Com 400 jogos, do que Muricy precisa para ser o maior do SP? De trabalho

Muricy Ramalho completa na noite desta quarta-feira 400 jogos como treinador do São Paulo. O jogo é contra o XV de Piracicaba, no estádio Barão de Serra Negra, pelo Paulistão, e coloca o treinador a caminho do recorde absoluto no clube: faltarão 133 partidas para que Muricy supere Vicente Feola e se torne o técnico que mais vezes dirigiu o São Paulo. Para isso, no entanto, ele depende de bom rendimento e classificação às fases mais avançadas nas competições que disputar. A começar por este Paulistão.

A média de jogos do São Paulo em uma temporada, tendo como base os últimos 11 anos – desde que o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos –, é de 74 partidas. Com contrato até o fim de 2015, Muricy quebraria o recorde de Vicente Feola se seguir a média nesta e na próxima temporada. Porém, se o time tiver mau desempenho nos diferentes torneios que joga e jogará, a marca não será atingida.

O São Paulo pode fazer apenas 57 jogos em 2014. Isso acontecerá caso o time não se classifique às quartas de final do Paulista, não avance à segunda fase da Copa do Brasil e também não consiga superar os dois primeiros jogos da Copa Sul-Americana – que só jogará se cair antes da quarta fase da Copa do Brasil. O número mínimo de jogos em 2014 faria com que Muricy terminasse o ano com 446 partidas no comando do São Paulo, que o deixaria a 87 partidas de superar Feola e impossibilitaria o recorde.

Hoje Muricy é o 4º técnico com mais jogos na história do São Paulo, e tem duas marcas mais fáceis de serem atingidas, ambas ainda em 2014. Telê Santana, 3º, tem 411 partidas. José Poy, 2º, 422.

Do jogo 1 ao 400 no São Paulo, Muricy foi de jovem aprendiz a um dos maiores ídolos da história do clube, em três diferentes passagens e com títulos e marcas importantes. Veja a carreira do treinador e postulante a ser o maior da história:

1- O início ao lado do mestre
Luiz Carlos Murauskas / Folha Imagem

O começo da carreira de treinador de Muricy Ramalho foi ao lado de Telê Santana, em 1994, como auxiliar técnico. A ideia era que o técnico bicampeão mundial com o clube formasse um discípulo para quando decidisse se aposentar. No início daquele ano, estreou na nova profissão: São Paulo 4 x 1 Santo André, pelo Paulistão, durante período em que Telê Santana deixou o time nas mãos do jovem auxiliar. No fim de 94, ainda como auxiliar, Muricy formaria o time que ficaria conhecido como “expressinho”, formado por jovens como Rogério Ceni, Denilson, Juninho Paulista e Caio Ribeiro, e conquistaria o primeiro título da carreira na Copa Conmebol.

2- Discípulo assume e vira tampãoLuiz Carlos Murauskas / Folha Imagem

Não era o esperado: a saúde de Telê Santana começou a ruir no início de 1996, quando o técnico sofreu uma isquemia que o afastou do futebol. Muricy Ramalho, discípulo, assumiu o time que teve sequência razoável. Apesar dos resultados, Carlos Alberto Parreira, técnico do tetra com a seleção brasileira dois anos antes, foi contratado. Muricy voltou a ser auxiliar, mas retornou ao comando depois de alguns meses, com a queda do badalado treinador. Em 1997, sofre com o início ruim no Paulistão, é substituído por Darío Pereyra e deixa o clube para treinar o Guarani.

3- Retorno no topo do mundo
Cesar Rodrigues/Folhapress

Muricy Ramalho voltou ao São Paulo nove anos depois, em 2006, dessa vez como treinador de currículo promissor. A joia da casa herdou o time campeão mundial das mãos de Paulo Autuori, sob os últimos meses do comando do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa.

4- Reencontro e reconstrução
Fernando Santos

Mesmo nove anos depois, Muricy reencontrou Rogério Ceni, com quem foi campeão da Copa Conmebol em 1994. Desenvolveu relação próxima do capitão desde os anos 90, pelo título ainda com Telê Santana e por ter sido o primeiro treinador a autorizar Rogério Ceni a cobrar faltas. Do time campeão mundial, não teve todas as peças para aproveitar. Jogadores como Miranda, André Dias, Alex Silva, Ilsinho, Lenilson e Leandro tiveram papéis importantes no novo time.

