Ator global é barrado em festa e diz que Juvenal tentou usá-lo no São Paulo

Henri Castelli seria candidato a conselheiro do São Paulo pela chapa de oposição na eleição do próximo sábado, mas desistiu do pleito. Os compromissos profissionais do ator da TV Globo criariam obstáculos na rotina, mas não configuraram o único motivo da desistência: após ser barrado na porta de uma festa promovida pela situação na semana passada, um dia depois da eliminação diante do Penapolense no Paulistão, Henri passeou ao redor do Morumbi, refletiu sobre o tema e confirmou a decisão. Ele quer seguir como torcedor, longe da política. Agora, ele revela que o presidente Juvenal Juvêncio fez contato em três ocasiões para tentar usá-lo como aliado em 2014. Juvenal coloca panos quentes na história.

Sócio do clube há mais de uma década, Henri Castelli continua apoiando a oposição, que tem o ex-diretor jurídico Kalil Rocha Abdalla como candidato e o ex-superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha como líder de campanha. Ao UOL Esporte, o ator contou que a desilusão com a política do clube o levou a perceber que não quer perder o direito de reivindicar melhorias para o clube ao se envolver com o jogo político. Outro motivo que pesa: ele voltará à TV no fim de 2014 e terá de viver por quase um ano no Rio de Janeiro. Mesmo assim, estará no clube no próximo sábado, como eleitor, para o pleito dos conselheiros.

“Hoje conheço os bastidores, vejo tanta coisa errada… Isso ilude”, afirma Henri, ao falar sobre a reflexão que o levou à desistência na semana passada. “Já falei isso para o Juvenal e para os quatro cantos do clube: não preciso de um cargo, não tenho interesse financeiro no São Paulo, não tenho contratos. Existem no São Paulo coisas que, para mim, não são legais. Existem brigas, fazem festas fechadas e você não pode entrar porque é da oposição. Isso é uma ditadura. Fica claro, para qualquer um, que existem interesses pessoais no São Paulo. Hoje chega ao ponto ridículo de ter gente que quer ser conselheiro só para ter uma vaga no estádio. Porcamente dizendo, não estou nem aí para isso. Não preciso de ingressos para jogo, ingressos para show, passagens para jogos, contratos, não tenho interesse nenhum a não ser um São Paulo melhor. Um São Paulo que meu filho goste mais, com um clube melhor”, diz o ator.

Henri Castelli chegou a discursar em um dos eventos de lançamento da candidatura de Kalil Rocha Abdalla, no dia 16 de dezembro de 2013. O ator afirma que hoje a oposição é criticada internamente por supostamente usá-lo para puxar votos no conselho, mas relata que o presidente Juvenal Juvêncio o procurou três vezes para apoiar a candidatura de Carlos Miguel Aidar.

“O Juvenal me ligou desde que acabou minha novela, em setembro [Flor do Caribe, última novela das seis da TV Globo]. Me procurou três vezes. Hoje falam que a oposição me usa para ganhar voto, sendo que a situação tentou a mesma coisa. Não existe pressão nenhuma. Está pra nascer quem vai me fazer pressão. Nem Juvenal, nem Jesus Cristo, nem na Rede Globo”, afirma Henri.

“Ele me ligou duas vezes e depois mandou um recado. Foram conversas amigáveis, super tranquilas. Me ligou logo quando se decidiu que o Aidar seria o sucessor. Eu estava em Fortaleza com meu filho, ele disse que lançaria a campanha do Carlos Miguel. Disse que não poderia participar pois iria para os Estados Unidos e ficaria até dezembro, como fiquei. Tive mais uma ligação dele, nesse mesmo tom, me convidando para um próximo evento. Então vejo hoje as contradições. Sei lá se é falta de caráter ou sacanagem política, as pessoas falarem que minha chapa fica me usando para conseguir voto sendo que eles tentaram me usar. Como não conseguiram me usar, eles me atacam”, afirma o ator.

Questionado sobre o tema, Juvenal Juvêncio admite que “ficou um pouco desiludido” com o apoio do ator ao candidato de oposição ao governo do São Paulo, mas prefere não entrar em polêmica.

“Ele era presente, uma figura pública, por ser artista. Mas não tem nenhuma referência clubística, nem conhece os caminhos do clube. É um torcedor normal e respeitado. Ele entrou nessa coisa por insistência do Marco Aurélio. Ficamos um pouco desiludidos. Marco Aurélio até conheceu ele enquanto esteve junto a essa gestão [foi superintendente de futebol até 2011]. São essas coisas da vida, ele saiu candidato. Eu nunca falei nada sobre essas coisas”, diz Juvenal Juvêncio, sobre o tema.

Henri também fala sobre a festa na qual diz ter sido barrado, e sobre a reflexão que teve logo depois, ao passear ao redor do estádio do Morumbi.

“Quando teve essa festa do São Paulo e foi proibida a entrada, eu não pude entrar na festa. Isso foi um dia depois que o São Paulo perdeu para o Penapolense. A situação fez uma festa enorme, um monte de gente sorrindo na entrada. Perguntei para as pessoas que chegavam à festa: ‘estão comemorando o quê?’. E vi gente quase indo para a agressão. ‘Qual a comemoração?’ Acho isso uma piada. Eu moro atrás do estádio. Saí, dei três voltas no estádio, embasbacado. Não tem democracia nenhuma”, conta.

“Fiquei lembrando enquanto dava voltas o quanto eu demorava quando tinha que sair de São Bernardo e pegar três ônibus para chegar ao Morumbi. Passou pela minha cabeça e vi que sujeira está hoje no futebol. Não quero me misturar. Sou só torcedor. Se um dia eu for fazer qualquer coisa no São Paulo, tenha certeza que vai ser de cabeça pensada, não vai ser de aventura”, completa.

Fonte: Uol

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