Atrito com dirigente mostra outra ação de pulso firme de Ney Franco

– Eu costumo dizer que o Ney é bom, ele não é bonzinho. Porque se for bonzinho as pessoas passam por cima. Ele é bom.

A descrição, feita por um amigo pessoal do treinador, ilustra o comportamento de Ney Franco à frente do São Paulo. O jeito tímido e discreto não o impede de ter pulso firme nas decisões e declarações, assim como na última quinta, quando rebateu as críticas do vice de futebol João Paulo de Jesus Lopes.

Apesar da vitória por 2 a 1 no Morumbi, a diretoria do São Paulo não gostou do que viu dentro de campo. No entanto, a declaração de Jesus Lopes, que disse ter se envergonhado com a exibição tricolor, não é compartilhada por outros integrantes da cúpula do clube.

A diretoria são-paulina assistiu à vitória sobre o The Strongest reunida no Morumbi, como de costume. Apesar do descontentamento com o desempenho do time, em nenhum momento falou-se de “vergonha”. A preocupação é com a demora para o time achar a forma de jogar, após as alterações no elenco do ano passado para este.

O presidente Juvenal Juvêncio mostrou-se preocupado durante a partida, mas não se exaltou nos comentários e não teve nenhuma reação fora do comum. Mesmo assim, há no clube quem acredite que João Paulo foi um porta-voz do presidente e justificam o fato pela postura, na maioria das vezes, serena do vice-presidente de futebol.

O dirigente não costuma entrar publicamente em rota de colisão com treinadores e jogadores, e não faz comentários ríspidos.

Assim como em outras oportunidades, Ney Franco não demorou a rebater. Foi assim após discussão com Rogério Ceni na temporada passada. Do desentendimento com o ídolo do clube, em outubro, até esse último, o técnico acumulou diversas situações em que não fugiu do atrito. Ganso mantido no banco de reservas até agora e o puxão de orelha em Wellington, recentemente, são exemplos de que não teme as decisões que toma.

As palavras de Ney agradaram aos jogadores, que também não concordaram com o que Jesus Lopes afirmou. Mas fizeram questão de dizer que respeitam a hierarquia e que a diretoria tem o direito de manifestar a opinião.

Alguns – ainda poucos – conselheiros criticam Ney, que mantém postura e comando firmes.

Outros casos

Rogério Ceni – Em jogo na Sul-Americana de 2012, o goleiro discutiu com o técnico ao pedir entrada de Cícero, e Ney optou por Willian José. Depois, o treinador reprovou a atitude e falou que cada um deve exercer a própria função.

Reservas no clássico – Na última rodada do Brasileirão do ano passado, Ney poupou seus titulares para a final da Sul-Americana, e escalou o São Paulo apenas com reservas para o jogo contra o Corinthians, com mando do São Paulo, no Pacaembu.

Lúcio e Rhodolfo – No fim do ano passado, Rafael Toloi caiu nas graças da diretoria. Para a cúpula, a zaga de 2013 deveria ser formada por Toloi e Lúcio. Ney, no entanto, começou o ano com Lúcio e Rhodolfo, sem ceder à pressão.

Ganso – Contratado por R$ 24 milhões em setembro do ano passado, Ganso era a principal aposta da diretoria para 2013. O técnico, no entanto, trata a entrada do meia no time com cautela, e dá oportunidades aos poucos. Até agora, Ganso não teve três partidas seguidas como titular da equipe, e Ney ainda cita que o jogador está aos poucos pegando ritmo de jogo.

Wellington – Recentemente, Ney Franco cobrou o volante Wellington por melhores atuações, e o tirou da equipe titular por uma partida, como aviso.

No Fla, Ney teve pulso em atritos

As situações incômodas e o pulso firme do técnico Ney Franco não são novidades. Em 2007, quando comandou o Flamengo durante a Libertadores, o técnico passou por diversos atritos, e em todos eles manteve a postura firme e saiu por cima.

O primeiro foi com o atacante uruguaio Horácio Peralta, que se recusou a entrar em campo nos últimos minutos de um clássico contra o Botafogo. Ney pediu a saída do atleta, e assim se fez. O mesmo ocorreu com o paraguaio Cesar Ramírez. Além deles, Roni e o pentacampeão Juninho Paulista também se desentenderam com o técnico e foram dispensados do clube após a queda de braço com comissão e diretoria.

Leão e Carpegiani tiveram atritos

Paulo Miranda – O técnico Emerson Leão viveu, no período em que esteve no comando do São Paulo, atrito com a diretoria por conta do afastamento de Paulo Miranda. O jogador, que estava relacionado e concentrado para pegar a Ponte Preta, foi retirado e afastado por ordem da cúpula são-paulina, o que irritou Leão. O técnico passou a responsabilidade para a diretoria.

Dagoberto ‘bobalhão’ – Em 2011, Paulo César Carpegiani discutiu com Dagoberto por conta de uma em jogo, e chamou atacante de bobalhão. Depois, jogador se desculpou.

Rivaldo ‘humilhado’ – Veterano disse ter se sentido humilhado por treinador por não entrar em campo na eliminação da Copa-BR para o Avaí. Depois, em reunião, eles se acertaram.

Fonte: Lance

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