Juvenal vai de homenageado com busto a contestado e vira alvo de organizada

Há menos de dois anos o presidente Juvenal Juvêncio teve a construção de um busto seu aprovada por unanimidade entre conselheiros do São Paulo. O monumento, que seria colocado no CT de Cotia, nunca saiu do papel, mas serviu para demonstrar a hegemonia política de Juvenal no clube naquele momento. A situação, no entanto, mudou completamente. A menos de quatro meses do fim de seu mandato, o presidente viu a ala oposicionista liderada por Kalil Rocha Abdalla e Marco Aurélio Cunha brecar a aprovação da obra de reforma do Morumbi. Com a torcida, a mudança é semelhante: ele foi de protegido em 2013 a alvo de protestos em 2014.

A descentralização do poder de Juvenal teve como principal motivo os fracassos do futebol nos últimos dois anos, constantes trocas de técnicos e modelo de governo. A insatisfação interna pelo que foram considerados erros de gestão enquanto o time não conseguiu mais chegar ao patamar alcançado até 2008 criou ressalvas em relação à maneira com que o presidente Juvenal Juvêncio comanda o clube. Respeitado por todos, Juvenal passou a sofrer as primeiras contestações em um conselho que rachou.

Tal ruptura resultou na ala de oposição que agora disputa a presidência em disputa que se comprovou equilibrada. Diretor jurídico da situação durante quase duas décadas, Kalil Rocha Abdalla se lançou candidato contrário a Juvenal Juvêncio, em processo liderado pelo ex-superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha, primeiro a levantar a bandeira contra a atual diretoria. Junto ao anúncio, membros como o ex-vice-presidente administrativo Ricardo Haddad deixaram a diretoria para reforçar a oposição.

Em dezembro de 2013, a oposição são-paulina deu a primeira demonstração palpável de força. A ala alegou que não poderia votar a ratificação do contrato de obras de cobertura e arena de shows no Morumbi, pois não teve acesso aos documentos, e boicotou a reunião. Juvenal Juvêncio, então, não conseguiu reunir quórum mínimo de 177 conselheiros para abrir votação – reunião apenas 125, número que representa pouco mais da metade do conselho, que hoje detém 235 membros e que terá 240 a partir de abril. Quinze dias antes da eleição presidencial serão eleitos os 80 novos conselheiros.

O candidato de Juvenal Juvêncio para a eleição, Carlos Miguel Aidar, foi nomeado pelo presidente após manobra política na situação. Braço-direto de Juvenal há décadas, o vice-presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, esperava a nomeação – assim como em 2011 – e se aborreceu com a escolha. Meses depois de se afastar, voltou a apoiar Juvenal. A manobra do presidente, porém, também contribuiu para desconcentrar o poder da ala situacionista no conselho.

A aceitação à atual gestão também sofreu reviravolta entre a torcida. Em julho de 2013, quando o São Paulo começava a se afundar na crise que resultaria numa luta de dois meses contra o rebaixamento, o episódio mais claro de apoio parcial a Juvenal Juvêncio aconteceu após derrota por 3 a 0 para o Cruzeiro, no Morumbi. Logo depois do revés, torcedores comuns iniciaram protesto contra o presidente na porta do estádio e sofreram represália das duas principais torcidas organizadas do clube. Além de vetar críticas à diretoria, naquele momento os torcedores organizados protestaram contra Marco Aurélio Cunha, então líder da oposição.

Nos dias que seguiram tal episódio, membros da principal organizada tiveram acesso permitido à sede do clube e o programa sócio-torcedor do São Paulo ainda enviou comunicado da organizada pela lista de associados, fato que gerou críticas intensas e foi descrito pela diretoria do clube como erro de um funcionário. Hoje, no entanto, a relação é outra. Na estreia do São Paulo na Copa São Paulo, no início do mês, Juvenal Juvêncio virou alvo de protestos dos mesmos torcedores ao chegar à Arena Barueri. Ouviu pedido por reforços e que “o inferno começou”. Os que em momento mais crítico vetaram críticas à diretoria agora criticam o presidente e seus dirigentes pelos fracassos no futebol.

Juvenal Juvêncio iniciou sua segunda passagem pela presidência do São Paulo em 2006, após deixar o comando do departamento de futebol durante o mandato de Marcelo Portugal Gouvêa. Ele levou o clube ao tricampeonato do Brasileirão e aumentou de maneira significativa o patrimônio.

 

Fonte: Uol

Um comentário em “Juvenal vai de homenageado com busto a contestado e vira alvo de organizada

  1. ditadorzinho se tivesse feito um mandato duplo,
    ja estariamos livres dessa incompetencia.
    Quis um terceiro na marra e deu nisso, quase segundona.
    Se aposenta, deixa o clube para gente nova, com novas ideias e ideiais,
    e vai descansar e tomar suas biritas.
    Deixe-nos em paz, livre do incomodo de suas ideias pegajantes.

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