso”, declarou.

Por conta das pendências com a justiça alemã, Breno, condenado a 3 anos e 9 meses de prisão, não pode comentar nada sobre o incidente que poderia ter acabado com sua carreira. No período em que ficou em regime fechado, via a esposa e filhos a cada 15 dias, durante uma hora. Dentro do presídio, tinha dois medos.

“O medo que tive foi de a minha família passar dificuldades e eu não poder fazer nada, além da incerteza de não saber quando iria sair da prisão e o que iria acontecer (no futuro)”.

O receio tem uma explicação. Quando atuava no Bayern, o zagueiro recebia um salário de aproximadamente R$ 300 mil. Sem trabalhar, os vencimentos, claro, foram cortados. Renata, sua esposa, passou a viver com uma ajuda de custo do São Paulo e com a renda do aluguel de um imóvel no Brasil – a soma dá aproximadamente R$ 9 mil. O luxo ficou de lado, e a família passou a ter um padrão de vida bem mais modesto.

“Rico no sentido financeiro não (era). Sou rico porque tenho uma família maravilhosa que me apoia. Quanto à situação financeira, realmente tivemos que nos adaptar à realidade. Foi uma redução muito significativa, porém nós conseguimos nos adaptar”, disse o atleta, que, diante de tudo o que passou, se vê um homem mais maduro.

“Eu sou o mesmo, porém tenho certeza que estou muito mais maduro. Tudo o que aconteceu na minha vida me fez rever alguns valores e hoje poder dizer que sou uma pessoa muito melhor”, finalizou.

Fonte: Uol

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