‘Eleito’, Carlos Miguel Aidar promete mudar o São Paulo de Juvenal

– Sou absolutamente diferente do Juvenal.

Carlos Miguel Aidar, de 67 anos, repetiu a frase acima algumas vezes depois que foi escolhido por Juvenal Juvêncio como candidato a sucedê-lo na presidência do São Paulo. Nada mais emblemático. É desse modo que Aidar, cada vez mais perto do poder, pretende dirigir o clube nos próximos três anos. Ele já se considera o novo presidente.

– Eu já me considerava, depois de sábado só confirmou – afirma, sem papas na língua.

De fato, a vitória sobre Kalil Rocha Abdalla, da oposição, ele praticamente assegurou no último sábado. Sua chapa elegeu 49 de 80 novos conselheiros, cerca de 60%. Essa maioria definirá o pleito do próximo dia 16, até a turma de Kalil admite. Então, o que virá pela frente?

Pode-se dizer que, em termos de propostas, Aidar é mais oposição do que Kalil. Cotia é um exemplo. A menina dos olhos de Juvenal, onde o São Paulo investiu milhões nos últimos anos, vai virar uma espécie de universidade do futebol nas mãos do novo mandatário.

– Você entra em uma faculdade, vai cursando todos os anos e, quando se forma, coloca seu diploma debaixo do braço e vai trabalhar. A ideia é transformar tudo em um negócio. O jogador vai sendo avaliado e, quando se formar, ou é aproveitado ou vendido – explica Aidar.

A mudança, assim como todas as outras pretendidas, passa pela profissionalização do clube. De cara, a intenção do candidato é criar duas diretorias, a feminina e a comercial. E contratar mais pessoas com experiência em gestão, seja para o futebol ou administrativo.

Aidar também tem intenção de delegar mais, algo que não existiu na era Juvenal. O atual presidente sofreu críticas pelo estilo centralizador. Seu provável sucessor não quer repetir o erro e acredita em tranquilidade para governar.

A confiança vem mesmo com o aumento de conselheiros eleitos da oposição. O número passou de 18 eleitos em 2008 para 31 agora. Serão três anos de muita coisa para se fazer. Muita coisa diferente.

– A oposição de hoje não é unida em ideias. Foram rebeldes para formar algo contra o Juvenal. E esse quadro de apoio vai mudar. Terei o conselho ao meu lado – garante o novo homem forte do São Paulo.

O QUE DEVE MUDAR NO SÃO PAULO

Modelo de gestão
Uma das primeiras atitudes de Aidar quando passou a concorrer à presidência foi contratar profissionais para criar um plano de gestão para o clube. Duas diretorias, feminina e comercial, já estão sendo idealizadas e outras devem aparecer. O futebol, por exemplo, deve ser dividido entre base, profissional e internacional. Com Juvenal, tudo passava por ele.

Cotia
Centro de Formação de Atletas Laudo Natel deve ter caráter muito mais comercial. Se a ideia de Juvenal era formar 90% do plantel com jogadores formados no clube, a intenção de Aidar é lucrar com os talentos e a estrutura montada pelo provável antecessor. Ele classifica o projeto como uma espécie de universidade do futebol.

Parceiros e contratações
Aidar quer reunir empresários dispostos a investir no clube. Já citou Abílio Diniz e Roberto Justus como possíveis aliados. Isso pode interferir nos reforços. A contratação de Falcão, quando foi presidente pela primeira vez, na década de 1980, é vista como exemplo. Criar mecanismos para trazer jogadores de ponta é o objetivo. Atualmente, clube tem situação financeira complicada, mesmo com balanço positivo. Alguns empréstimos foram quitados, mas dívida é grande. Juvenal relutava em atrair parceiros para contratar.

 

Fonte: Lance

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