Aidar alfineta rival: ‘o Corinthians não é dono do estádio, nunca vai pagar’

A menos de um mês das eleições, o São Paulo vive clima quente dentro do clube. Com forte disputa entre os dois candidatos para a vaga do presidente Juvenal Juvêncio, o ESPN.com.br inicia nesta quarta-feira uma série de reportagens e entrevistas especiais sobre o processo eleitoral.

Como plataforma política para vencer o jogo contra Kalil Rocha Abdalla, Carlos Miguel Aidar, nome lançado pela situação, não se cansa em garantir a execução das obras do mega projeto de cobertura do Morumbi, barradas pela oposição até o momento e abandonadas pela construtora Andrade Gutierrez. O plano ainda envolve um estacionamento e uma arena multiuso para shows – outras empreiteiras já enviaram propostas.

“Eu vou fazer isso, pode escrever. Se a gente não fizer isso logo, o Morumbi vai servir única e exclusivamente para mandar seus jogos. O São Paulo está herdando dois shows que eram para acontecer na arena do Palmeiras porque não ficou pronto, se não, não seria mais aqui. É importante que a oposição saiba disso. Alô, oposição, olha o que vocês estão fazendo. É uma receita que não queremos abrir mão. O Itaquerão não vai ter show. Aquilo é outro mundo, é outro país, não dá para chegar lá”, afirma o advogado, que já presidiu o tricolor entre 1984 e 1988, para o ESPN.com.br.

De acordo com o candidato, a ideia é que o projeto seja colocado para votação no mesmo dia da eleição, mas ainda não há nenhuma decisão sobre isso.

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Juvenal Juvêncio
Juvenal Juvêncio

Mesmo com os debates internos acirrados, a rivalidade com os outros clubes nunca é esquecida. Ao falar de Copa do Mundo, Aidar não lamenta a ausência do Morumbi, diz que não lutaria pela abertura do evento, afirma que o Corinthians não vai conseguir pagar pela sua arena e ainda brinca com todo o cenário.

“A abertura vai ser no Morumbi, no dia 6 de junho [último amistoso da seleção, contra a Sérvia], e o segundo jogo será no Itaquerão (risos). Havia uma determinação do presidente da República para uma construtora fazer um estádio novo. E ele não torce para o São Paulo, ele torce para o Corinthians. E mandou fazer. A construtora disse sim, senhor, e fez o estádio. Está lá. Cheio de problemas. O Corinthians não é o dono do estádio, é da construtora. Ele nunca vai conseguir pagar aquele dinheiro. O estádio não está pronto, tem arquibancadas alugadas, provisórias, a Fifa está criticando, é o estádio mais crítico da Copa do Mundo, mas está lá, feito pela Odebrecht”, comenta.

“[A Copa é boa] Para as empreiteiras e para a Fifa. A Fifa é a maior construtora do mundo e maior agência de viagens do mundo. Não existe uma entidade capaz de promover tantas obras. Não são só os estádios, tem todo o entorno, rodovias, hotelaria, transporte…”, completa Aidar.

Apesar das alfinetadas, o candidato da situação ameniza.

“Minha relação com o Corinthians vai ser muito boa. A minha relação com o Mario Gobbi é muito boa. Minha relação com os presidentes dos clubes vai ser bem assim. Quando a bola rolar vou querer matar, com requintes de crueldade, mas depois eu quero abraçar e discutir interesses comuns”.

Veja abaixo essa parte completa da entrevista, sobre Morumbi e Copa do Mundo.

ESPN.com.br – O Morumbi tinha que ter sido o estádio de abertura da Copa?
Carlos Miguel Aidar – Mas vai ser. No dia 6 de junho. O segundo vai ser lá no Itaquerão.

ESPN – E no dia 12 de junho?
CMA – No dia 12 vai ser no Itaquerão. Veja só, Croácia e Sérvia, dois países que saíram da Iugoslávia e tem o mesmo futebol. O adversário do dia 6 de junho é o mesmo do dia 12. Conquista orgulhosamente minha.

