Ceni se orgulha de novo pênalti batido com dor: “Erro seria fatal”

Pelo segundo jogo consecutivo na Libertadores, o destro Rogério Ceni entrou em campo com fortes dores no pé direito – e o utilizou para converter um pênalti. Depois de balançar a rede dessa maneira na derrota para o The Strongest, o goleiro são-paulino assim abriu a vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, na quarta-feira. Ao fim da partida, assegurada a classificação às oitavas de final, ele recuperou discurso usado na Bolívia e se disse orgulhoso.

“Sei que não sou o ator principal, como já fui. Talvez agora seja mero coadjuvante, mas sei da minha responsabilidade. Posso ter muitos defeitos como ser humano, mas me orgulho do profissional que sou, da camisa que visto, da minha dedicação diária para estar aqui. As dores eram suficientes para estar fora. Alguns dizem: ‘se está com dor, não vai para o jogo’. Mas é importante determinada figura em campo. Um erro ali seria fatal para minha carreira”, disse.

Caso ele tivesse desperdiçado a cobrança, no momento em que o placar apontava empate sem gol, o resultado da partida poderia ter sido negativo. Curiosamente, assim como na derrota na rodada passada, Ceni buscou o canto esquerdo do goleiro. A justificativa, ao menos na Bolívia, foi de que não suportaria usar o peito do pé para mandar a bola do outro lado. Ou seja, Victor defenderia se tivesse ouvido sua entrevista, há duas semanas.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Goleiro tricolor ainda sente dores no pé direito

De lá até quarta-feira à noite, o camisa 1 não havia atuado mais nenhuma vez, dedicando-se exclusivamente a tratamentos diários, geralmente em três períodos. Na quinta-feira passada, ameaçou treinar, porém ficou só cinco minutos em campo, sendo vetado para o compromisso de sábado, contra o XV de Piracicaba, pelo Campeonato Paulista.

“Não havia condições. Mas fiz uma última aposta que era trabalhar para esse jogo. Na terça-feira, o pé ficou muito ruim, com muita dor, mas praticamente só dormi e tratei. A aposta era comigo mesmo, queria estar aqui”, justificou o goleiro, que realizou fisioterapia até meia-noite da véspera da partida decisiva contra o Atlético e, já no Morumbi, evitou bater bola antes do apito inicial, a fim de poupar o pé para os tiros de meta.

No intervalo, contou ao reserva Denis um pressentimento. Ele estava sentindo que a bola do jogo seria sua. Por isso, chutou dois pênaltis antes de a partida recomeçar. Estava certo. Aos nove minutos, Aloísio foi derrubado por Leonardo Silva dentro da área, e o árbitro assinou a penalidade. Dois minutos se passaram entre Ceni deixar sua meta e balançar a rede de Victor. Tempo de sobra para muita coisa.

“Do meu gol até o outro, fui pedindo a Deus que ele me desse calma e tranquilidade. Convertida, a bola pode não ter tido tanta importância. Mas, se tivesse sido perdida, poderia ser uma das últimas da minha carreira”, salientou, orgulhoso também por ter feito isso com uma idade tabu no futebol. “Quando se perde um pênalti aos 30 (anos) é uma pena. Aos 40, eu seria velho”.

Fonte: Gazeta Esportiva

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