Gol deve sair, mas já é certo que faltará algo na estreia de Pato

Até hoje, Alexandre Pato sempre estreou com gol por onde passou: em Internacional, Milan (ITA), Corinthians e seleção brasileira, gols marcados e vitórias celebradas. Em todos esses casos, no entanto, as estreias do atacante foram cercadas de badalação e expectativa, em cada momento com uma nuance. E é exatamente isso que faltará à estreia desta quarta-feira, pelo São Paulo. Não há badalação no estádio Rei Pelé, em Maceió, nem na primeira fase da Copa do Brasil. A expectativa pela grande promessa do futebol brasileiro dá lugar à necessidade de mostrar bom desempenho após um ano ruim no rival Corinthians.

“Fiz o meu papel, ajudei na vitória e isso é o que importa. Eu segui o que o professor pediu e deu tudo certo”, disse Pato, ao sair do Palestra Itália no dia 26 de novembro de 2006. Aos 17 anos, ele tinha feito uma estreia impecável pelo time principal do Internacional, com um gol no primeiro minuto da partida e outras duas assistências em vitória sobre o Palmeiras por 4 a 1. Antes, naquela semana, aguardava-se o primeiro jogo do jovem que era colocado como a grande promessa do futebol brasileiro, e que – mesmo sem nunca ter atuado – já tinha inscrição confirmada para o Mundial de clubes, no qual semanas depois o Inter superaria o Barcelona.

A carreira de Pato seguiu e outra estreia, ainda mais badalada, aconteceu. Em agosto de 2007, ele foi vendido por 24 milhões de euros ao Milan – na época, a terceira transferência mais cara da história envolvendo um jogador brasileiro. Como o atacante só faria 18 anos dois dias após o fechamento da janela de transferências, ele não teve a inscrição possibilitada nas competições italianas e europeias. Assim, criou-se durante seis meses a expectativa sobre a jovem promessa, que só atuou em jogos-treino até janeiro de 2008, quando estreou.

AFP PHOTO / ALBERTO PIZZOLI
A estreia no Milan foi em um San Siro com ótimo público e repleto de cartazes para Pato. Titular, ele teve como parceiro de ataque aquele que sempre colocara como ídolo: Ronaldo. Para servi-lo, Kaká, o melhor do mundo na época. O holandês Clarence Seedorf tentou de todas as formas dar uma assistência para Pato na estreia, mas quem conseguiu foi o italiano Giuseppe Favalli, que lançou para o jovem marcar e fechar o placar: 5 a 2 sobre o Napoli, com direito a dois de Ronaldo e um de Kaká.

Leonardo Wen/Folhapress
Tanta badalação que cercou o início de carreira de Pato serviu para preparar a estreia do jovem pela seleção brasileira. O técnico Dunga só esperava o atacante começar a jogar, a partir de janeiro de 2008, para convoca-lo. E assim o fez. Chamou Pato para amistoso contra a Suécia, em março daquele ano, e viu o jovem sair do banco para dar o gol da vitória ao Brasil. Entrou no lugar de Luis Fabiano – hoje companheiro, e que seria o camisa 9 do time de Dunga na Copa do Mundo de 2010 – e aproveitou erro de saída do bola do goleiro Andreas Isaksson para marcar. Chutou de esquerda, de primeira, quase da marca de escanteio.

Leandro Moraes/UOL
Em janeiro de 2013, o Corinthians não contratou o Pato promessa, nem o Pato titular da seleção brasileira, mas fez investimento ousado e inesperado para o futebol brasileiro, logo após se sagrar campeão mundial. Pagou R$ 40 milhões para tirá-lo do Milan, recuperá-lo da inexplicável série de lesões e recoloca-lo como o melhor atacante do país. Estreou na quinta rodada do Paulistão do ano passado, novamente com gol e vitória. Fez  o último da goleada por 5 a 0 sobre o Oeste. Até aquela data, pelo valor investido e pelas glórias recentes, só se pensava no jogador que Pato havia sido, e não se imaginava que ele poderia fracassar por diferentes motivos em seu retorno ao Brasil.

Nesta quarta-feira, contra o CSA, Pato tem um teste. Será a grande atração do jogo, como não poderia ser diferente, mas terá sobre si a desconfiança da chance de reviravolta em vez da expectativa pelo grande jogador que mostrou que seria.Envolvido em uma troca pelo meia Jadson, Pato tem contrato de empréstimo com o São Paulo até o fim de 2015, e trocou de clube em um dos negócios mais impactantes do futebol brasileiro nos últimos anos. Ele pode ser vendido pelo Corinthians durante o empréstimo, desde que o valor atinja valor estipulado no contrato.

Fonte: Uol

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