Por corrida na Europa, Adalberto nem vota em eleição são-paulina

Além de não se candidatar, Adalberto Baptista não votará na eleição do Conselho Deliberativo do São Paulo, neste sábado. O polêmico ex-diretor de futebol do clube, atualmente diretor secretário-geral, está em Estoril (Portugal), onde disputará – simultaneamente ao horário do pleito – a primeira etapa da temporada 2014 da Porsche Cup.

Coincidentemente, a prova automobilística foi um dos motivos de crítica em seu período à frente do futebol. Durante a Libertadores de 2013, torneio em que a equipe penou para avançar ao mata-mata, o dirigente não viajou com a delegação em um dos jogos na Bolívia para poder correr.

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Até a temporada passada, retrovisores de Adalberto levavam o símbolo do São Paulo (Crédito: Luca Bassani)

Trata-se de um hobby de Adalberto, que entrou definitivamente em 2008 para a categoria, da qual o irmão Ricardo é bicampeão (2007 e 2012). Em nove finais de semana do ano, os dois – e mais 20 pilotos – fazem treinos e corridas pelo Brasil e outros países. Neste ano, além de autódromos paulistas, paranaenses e da Europa, eles farão uma prova em asfalto argentino.

 

Mas não foi a diversão que afastou o são-paulino do futebol, e sim a pressão da torcida e sua relação conturbada com o elenco, em especial com o goleiro Rogério Ceni. Quando dirigia o futebol, Adalberto rebateu crítica do capitão do time e ídolo do clube (então com o pé direito recém-lesionado) questionando sua qualidade de reposição de bola. Uma semana mais tarde, após grande repercussão negativa, pediu demissão.

O dirigente sempre foi visto como bom negociador – foi quem conduziu, entre outras, as difíceis contratações do atacante Luis Fabiano (Sevilla, da Espanha) e do meia Paulo Henrique Ganso (Santos) -, mas tinha dificuldades de relacionamento não apenas com atletas. Ele não se entendia com o Emerson Leão, técnico entre 2011 e 2012, e foi ferrenho defensor de Ney Franco, comandante que não agradava à parte do elenco – parte que, não por acaso, Ceni integrava.

Menos de dois meses após ser fortemente pressionado e se desligar do comando do futebol, Adalberto ganhou uma sala a poucos metros daquela em que fica Juvenal Juvêncio, no Morumbi. Homem de confiança do presidente, tornou-se diretor secretário-geral do clube, cargo de caráter administrativo, no qual pôde ter mais descanso e até emagrecer muitos quilos. Esperava-se que, agora, ele fosse concorrer novamente a uma vaga no Conselho Deliberativo. Não foi assim.

Mais preocupado com questões profissionais particulares e também com seu hobby automobilístico, Adalberto não chegou a se afastar por completo da política são-paulina e fez até campanha em prol da chapa de situação, liderada por Carlos Miguel Aidar (candidato a suceder Juvenal), porém não quis entrar na disputa eleitoral para renovar sua cadeira de conselheiro. Ser apenas sócio, no entanto, não o impede de eventualmente ter um cargo como diretor na próxima gestão. O que o impede é que tanto Aidar quanto o oposicionista Kalil Rocha Abdalla não o querem a seu lado.

 

Fonte: Gazeta Esportiva

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