O São Paulo pós-Juvenal terá outra cara. Acabou a concentração de poder

Juvenal Juvêncio foi absolutista durante seus oito anos na presidência do São Paulo. Nos tempos modernos, não houve quem governou com tanto conforto quanto o atual presidente, que deixará a cadeira mais importante do clube no próximo dia 16. Fundamental para sua gestão foi a concentração de poder no conselho deliberativo: Juvenal construiu um conselho que pouco questionou e muito concordou, além de povoá-lo com enorme maioria favorável. Neste sábado, apesar do resultado na eleição de conselheiros que encaminhou a eleição de Carlos Miguel Aidar, da situação, o São Paulo soube que será outro após a saída de Juvenal. O conselho estará dividido e a gestão será instável.

Em 2011, Juvenal Juvêncio aprovou no conselho deliberativo uma reforma do estatuto que se baseava em nova interpretação e permitia a segunda reeleição. Conseguiu aprovação de 140 conselheiros, contra apenas 18 que se opuseram. O presidente não teve qualquer dificuldade para impor uma das mais significativas mudanças na história recente do clube. Isso não existirá na gestão Aidar. Agora, o conselho está dividido, a eleição será apertada e os próximos seis anos deverão ser de intenso debate.

Neste sábado, a chapa amarela, de situação, de Carlos Miguel Aidar, elegeu 49 conselheiros para as 80 vagas disponíveis. A oposição, vermelha, do candidato Kalil Rocha Abdalla e liderada por Marco Aurélio Cunha, elegeu 31 novos membros do conselho deliberativo. Nas contas após a eleição dos conselheiros, a situação falou em ter os votos de 78 vitalícios, contra 72 da oposição. Somados aos eleitos, preveem vitória de Aidar com resultado de 127 a 103 votos, com cinco ausentes por motivos de saúde.

As cerca de 100 vozes contra Aidar não serão suficientes para vencer a eleição, mas estarão no conselho deliberativo pelos próximos seis anos. O número é significativo para fazer diferença em decisões como a das obras de cobertura do Morumbi, que a oposição conseguiu barrar antes mesmo de eleger 31 novos conselheiros a seu favor, no fim de 2013.

Além do grande número, os novos eleitos darão perfil de mais questionamento ao conselho deliberativo. O grupo de oposição não se formou só para a eleição, como em 2006, 2008 e 2011, quando Juvenal venceu Marcelo Martines, Aurélio Miguel e Edson Lapolla, respectivamente.

Ilustração disso é o placar que a eleição presidencial deverá mostrar no próximo dia 16. Juvenal teve o pleito mais apertado em 2006, quando se lançou candidato para suceder Marcelo Portugal Gouvêa: venceu Marcelo Martines por 127 a 101. Depois, contra Aurélio Miguel e Edson Lapolla, marcou 147 a 64 e 163 a 7.

 

Fonte: Uol

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