Álvaro Pereira é destaque no site da Fifa

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Um dos principais reforços do São Paulo para a temporada 2014, o lateral-esquerdo Alvaro Pereira ganhou destaque no site da FIFA, na última quinta-feira (13). O uruguaio concedeu entrevista ao portal da maior entidade máxima do futebol e falou um pouco sobre a sua paixão pelo futebol sul-americano.

O site oficial da FIFA está fazendo uma série de reportagens onde craques contam as suas histórias e experiências no futebol. Na entrevista, o uruguaio também relembra a conversa com o zagueiro Diego Lugano antes de assinar contrato com o Tricolor. Durante o bate-papo, o camisa 6 fez questão de reafirmar o seu orgulho de poder atuar na equipe são-paulina.

Com passagens por Inter de Milão-ITA e Porto-POR, Alvaro vive a expectativa de disputar a Copa do Mundo de 2014. Aos 28 anos, o jogador é figura constante nas convocações da Seleção Uruguaia e, assim, trouxe mais conhecimento ao elenco do São Paulo.

A entrevista

 

É início de tarde, e ainda faltam mais de duas horas para o início do treino do São Paulo FC numa quarta-feira. Álvaro Pereira chega ao Centro de Treinamento, cumprimenta quem vê pela frente e se senta para a conversa com o FIFA.com. Diante do agradecimento por ter vindo tão cedo, para a entrevista, ele responde: “Não se preocupa. Eu sempre chego bem antes mesmo. Gosto assim.”

Poderia se tratar só de um artifício politicamente correto para transmitir uma boa impressão – se fosse isso, Álvaro não seria o primeiro, nem o último a fazê-lo –, mas é simplesmente impossível não acreditar que ele esteja sendo sincero. Por alguma razão que não é exatamente racional ou explicável, é assim: o uruguaio transmite autenticidade.

Foi essa mesma razão intangível que fez com que, sem precisar se esforçar, o novo reforço são-paulino conquistasse admiração imediata dos torcedores, já no dia de sua apresentação. Ao chegar a um clube, todo jogador pode dizer – de fato, diz – que  “é um orgulho jogar aqui” ou que está “pronto para fazer de tudo pelas vitórias”. O que Álvaro disse em sua chegada foi mais ou menos igual. Diferente, especial, foi quanto o torcedor acreditou.

“É, talvez o pessoal perceba que falo com bastante sinceridade”, Álvaro tenta explicar, meio sem graça, porque, afinal, de certa forma falar dessa tal autenticidade significaria, indiretamente, colocar em dúvida a palavra de mais um tanto de gente. Prefere, então, já tratar de encontrar um jeito de dividir o mérito com outros: “Acho que tem a ver com o carinho que a torcida tem por aquilo que os uruguaios já fizeram aqui no clube: Pablo Forlán, Pedro Rocha, Darío Pereyra e ainda mais o Diego(Lugano), que foi importante para que eu esteja aqui hoje.”

Colega, amigo… e agente?
Que Lugano é até hoje um ídolo do São Paulo, oito anos depois de ter deixado o clube, não é novidade. O curioso foi ver quão concreta pode ser sua atuação como uma espécie de embaixador não-oficial do clube, como Álvaro Pereira explica ao falar sobre a decisão de, no auge da forma, aos 28 anos, deixar a Europa – e um clube como a Inter de Milão – para voltar à América do Sul após seis anos.

“Fazia tempo que eu dizia ao Diego (Lugano): ‘Queria jogar no São Paulo, queria jogar no São Paulo…’ Até que um dia ele me mandou uma mensagem: ‘E aí, você quer mesmo? Deixar a Europa, voltar para a América do Sul?’”, conta o lateral, digitando a palma da mão esquerda como se fosse a tela de um telefone celular. “Mas, para mim, o São Paulo não é simplesmente América do Sul; é um lugar à parte. Eu talvez soubesse mais do clube do que ele, que jogou aqui. (risos) Como sou louco por futebol, já tinha entrado na página, visto a cidade, o CT, a história, tudo…”

O episódio diz muito sobre a relação do São Paulo com os uruguaios em geral e com Lugano em particular, mas também sobre aquela que existe entre os membros da atual seleção uruguaia. Claro que inúmeros compatriotas são amigos mundo do futebol afora, mas não é exatamente todo dia que o zagueiro da seleção, jogando na Inglaterra, se comunica com o lateral que está na Itália e intercede efetivamente na definição de seu futuro, num clube do Brasil. “Quando tínhamos maus resultados, diziam que esta seleção uruguaia não era um time, mas um ‘clube de amigos’. Hoje fica claro que somos, sim, uma família. Quando precisar, você pode pegar o telefone e mandar mensagem a qualquer um, sabendo que vai ter resposta em seguida. E isso acaba se transferindo para dentro do campo, ainda mais tendo passado juntos por tantas coisas, boas e más.”

