Campeão nos dois times, Luizão foi mentor da troca entre Jadson e Pato

Negócio mais surpreendente do futebol brasileiro em 2014, a troca de Alexandre Pato por Jadson, assinada por Corinthians e São Paulo na noite de quarta-feira, teve como mentor o ex-atacante Luizão, campeão pelos dois clubes. Agora empresário, ele sustenta ótima relação com funcionários de alto escalão das comissões técnicas. Apesar do negócio cordial, raridade entre os rivais, ambos se gabam de terem tido a ideia da troca.

Nas duas versões, Luizão foi o encarregado de medir o interesse do outro lado. Campeão brasileiro e mundial pelo Corinthians, da Libertadores pelo São Paulo, e paulista por ambos, ele intermediou a ida do colombiano Pabón para o Morumbi. No jogo contra o Rio Claro, enquanto o reforço assistia de camarote, o agente começou a articular a negociação com Milton Cruz, auxiliar tricolor.

– Eu estava tentando levar o Pato para o Atlético de Madrid. Um xeque iria investir, mas o negócio não saiu e eu sabia que o Corinthians estava louco para negociar. Falei para o Milton, ele gostou da ideia.

O passo seguinte foi fazer com que a sugestão chegasse ao Timão. No dia seguinte à goleada de 5 a 1 sofrida para o Santos, mesma data da vitória são-paulina sobre o Rio Claro, a comissão técnica corintiana discutiu o que fazer com alguns jogadores que não faziam parte dos planos para 2014. Pato era um deles.

Ex-presidente e ainda influente no clube, Andrés Sanchez ofereceu uma troca com Carlos Eduardo, do Flamengo. Mano Menezes não quis. Na passagem frustrante do técnico pela equipe carioca, o jogador foi um dos mais criticados pela torcida e nunca teve o desempenho esperado. Em seguida, foi a vez de o Corinthians tentar um negócio malsucedido: Pato por Elias, do Sporting. Os portugueses recusaram.

Nessa mesma conversa, discutiu-se a necessidade de contratar um meia, já que a saída de Douglas também era iminente. O nome de Jadson surgiu e foi aprovado. Após telefonema para Luizão, o observador Mauro Silva voltou com a informação de que o São Paulo aceitaria uma troca por Pato, mesmo com o atacante impedido de atuar pelo Campeonato Paulista em razão de já ter estourado o limite de partidas pelo Timão. Os corintianos festejaram.

Luizão jura ter abandonado a transação neste momento, depois de dar a ideia. Bruno Paiva, empresário de Jadson, também se considera “pai” da troca. Fato é que o ex-atacante se surpreendeu ao saber da conclusão do negócio, já que ninguém mais o procurou.

– Dei a ideia, falei com todo mundo, e não estou levando nada. Mas tudo bem, importante é ter a porta aberta nos dois clubes. Sou amigo do Milton e do Mauro, e acho que a troca vai ser boa para os dois. São dois grandes jogadores.

Luizão atua no Brasil pelo Gestifute, grupo liderado pelo português Jorge Mendes, considerado o agente mais poderoso do futebol mundial no momento. Ele tem como clientes, por exemplo, o técnico José Mourinho e o atacante Cristiano Ronaldo, vencedor da Bola de Ouro da Fifa como melhor jogador de 2013. Sem participação ativa do ex-artilheiro, os clubes, cientes da reciprocidade do interesse, passaram a agir. Os presidentes Mário Gobbi e Juvenal Juvêncio conversaram. Dirigentes importantes do Tricolor ressaltam que a negociação jamais seria feita se Andrés ainda comandasse o Timão.

Em seguida, Ronaldo Ximenes, novo diretor de futebol do Corinthians, e Gustavo Oliveira, gerente do São Paulo, passaram a negociar mais diretamente. Auxiliar de Mano, Sidnei Lobo, que havia trabalhado com Jadson na seleção brasileira, na Copa América de 2011, telefonou para o meia e ouviu que ele estava disposto a se transferir para o rival.

A diretoria tricolor tentou renovar o contrato de seu camisa 10 por algumas vezes desde o meio do ano passado. Ouviu sempre “não” como resposta. Eles têm convicção de que Jadson sairia em dezembro sem render nem um centavo sequer ao clube.

O jogador não suportava mais trabalhar com a atual comissão técnica, pois se sentiu indignado com o vazamento de notícias sobre sua forma física e de problemas disciplinares. Isso, inclusive, travou sua venda para um clube da Turquia. O negócio seria fechado em 4 milhões de euros, mas os europeus desistiram.

Do outro lado, Gustavo disse a Gilmar Veloz, representante de Pato, que queria ouvir do jogador seu desejo de atuar no Morumbi. Ouviu, por telefone. Internamente, disse que sentiu muita segurança na afirmação do atacante. Um dos principais alvos da ira da torcida organizada do Corinthians, Pato só viu sua vontade de sair se intensificar após a invasão do último sábado. Mesmo assim, ele era “um dos mais tranquilos”, de acordo com relatos de funcionários.

Até mesmo os envolvidos ficaram surpresos com a manutenção do segredo da transação, que durou uma semana. Isso também foi discutido pelas diretorias. Nenhuma vírgula poderia vazar. Quando o negócio se tornou público, já estava na fase da troca de documentos para serem assinados. Mano Menezes espera que Jadson, ao lado de Renato Augusto, volte a dar o brilho que o Corinthians perdeu após o título mundial.

Já Muricy Ramalho e os demais são-paulinos sabem que terão de tirar de Alexandre Pato a imagem de jogador pouco aguerrido, algo que já incomoda no atual grupo. Mas esperam que sua qualidade técnica e a vontade de vingar no arquirrival falem mais alto na Copa do Brasil e no Brasileirão.

 

Fonte: Globo Esporte

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