Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, falta de foco: esse foi o real motivo para a derrota para o Internacional neste domingo, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. O time está vivendo o êxtase de estar na semifinal da Libertadores e por isso o Brasileiro ficou assunto pequeno para o elenco.
Isso está certo? Não. Está muito errado. O Brasileiro, na minha visão, é tão importante quanto a Libertadores. Ele norteia nosso ano inteiro, enquanto a Libertadores, se formos mal nas semifinais, estará acabada, ainda que no começo do segundo semestre. E o que faremos até ano que vem?
Elogiei Bauza quando mandou o time totalmente reserva para o Rio de Janeiro semana passada. Estávamos entre os dois jogos decisivos contra o Atlético-MG, era apenas o primeiro jogo – e na casa do adversário -, o que quer dizer que poderíamos considerar uma derrota. Mas hoje não: passada a Libertadores, jogo em casa, tem que ganhar. E não tem desculpa.
Li alguns comentários em nossa página do Facebook de que o árbitro não deu dois pênaltis a favor do São Paulo. Eu estava no estádio, mas procurei ver no monitor que tinha à minha frente. Não vi esses pênaltis. Aguardei a entrevista de Bauza para escrever meu comentário e ele disse que o time jogou muito bem, que não mereceu perder. Acho que vi outro jogo.
Nos primeiros 15 minutos entendo que o São Paulo foi melhor, dominou o jogo. Teve uma chance clara com Calleri, que aproveitou-se de um cochilo da defesa e quase marcou. Depois outra oportunidade, em jogada de Ganso. Mas a partir daí o Internacional equilibrou o jogo e começou a ter maior domínio das ações. Até marcar o gol, num contra-ataque, com Maicon e Lugano ficando sozinho contra três. Onde estavam Hudson, Bruno e Matheus Reis?
O time voltou para o segundo tempo com os mesmos erros. Só que o jogo ficou mais em cima de Kelvin, e ele começou a levar vantagem em todas as jogadas. As cobranças de escanteio pela direita, feitas por ele, também sempre levavam perigo. Tanto que ele passo a bater também os da esquerda, orientado que foi por Lugano.
Ganso começou a achar os vazios para enfiar a bola. Botou, no mínimo, três vezes Centurion em condição de fazer o gol ou completar para o meio da área, pois foi lançado por trás da zaga. Mas era o Centurion, e ele não conseguiu concluir as jogadas.
Bauza, então, comete seu grande erro: tira Kelvin para colocar Kardec, e Centurion para colocar Lucas Fernandes. Perdeu a velocidade, as jogadas pelos cantos, a marcação que Kelvin fazia, enfim, quebrou o time. Por sorte Ganso tinha alguns momentos de muita lucidez, sofreu uma falta pelo lado do campo, bateu e Lugano empatou. Apesar de estarmos no final do jogo, dava a impressão que a virada aconteceria. E tivemos chance num lançamento de Ganso para Calleri. Mas na sequência, num erro de Bruno, sofremos o segundo gol.
Não vou dizer que o time jogou muito mal, mas não foi aquele tive com sangue nos olhos que vimos nos jogos da Libertadores. E o Brasileiro não é campeonato para se brincar. O nível é muito alto e qualquer descaso, já sabem o que pode acontecer lá na frente.