5- Vice da Libertadores e título do Brasileirão
Almeida Rocha

A primeira temporada de Muricy Ramalho em seu retorno contou com a decepção pelo fracasso na Libertadores seis meses após o Mundial, mas teve saldo positivo. Além de chegar perto da conquista continental, Muricy conquistou o Brasileirão de 2006 em grande campanha.

6 – Campeão de novo
Mastrangelo Reino/Folhapress

Em 2007, o treinador levou o time a mais um título do Brasileirão, após cair cedo na Libertadores – foi até as oitavas de final, perdeu para o Grêmio.  No campeonato nacional, levantou a taça com quatro rodadas de antecedência com equipe que se marcou pela solidez defensiva a partir do uso de três zagueiros.

7- Ídolo da torcida
Ricardo Nogueira/Folhapress

Muricy começou 2008 exaltado pela nova conquista, e terminou a temporada como ídolo do clube. Levou o São Paulo novamente ao título do Brasileirão, dessa vez após arrancada inesperada a partir do segundo turno. Matemáticos chegaram a dar 0% de chance de título para o São Paulo, que desbancou o Grêmio com vitória sobre o Goiás na última rodada. Marca-se também pelo comando rígido com jogadores e pelo discurso áspero com a imprensa.

8- O peso da Libertadores
Fernando Santos/Agência Folha

Nem os três títulos do Brasileirão seguraram Muricy no cargo após a quarta eliminação na Libertadores, na ocasião para o Cruzeiro, nas quartas de final. Supostamente desgastado com o elenco e criticado por parte da diretoria, foi demitido pelo presidente Juvenal Juvêncio.

9- Chamado de emergência
Reinaldo Canato/UOL

Depois de quatro anos sob pedidos de grande parte da torcida, Muricy Ramalho volta ao São Paulo para salvar o time da pior crise da história, no Brasileirão de 2013. A equipe ocupava a 18ª colocação após período de péssimos resultados sob o comando do técnico Paulo Autuori, que herdou lugar de Ney Franco. A chance de rebaixamento era superior a 60%.

10- Recuperação
Reinaldo Canato/UOL

Técnico é recebido por mais de 50 mil pessoas no Morumbi, em meio à crise, em sua reestreia. A equipe consegue três vitórias seguidas, reduz o risco de rebaixamento e se recupera no Brasileirão

11- Não cai. E sonha com título
Edson Ruiz/Estadão Conteúdo

O São Paulo se salva do rebaixamento do Brasileirão após sequência positiva e passa a sonha com o título da Copa Sul-Americana, que tinha em segundo plano. A derrota para a Ponte Preta, na semifinal, acaba com as possibilidades, mas o saldo da temporada é positivo depois de sanar o risco da queda.

12 – Recomeço com novo time
Rodrigo Capote/UOL

Muricy inicia 2014 em campanha irregular. O São Paulo e seus principais jogadores, como Paulo Henrique Ganso e Luis Fabiano, não rendem o desempenho que se espera. O técnico reconstrói o time ao lado da diretoria e trabalha com o objetivo de vencer o Brasileirão para disputar em seu último ano, antes da provável aposentadoria em dezembro de 2015, uma última edição da Copa Libertadores.

FICHA TÉCNICA
XV DE PIRACICABA X SÃO PAULO

Estádio: Barão de Serra Negra, em Piracicaba (SP)
Data: 26 de fevereiro de 2014, quarta-feira
Horário: 22h (de Brasília)
Árbitro: Norberto Luciano Santos
Assistentes: Daniel Luis Marques e Luis Alexandre Nilsen

XV DE PIRACICABA: Mateus, Vinícius Bovi, Leonardo Luiz, Pitty e Aelson; Adilson Goiano, Rodrigo, Breitner e Gilsinho; Cafu e Adílson. Técnico: Edison Só

SÃO PAULO: Rogério Ceni, Luis Ricardo, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Alvaro Pereira; Souza e Maicon; Douglas, Pabon e Osvaldo; Luis Fabiano. Técnico: Muricy Ramalho

 

Fonte: Uol

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