ESPN – Ainda orgulhosamente, se você fosse o presidente do São Paulo no momento da decisão do estádio de abertura, o jogo seria aqui?
CMA – 
Eu acho que não. E por que eu acho que não? Havia uma determinação do presidente da República para uma construtora fazer um estádio novo em São Paulo. E ele não torce para o São Paulo, ele torce para o Corinthians. E ele mandou fazer o estádio do Corinthians. A construtora disse sim, senhor, e fez o estádio. Está lá. Cheio de problemas. O Corinthians não é o dono do estádio, nunca vai conseguir pagar. O estádio não está pronto, tem arquibancadas alugadas, provisórias, a Fifa está criticando, é o estádio mais crítico da Copa do Mundo, mas está lá, feito pela Odebrecht.

Lucas Borges/ESPN.com.br

Juvenal Juvêncio (direita) abraça Carlos Miguel Aidar (centro), candidato da situação da presidência do São Paulo
Juvenal Juvêncio (direita) abraça Carlos Miguel Aidar (centro)

ESPN – Foi um erro?
CMA –
 Do governo federal? Do ponto de vista desportivo, foi. Do ponto de vista econômico, não, porque o governo conseguiu fazer com que as empreiteiras ganhassem muito dinheiro. E muito.

ESPN – Foi bom só para elas?
CMA – 
Para as empreiteiras e para a Fifa. A Fifa é a maior construtora do mundo e maior agência de viagens do mundo. Não existe uma entidade capaz de promover tantas obras. Não são só os estádios, tem todo o entorno, rodovias, hotelaria, transporte…

ESPN – O problema é quem paga por isso…
CMA – Meu amigo, falecido, Vicente Matheus dizia “quem está na chuva é para se queimar”. O Brasil quis isso. Faz sete anos que o Brasil sabe que vai sediar a Copa e decidiu ligar o assunto só no último ano. A grande maioria dos estádios não estará pronta. Não digo o estádio dentro, mas o entorno fora.

ESPN – O vice-presidente do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg, disse recentemente que o clube não deveria ter ficado com a abertura da Copa e tinha que ter deixado para o Morumbi. O que você acha?
CMA – Eu não acho também tão importante assim. Eu lutaria para o Morumbi ser uma das sedes, mas não a de abertura. Nunca tivemos uma Copa com 12 sedes, é a primeira vez. A Fifa não queria 12, mas o governo queria 12, e elas estão aí. Essa megalomania brasileira só é bom para transporte e entorno. Os estádios não servirão para nada. A maioria é elefante branco. Não entra na nossa cabeça, não tem sentido.

ESPN – Há algum legado para o São Paulo?
CMA – 
Tem os dois centros de treinamentos ocupados por seleções. Fora isso, não há legado.

ESPN – Falando ainda do Morumbi, com a chegada da arena do Palmeiras, como ficará?
CMA –
 Esse é o grande problema. Se a gente não fizer isso logo, o Morumbi vai servir única e exclusivamente para mandar seus jogos. O São Paulo está herdando dois shows que eram para acontecer lá porque não ficou pronto, se não, não seria mais aqui. É importante que a oposição saiba disso. Alô, oposição, olha o que vocês estão fazendo. É uma receita que não queremos abrir mão. O Itaquerão não vai ter show. Aquilo é outro mundo, é outro país, não dá para chegar lá.

Gazeta Press

Kalil Rocha Abdalla, candidato da oposição do São Paulo
Kalil Rocha Abdalla, candidato da oposição do São Paulo

ESPN – Você acha que mesmo se quisesse seria difícil receber shows lá?
CMA – 
Acho difícil que os empresários queiram levar os shows para lá, tão longe do centro da cidade, e com o Parque Antártica tão mais perto.

ESPN – Essa questão de shows sempre foi uma brincadeira entre vocês, São Paulo e Corinthians, na questão de rivalidade. A existência de shows é fundamental?
CMA –
 É uma boa fonte de renda, mas não é fundamental. Minha relação com o Corinthians vai ser muito boa. Ele foi meu estagiário em outros tempos. E eu não sei quem vai suceder o Mario, porque lá é o maior absurdo e não pode ter dois mandatos, mas sei que não será o Andrés porque ele vai ser candidato a deputado federal e tem uma vocação muito boa. Eu me dou muito bem com ele também. Minha relação com os presidentes dos clubes vai ser bem assim. Quando a bola rolar vou querer matar, com requintes de crueldade, mas depois eu quero abraçar e discutir interesses comuns.

