Cobrança por “ser Corinthians” incomodou Pato antes do São Paulo

O conceito da “Fiel”, que aparece como entidade para os torcedores do Corinthians, jogou contra Alexandre Pato durante sua passagem pelo Parque São Jorge, em 2013. O atacante, que agora veste a camisa do São Paulo – emprestado até o fim de 2015 – se incomodou com as cobranças para que assumisse o perfil desejado pela torcida corintiana. Para ele, foi esta cobrança, em cima de algo que ele não poderia entregar de volta, o maior motivo para o fracasso após a saída do Milan (ITA).

Pato relatou o incômodo em conversa com a diretoria do São Paulo nos dias seguintes à troca pelo meia Jadson, entre os clubes rivais. Segundo a história contada por diferentes dirigentes são-paulinos, o atacante disse que sabia lidar com a cobrança pelo perfil de total entrega feita pela torcida, mas se irritou quando viu a diretoria pedir o mesmo.
Na apresentação de Pato no Corinthians, um exemplo: o atacante apareceu para vestir a camisa do clube com os cabelos alisados, demonstrando a vaidade que já se conhecia. Ouviu, no fim da entrevista coletiva no CT Joaquim Grava, o pedido de um membro da Gaviões da Fiel – principal torcida organizada do clube – para que vestisse um boné da uniformizada. Pato vestiu sobre o cabelo estilizado, posou para fotos e, por conta própria, escolheu ir ao microfone para dizer “É nóis, mano!”. Essa foi a primeira atitude de Pato ao ter o primeiro contato com a torcida, naquele que ele achava ser o perfil desejado.
Alexandre Pato não está acostumado a dar carrinhos no ataque, ajudar a marcar o lateral adversário e trabalhar taticamente durante os 90 minutos. Segundo o relato feito aos dirigentes do São Paulo, o incômodo foi por receber o rótulo de descompromissado e desleixado por não se enquadrar em tal perfil. O pênalti perdido contra o Grêmio, que tirou o Corinthians da Copa do Brasil, virou símbolo da suposta falta de profissionalismo de Pato. O atacante tentou a cavadinha e viu Dida defender facilmente. Desde tal episódio, a relação de Pato com a torcida desmoronou, ele passou a ser um dos principais alvos das queixas em meio à crise que se instaurava e levaria à queda de Tite. Dali em diante, o atacante não teve momentos positivos.
A invasão dos cerca de 200 membros de organizadas ao CT do Corinthians, no início de fevereiro, mostrou a insatisfação pelo menos dessa parcela da torcida com Pato. Ele e Emerson Sheik foram os principais alvos do protesto, apesar de não terem sofrido agressões segundo os relatos, como aconteceu com o peruano Paolo Guerrero.
A aposta dos mesmos dirigentes que relatam o incômodo de Pato no rival é de que ele dará certo no São Paulo também porque não terá da torcida essa cobrança. Na visão da diretoria, os torcedores são-paulinos são mais tolerantes e não têm um perfil estereotipado do jogador que querem que vista a camisa do clube. Como exemplo, adotam o uruguaio Diego Lugano como a maioria também admirava o atacante Dagoberto.
Ao chegar ao São Paulo, Pato trocou o discurso. De cara, se armou para se prevenir do rórulo de descompromissado. Em sua primeira entrevista coletiva, de apresentação no CT da Bara Funda, trocou o “feliz e tranquilo” – recorrente nas falas durante a passagem pelo Corinthians, até alvo de críticas – pelos argumentos de que é trabalhador. Em três ocasiões usou como exemplo que deixou a família aos 11 anos para começar a jogar na base do Internacional, em Porto Alegre.
O isolamento de Pato no Corinthians por não atender ao comportamento esperado pelo clube e pela torcida resultou na saída após pouco mais de um ano. O investimento de R$ 40 milhões, pagos ao Milan, não deu certo. Emprestado ao São Paulo até o fim de 2015, o atacante poderá ser vendido caso o Corinthians receba uma proposta de 15 milhões de euros até o fim do ano, ou de 10 milhões de euros a partir da próxima temporada – a compra pode ser feita pelo próprio São Paulo, também. Na negociação, o meia Jadson, cujo contrato terminaria no fim de 2014, foi cedido ao Corinthians, definitivamente.
Fonte:Uol

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