Cada um com sua loucura
É mesmo compreensível. Parece que, quisessem esses jogadores ou não, suas vidas estariam para sempre ligadas. Como um grupo de gente que sobrevive, digamos, a um acidente aéreo: passar juntos por algo tão intenso faz nascer um vínculo que não vai mais embora. Só que, no caso, o que estava em rota de queda era o futebol uruguaio, e a geração de Pereira, Lugano, Diego Forlán, Luis Suárez e cia. não só retomou o comando e fez o voo prosseguir como o levou ao ponto mais alto em décadas. “Sinceramente, acho que só vamos ter consciência do significado desta etapa daqui a alguns anos, quando todos pararmos de jogar e pensarmos a respeito”, reflete Pereira. “Você não se detém para desfrutar de um título da Copa América, de participar da Copa das Confederações, de se classificar para dois Mundiais seguidos, de um 4º lugar na Copa do Mundo… Durante muito tempo, falou-se que o Uruguai vivia no passado; das glórias de 1950. Não queremos nunca mais isso. Então, hoje pensamos todos em conquistar mais. Depois pesamos tudo o que tem acontecido.”

Porque não se trata de um sucesso qualquer, mas aquele de um país de apenas pouco mais de 3 milhões de habitantes e com um orgulho incalculável daquilo que já fez no futebol. “No Uruguai, desde pequeno te passam o que é um Obdulio Varela, um Máspoli, um Ghiggia, um Schiaffino. Na primeira vez em que entrei no CT da seleção, para a sub-20, lembro do arrepio que me deu ao ver os quadros com os campeões olímpicos, os de 1930, os de 1950… É difícil explicar e é algo que nós, uruguaios, carregamos conosco também quando defendemos um clube – e acho que muitas vezes conseguimos transmitir esse tipo de sentimento a companheiros de outra nacionalidade.”

Se a história já faz sentido ao se falar de um clube qualquer, o que dizer especificamente do São Paulo e seu lendário caso de amor com ídolos uruguaios? Esse passado ajudou “Palito” Pereira a não ter dúvidas sobre a transferência aparentemente arriscada, mesmo em ano de Copa do Mundo da FIFA. Mas, em meio a seu discurso, as razões parecem até mais amplas e humanas. “Eu tinha mesmo o sonho de jogar no Brasil. Os ingleses inventaram o esporte, mas o coração o jogo está aqui”, diz ele com candura, sem fazer alarde. “Uma vez, quando jogava na Romênia, num dia de folga fui ver um jogo da equipe B do Cluj. Era a terceira divisão. Aí, sai o gol da equipe adversária e o cara que comemora grita em português. Era brasileiro! Você tem ideia do que isso diz sobre a quantidade de gente jogando futebol neste país?”

Para qualquer um que ouve, o que a anedota tem de notável mesmo não é bem isso, mas o fato de um sujeito, jogador profissional, tomar seu dia de folga para assistir a uma partida da terceira divisão romena. Mas, a essa altura, já não dá para dizer que seja surpreendente da parte de Álvaro Pereira. “Eu sou louco por futebol, já disse”, ele reforça, sorrindo. “Já joguei em Old Trafford, San Siro, Santiago Bernabéu, mas outro dia enfrentamos o Palmeiras no Pacaembu e fiquei maravilhado. Eu gosto mais das pessoas pulando e festejando daquele jeito, como aqui na América do Sul. E tinha saudade disso. Já joguei Champions e fui campeão da Copa da UEFA, mas o que eu quero mesmo agora é jogar a Sul-Americana, a Libertadores. Talvez não me entendam lá na Europa, mas é verdade. É como eu sou.”

Álvaro diz e, por alguma razão, aquela mesma razão, não dá para duvidar: é como ele é.

6 comentários em “Álvaro Pereira é destaque no site da Fifa

  1. Pessoal desculpa, mas a reportagem não tem nada a ver com o Lugano, mas sim o quanto nosso clube é importante e o quanto me arrepiei de ler tão bonitas palavras de respeito e de admiração pelo nosso clube. Isso demonstra que as coisas não estão perdidas aqui. Temos brio sim. Adorei a entrevista. Ganhou mais pontos comigo ainda esse “novo” uruguaio! Abraços a todos!

  2. Aqui temos um site que tem credibilidade, e
    acima de tudo temos sempre respeito pelas opinioes
    de todos.
    Aqui temos liberdade e somos respeitados
    diferentemente de outros sites,
    que tem moderadores mas a qualidade de quem os
    frequenta e muito baixa, se achando tambem moderadores.

  3. Galera , por favor , esqueçam esse negócio de LUGANO , não cairam na REALIDADE ainda q isso pode ter sim sido ventilado , ter tido interesse , mas não passou disso ? O pior CEGO é akele q não ker enxergar , então enxerguem porra ….o LUGANO NÃO VEM !!!!! Ta bom assim ou tem q desenhar ?

    • Ah é, quem lhe afirmou que ele não vem? ou é um achismo seu?

      Eu estou perguntando pautado em uma notícia veiculada aqui no site.

      A partir do momento que vc diz não ter tido negociação alguma, vc tira a credibilidade de quem postou a notícia, uma vez que foi postado que faltavam detalhes, que não era 100%.

      Va chamar de cego, e usar o termo porra com pessoas de seu convívio.

      • João, é o seguinte: a negociação existe, não é achismo nem coisa sem fundamento. Não costumo publicar aqui algo que não tenha fundamento e vocês todos conhecem bem meu perfil e o do tricolornaweb. Mas a questão dinheiro é que está pegando. Não está afastada a possibilidade da contratação. A diretoria só não abre o jogo porque, caso não dê certo, não seja chamada de fracassada. Mas não creio que seja tão rápida a resolução, se houver, como imaginava antes.

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