Em fim de mandato, Juvenal fecha a mão e descarta reforços badalados

Quem pensa que Juvenal Juvêncio pode surgir com um reforço bombástico na véspera da eleição para ter vantagem na urna deverá se decepcionar. A quatro meses do fim de seu mandato de oito anos, o presidente do São Paulo está convencido de que 2014 será um ano de economia nos clubes brasileiros. A Copa do Mundo e o cerco mais apertado do Governo contra clubes que não cumprem suas obrigações são as razões que devem fazer o Tricolor colocar o pé no freio.

A diretoria do clube garante esforços para reforçar o elenco que protagonizou alguns dos piores momentos da história do clube em 2013, com recordes negativos e o risco sério de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, além de eliminações vexatórias como a goleada sofrida para o Atlético-MG na Taça Libertadores e as derrotas para a Ponte Preta na Copa Sul-Americana.

Jogadores como os volantes Souza e Jucilei, do Grêmio e do Anzhi (Rússia), respectivamente, o atacante Vargas, do Napoli, estão nos planos. Mas Juvenal descarta investimentos exagerados. O jogador chileno é o exemplo utilizado. Segundo o dirigente, se o São Paulo aceitasse as condições impostas pelo clube italiano, Vargas custaria R$ 1,3 milhão por mês.

– O Napoli quer 1,8 milhão de euros à vista pelo empréstimo, e ainda coloca uma cláusula de que o jogador pode voltar a qualquer momento, pois eles têm esperança que ele se valorize na Copa e seja vendido. O empresário quer uma comissão e o jogador pede um salário alto. Aqui nós fazemos contas. Isso custaria R$ 1,3 milhão por mês. O São Paulo jamais vai pagar isso. Temos interesse, mas não nesses termos.

Juvenal acredita que os investimentos e o interesse estarão voltados para a realização da Copa do Mundo no país. Ainda segundo o presidente tricolor, o Governo Federal está disposto a ajudar os clubes, mas quer contrapartidas e a principal delas é a de que os salários sejam pagos em dia. Essa também é uma reivindicação do movimento Bom Senso F.C., de jogadores que exigem melhorias no futebol.

– O futebol brasileiro não consegue mais pagar os salários dos (jogadores) que contratou. Estamos pagando mais que os europeus. Lá, eles não estão vendendo jogadores, estão vendendo os clubes. E agora haverá perda de pontos se os dirigentes não cumprirem seus contratos. Na primeira vez que isso acontecer, o dirigente cai – disparou Juvenal, que completou:

– Vamos convidar o sujeito para ver Ponte Preta x São Paulo? Ele vai querer ver Espanha x Inglaterra. Quem sabe esse não seja um ano para vender, e não para comprar?

Apesar de se mostrar disposto a negociar alguns de seus jogadores, o presidente jura que não recebeu propostas, a não ser a do Shandong Luneng, time chinês que contratou o técnico Cuca, ex-Atlético-MG, e também levou o atacante Aloísio em negociação que vai render 2,5 milhões de euros ao São Paulo.

Outro fator que desestimula grandes gastos é a atual situação de jogadores caros como Luis Fabiano, Jadson e Lúcio. Os dois primeiros não gozam de prestígio com a comissão técnica, enquanto o terceiro é considerado um grande mico. Além de ter jogado mal, causou problemas disciplinares, e o Tricolor teve de pagar para mantê-lo longe do grupo.

Com eleições marcadas para abril, Juvenal se diz certo da vitória do candidato da situação, Carlos Miguel Aidar, e aproveita para tecer críticas à oposição. A última diz respeito ao convite de Kalil Rocha Abdalla, candidato lançado pela oposição, para que o atual técnico do time de basquete do Uberlândia, Hélio Rubens, seja gerente do clube em sua gestão.

– Ainda bem que isso não tem perigo de acontecer, mas imagina se fosse um candidato com “punch”? Seria um desastre, quebraria o clube. A bola dele (Hélio Rubens) é de outra cor. Não tem a conversa do boleiro, o cacoete desse processo, não sabe nada disso. Seria uma loucura.

Juvenal também não esquece a falta de quórum e o forte combate dos conselheiros que apoiam a chapa de oposição na votação dos contratos que viabilizariam a cobertura do estádio do Morumbi. O presidente cogita alterar o estatuto para conseguir diminuir o número mínimo exigido para que se vote a reforma, e tem a missão de não deixar que os investidores desistam do negócio.

Segundo a diretoria do clube, pessoas envolvidas na reforma foram hostilizadas no dia da reunião e o mal estar causado foi grande. Juvenal defende o negócio.

– É absolutamente inovador, uma coisa bela. Sem desembolso do governo e nem do clube. Parece magia, só que é verdade.

 

Fonte: Globo Esporte

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