Craque para os colegas, J. Schmidt tenta afastar timidez por espaço no SP

“Fui bem?”

Tal frase não foi dita por um jogador a seu técnico ou a seus companheiros ao término de uma partida. Foi dita pelo jovem volante João Schmidt, do São Paulo, ao repórter, imediatamente após o fim da entrevista. Visto como craque por outros jogadores do elenco e um dos favoritos do presidente Juvenal Juvêncio, ele vê nas entrevistas obstáculo maior do que nos marcadores que enfrenta nos treinos.

Mas João Schmidt foi bem. Contou os 20 anos de vida ao balançar das pernas, que não pararam durante a conversa. Ele admite, fica nervoso ao responder algumas perguntas. Nunca havia enfrentado tantas questões, e também nunca aceitou ser escalado para as coletivas no CT da Barra Funda, que acontecem diariamente, nas quais os atletas se revezam.

Para os companheiros, João Schmidt é craque. Quase todos os atletas questionados sobre o jogador em conversar informais disseram a mesma coisa: “Não sei por que ele não joga”. De fato, Schmidt tem menos chances do que o esperado. Grande revelação de sua categoria no São Paulo, foi capitão da seleção brasileira sub-20 e é visto como grande promessa. Talvez como o nervosismo na entrevista, que não se explica, o volante conta nos dedos as oportunidades no profissional, o que também é difícil de entender pelo relato de companheiros e pelo desempenho nos treinos.

Nascido e criado em Interlagos, bairro da zona sul de São Paulo, João ainda vive com a família. Mora com a mãe, irmã e padrasto – o pai, separado, é vizinho, mas hoje no Morumbi, região para a qual a família se mudou após a confirmação de que o garoto seria profissional do clube. “Não tenho do que reclamar, não. Sempre me apoiaram. Nunca pensaram ‘se eu não conseguir’. Sempre me deram apoio, nunca teve esse papo, todos eram cientes do que eu queria e isso foi seguindo”, conta João Schmidt, que não enfrentou tantas dificuldades como em outras histórias do futebol: “Graças a Deus nunca precisei ajudar minha família. Lógico, hoje ajudo em partes, mas não sustento inteira. Minha mãe e meu pai sempre trabalharam, então eu sempre tive uma estrutura”.

O apoio da família pode ainda não ter surtido o efeito esperado se analisadas apenas as oportunidades no São Paulo, mas João Schmidt já conquistou algum espaço. Além das participações constantes em seleções de base, e da confiança dos companheiros, recentemente ele firmou contrato com a Gestifute, do português Jorge Mendes, maior empresa de gestão de carreiras do mundo – entre os clientes, tem José Mourinho e Cristiano Ronaldo, além do colega Rodrigo Caio, que seguiu o mesmo caminho.

“Conversamos sobre nossa carreira. Ele perguntou nossa opinião, saber o que a gente queria para a carreira. E eu falei que, antes de sair, queria jogar no São Paulo”, conta o garoto sobre o primeiro diálogo com Jorge Mendes, agora gestor de sua carreira. Schmidt coloca o São Paulo como primeiro objetivo, mas revela sonhos ambiciosos: “Quero ter uma carreira bonita. Quero e acredito muito que posso chegar à seleção brasileira. Lógico que é pensar alto, mas acho que eu tenho potencial para chegar. Olimpíada é um grande objetivo”, fala, sobre os Jogos de 2016. “Não sei quando, mas um dia quero jogar na Europa, jogar uma Champions League, mas não penso em tempo. Primeiro quero jogar no São Paulo”.

A história tantas vezes repetida da trajetória do meia Lucas, hoje no Paris Saint-Germain (FRA), serve para João Schmidt. O volante jogou dos 7 aos 12 anos no Corinthians, e fez a troca pelo São Paulo. Os mesmos motivos apontados pelo ex-camisa 7 são utilizados pelo volante para justificar a mudança, regida pelos pais, quando ele ainda não tinha um empresário. “Sempre foi muito difícil no Corinthians. Eu morava na zona sul, e na época era no Parque São Jorge, na zona leste, então era muito longe para ir todos os dias. E o São Paulo sempre ofereceu coisas melhores, e não falo em questão de dinheiro. É estrutura do clube. E isso me fez sair de lá e ir para o São Paulo. Corinthians era terrão, na época. No São Paulo, não. No São Paulo você fazia viagens internacionais. Era melhor”, relata.

Um dos maiores fãs de João Schmidt é o presidente Juvenal Juvêncio, que até inventou apelido para o garoto. “Colosso” é o nome que não sai da boca de Juvenal ao se referir ao jogador, por tantas vezes e há anos elogiado. Schmidt vê o apelido como um elogio. “Acho que ele tem um carinho pelo meu futebol. É bom ouvir isso”, diz que o presidente o trata bem e até conversa brevemente, mas afirma que o apelido não pegou entre os companheiros.

João Schmidt não parece se deslumbrar com os elogios de companheiros e de dirigentes. Sabe que tem de melhorar para ter as mesmas oportunidades dos contemporâneos Rodrigo Caio e Ademilson. “Você sempre sobe para o profissional querendo jogar, achando que você tem condição. Mas eu não estava preparado da primeira vez que subi [em 2011]. Estava assustado. Na segunda vez, já estava mais preparado. Vim mais maduro”, conta.

Ele se descreve como excessivamente autocrítico e comprova nas palavras: “Vejo que tenho que melhorar minha dinâmica. Futebol está muito mais rápido hoje em dia. Fazer o jogo mais rápido, ter mais volume, ir mais para a frente, voltar mais, ter mais velocidade”, diz o jovem, que já recebeu tais conselhos dos treinadores: “Paulo Autuori me falava isso e o Muricy já me falou, preciso melhorar”.

A timidez de João acaba ao encerrar a entrevista. Seguida da pergunta pela atuação nas respostas, vêm os relatos dos apuros passados em outras vezes que teve que lidar com o microfone. Diferentemente de outros jogadores, o papo com o volante não se encerra ao desligar o gravador. Praticamente começa a partir de então.

João Schmidt é craque para outros jogadores de futebol, mas sabe que a opinião dos treinadores têm insistido em deixa-lo, no máximo, no banco de reservas. Neste domingo, o São Paulo enfrentará o Botafogo e pode ter alguns jogadores reservas entre os relacionados. O volante pode ficar como opção, para novamente tentar mais um passo em busca da perda da timidez e de convencer Muricy Ramalho de que ele é mais do que uma promessa.

2 comentários em “Craque para os colegas, J. Schmidt tenta afastar timidez por espaço no SP

  1. Ratifico a opinião acima,é o volante mais técnico do elenco do SPFC,mas estranhamente sem oprtunidades…sinceramente,boto muita fé no futebol de J.Schmidt,força garoto!

  2. Certas coisas no SPFC são nebulosas, dá a impressão que existe algo estranho e oculto da vista da maioria dos torcedores, da imprensa, etc..
    Eu acompanho o desempenho deste rapaz nas categorias de base e não vê-lo sendo o minimo aproveitado em um time onde atuam jogadores medíocres (que não dominam os fundamentos básicos) em todas as posições e foi investido uma grana preta para contratá-los e no minimo SUSPEITO..

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