Entre críticas a São Paulo e Pelé, netos do Rei jogam de graça no Osasco

Quase dois anos depois de serem alçados à fama, Octávio e Gabriel, netos de Pelé, estão longe dos holofotes que imaginavam ter quando o primeiro ficou famoso ao marcar um golaço durante uma partida na base do Paraná em 2011. Nos meses seguintes, a vida dos netos do Rei do Futebol parecia o roteiro de uma grande reviravolta. A dupla fechou com um famoso e influente empresário, foi contratada por um grande clube e sonhava com uma aproximação do avô ausente. Mas não foi bem isso que aconteceu.

Depois de serem deixados de lado pelo São Paulo no ano passado, Octavio Felinto Neto, hoje com 14 anos, e Gabriel Arantes do Nascimento, de 12 anos, optaram por tentar recomeçar a curta carreira nas categorias de base do Grêmio Osasco. A parceria com Wagner Ribeiro, empresário de Lucas e Neymar, entre outros, ainda existe, mas não é tão eficaz como antes. E a relação com Pelé continua distante, praticamente inexistente.

Octávio e Gabriel são filhos de Sandra Regina Arantes do Nascimento Felinto, que só foi reconhecida como filha de Pelé em 1996 depois de uma intensa batalha nos tribunais. Ela morreu em 2006, vítima de um câncer de mama. O ídolo santista a reconheceu como filha, mas a relação nunca foi boa. Os meninos, inclusive, se encontraram com o avô apenas uma vez.

O pai dos meninos, Ozéas Felinto, fez diversas críticas ao São Paulo e afirmou que os dois não foram bem aproveitados no clube, mas é só elogios a Wagner Ribeiro, apesar de ter sido ele próprio quem procurou a comissão técnica do Grêmio Osasco e conseguido os testes.

Hoje, Octávio e Gabriel treinam no sub-15 e sub-13, respectivamente, mas ainda não foram efetivamente contratados e por isso jogam de graça. Bem diferente do cenário visto no São Paulo, quando recebiam ajuda de custo para moradia e educação. No total, cada um ganhava R$ 8 mil por mês.

“Só quero que eles sejam felizes jogando futebol e hoje eles são no Grêmio Osasco. É um time que não chama muito a atenção e trata bem os jogadores”, disse Ozéas.

As palavras do pai são bem diferentes quando o assunto é o São Paulo. “Eles não treinavam desde o ano passado, estavam presos a uma bola de ferro, porque tinham contrato, mas não jogavam e nem treinavam. Estavam encostados. Quando chegaram lá, não aconteceu nada do que prometeram, treinaram pouco, não sei se era por causa do Pelé ou porque eram do Wagner, devido a saída do Lucas”, disse.

O contrato que valia até os dois completarem 16 anos foi rescindido apenas no dia 14 de fevereiro deste ano, apesar de terem sido afastados no meio do ano passado. Oficialmente, segundo o clube, a dispensa se deu por critérios técnicos, mas a gerência das categorias de base preferiu não responder às criticas de Ozéas.

Já a relação com Pelé continua distante. Segundo pessoas próximas aos meninos, a relação é apenas cordial, mas ele nunca se dispôs a ajudar. Ozéas acredita que o fato de seus filhos serem netos do ídolo santista acaba atrapalhando. Segundo ele, Octávio não foi aprovado para treinar na base do Santos por influência, mesmo que indireta, do Rei.

“Ele passou nas peneiras sem dizer que era neto do Pelé, mas na hora de fechar o alojamento souberam quem ele era e não deu certo. Ouvi dizer que tinham que consultar ele antes”, criticou.

Procurado, o Santos respondeu via assessoria que a aprovação nas fases iniciais ou a reprovação no teste final não têm relação com seu parentesco com Pelé e reforça que não permite influência externa, “para o bem ou para o mal”, nos testes.

Apesar das frustrações, Ozéas ressalta que não passa pela cabeça de Octávio e Gabriel desistir do sonho de seguir o mesmo caminho do avô no futebol.

Fonte: Uol

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