ESPN – Isso é parte do que o São Paulo tem de ultrapassado?
CMA –
 Não, é parte do meu perfil, apenas. Eu comandei o futebol brasileiro lá trás. Era outro momento, a CBF estava falida, não tinha dinheiro para fazer o campeonato. Nós temos um pouco de história para contar.

ESPN – Falando de cobertura. A oposição teve um papel importante para não ter começado as obras da cobertura até agora?
CMA – 
Sim, importantíssimo. Um desastre para o clube. Estamos perdendo meses. Eu tive a oportunidade de conversar com o diretor da Andrade Gutierrez. Queria dizer uma coisa antes: tão logo eu me tornei candidato eu fiz questão de ir conhecer o projeto. Fui falar com o presidente Juvenal e eu gostaria de entender isso. Fui aos escritórios que estavam tocando o projeto, estive com diretores das empresas do negócio e entendi toda a operação. Me convenci que era bom para o São Paulo. Todas as perguntas que eram feitas da oposição ou de sócios eu sabia responder. Por sugestão minha, chamamos os sócios para conversar. Fizemos aquela reunião aberta. Três ou quatro horas com o doutor Francisco Manssur respondendo tudo. Depois dessa massacre, com acusações levianas a uma das maiores construtoras do mundo, dois cidadãos levam acusações e isso foi muito ruim. A oposição politizou um assunto que deveria ser orgulho para o sócio. Atrapalhou a vida do São Paulo. Eu vou fazer isso, pode escrever.

ESPN – Você acha que a situação errou em alguma coisa?
CMA – 
Não. A situação fez o que tinha que fazer. O que se acusou é que o Juvenal poderia ter esperado para fazer isso depois da eleição, mas no dia 15 de janeiro a gente já estava com o fundo aprovado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a gente tem seis meses para fazer a captação. No dia 15 de junho vence o prazo. Nós temos 40 interessados e só podemos usar 20. Eu ainda estou insistindo com o presidente Juvenal e com o presidente do Conselho Deliberativo, José Carlos Ferreira Alves, para que se vote no mesmo dia da eleição o projeto. Depois que uma construtora pegar o projeto, em uma nova licitação, a gente volta para o conselho para aprovação. Eu ainda insisto com isso, acho muito importante.

ESPN – Em quanto tempo você consegue definir a construtora?
CMA –
 A gente não pode demorar mais de dois meses, para dar tempo de captar. Se não for isso, vamos ter de refazer todo o projeto e isso levará muito mais tempo.

ESPN – Até o fim do seu mandato ela estará pronta
CMA – 
Não tenho a menor dúvida. E a arena multiuso já tem até nome, mas não posso falar. É segredo.

 

Fonte: ESPN

Um comentário em “Aidar alfineta rival: ‘o Corinthians não é dono do estádio, nunca vai pagar’

  1. Ah claro, porque ninguém vai ligar para esses insultos agora só porque não foi eleito ainda.

    Entra personagem, sai personagem, e a administração dos clubes de futebol continua a ser AMADORA. Quem em sã consciência fala “o estádio dos caras é uma bosta, foi doado, tá cheio de problema, fica no meio do mato e eles nem vão conseguir pagar” e ao mesmo tempo “minha relação com eles vai ser muito boa”? Já vamos esperar amanhã mesmo a repercussão da discórdia.

    E por favor ein? Vamos parar de olhar para os lados, nos problemas dos outros e vamos nos concentrar nos nossos, ok? Que raio de diretoria é essa que não consegue nem levantar uma cobertura? Ficar jogando culpa em cima de oposição não cola. Tem 2 rivais nossos levantando 2 estádios inteiros muito mais modernos que o nosso e a gente não consegue nem levantar uma porcaria de cobertura. Mesmo assim ainda quer falar dos outros? Menos vai.

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