São Paulo perdeu porque não teve foco

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, falta de foco: esse foi o real motivo para a derrota para o Internacional neste domingo, no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. O time está vivendo o êxtase de estar na semifinal da Libertadores e por isso o Brasileiro ficou assunto pequeno para o elenco.

Isso está certo? Não. Está muito errado. O Brasileiro, na minha visão, é tão importante quanto a Libertadores. Ele norteia nosso ano inteiro, enquanto a Libertadores, se formos mal nas semifinais, estará acabada, ainda que no começo do segundo semestre. E o que faremos até ano que vem?

Elogiei Bauza quando mandou o time totalmente reserva para o Rio de Janeiro semana passada. Estávamos entre os dois jogos decisivos contra o Atlético-MG, era apenas o primeiro jogo – e na casa do adversário -, o que quer dizer que poderíamos considerar uma derrota. Mas hoje não: passada a Libertadores, jogo em casa, tem que ganhar. E não tem desculpa.

Li alguns comentários em nossa página do Facebook de que o árbitro não deu dois pênaltis a favor do São Paulo. Eu estava no estádio, mas procurei ver no monitor que tinha à minha frente. Não vi esses pênaltis. Aguardei a entrevista de Bauza para escrever meu comentário e ele disse que o time jogou muito bem, que não mereceu perder. Acho que vi outro jogo.

Nos primeiros 15 minutos entendo que o São Paulo foi melhor, dominou o jogo. Teve uma chance clara com Calleri, que aproveitou-se de um cochilo da defesa e quase marcou. Depois outra oportunidade, em jogada de Ganso. Mas a partir daí o Internacional equilibrou o jogo e começou a ter maior domínio das ações. Até marcar o gol, num contra-ataque, com Maicon e Lugano ficando sozinho contra três. Onde estavam Hudson, Bruno e Matheus Reis?

O time voltou para o segundo tempo com os mesmos erros. Só que o jogo ficou mais em cima de Kelvin, e ele começou a levar vantagem em todas as jogadas. As cobranças de escanteio pela direita, feitas por ele, também sempre levavam perigo. Tanto que ele passo a bater também os da esquerda, orientado que foi por Lugano.

Ganso começou a achar os vazios para enfiar a bola. Botou, no mínimo, três vezes Centurion em condição de fazer o gol ou completar para o meio da área, pois foi lançado por trás da zaga. Mas era o Centurion, e ele não conseguiu concluir as jogadas.

Bauza, então, comete seu grande erro: tira Kelvin para colocar Kardec, e Centurion para colocar Lucas Fernandes. Perdeu a velocidade, as jogadas pelos cantos, a marcação que Kelvin fazia, enfim, quebrou o time. Por sorte Ganso tinha alguns momentos de muita lucidez, sofreu uma falta pelo lado do campo, bateu e Lugano empatou. Apesar de estarmos no final do jogo, dava a impressão que a virada aconteceria. E tivemos chance num lançamento de Ganso para Calleri. Mas na sequência, num erro de Bruno, sofremos o segundo gol.

Não vou dizer que o time jogou muito mal, mas não foi aquele tive com sangue nos olhos que vimos nos jogos da Libertadores. E o Brasileiro não é campeonato para se brincar. O nível é muito alto e qualquer descaso, já sabem o que pode acontecer lá na frente.

A classificação mostrou um time maduro e competitivo

Chega deste negócio de colocar em dúvida a capacidade deste time do São Paulo. O jogo contra o River Plate, no Morumbi, começou a marcar a divisão de águas; o jogo contra o The Strongest, em La Paz, com direito a Maicon no gol, foi esse divisor de águas. A partir daquele dia entendi que o grupo estava unido, com sangue nos olhos, vivendo como se deve viver uma Libertadores.

A consequência foi a brilhante partida contra o Toluca, no Morumbi, que terminou com a goleada de 4 a 0 e a possibilidade de administrar o resultado na altitude e, agora, com a classificação para a semifinal, depois da batalha no Independência.

Seria mentir para mim mesmo afirmar que, quando sofremos o segundo gol nesta quarta-feira, aos 11 minutos de jogo, não fiquei preocupado. Sim, pois entendi que o time iria partir com força total para o ataque e poderia sofrer uma goleada. Mas o time manteve a calma. Muito mais do que eu, que estava extremamente tenso.

Não tardou para sair do gol de Maicon e me dar a certeza que tudo daria certo. Nem a bola na trave que o Atlético meteu me colocou medo. Até porque respondemos do outro lado, também com uma bola na trave. Mas o gol de Maicon foi um jato de água gelada nos mineiros, no time e na torcida.  E a partir daí o time mostrou toda sua maturidade e poder de competição até o último minuto de jogo. Nós, torcedores, sofremos. O time não: jogou.

Ganso ficou um pouco sumido no jogo, mas no segundo tempo, quando a bola chegava até ele, o jogo era cadenciado, as trocas de bola apareciam e o São Paulo, com isso, fazia o tempo passar. Ainda houve um contra-ataque quase perfeito, que poderia ter acabado com o gol de empate. Mas Ganso, a quem coube concluir a jogada, chutou fraco para a defesa de Vitor.

Também tomamos um grande susto, talvez o único do segundo tempo, quando Denis, sim, Denis fez uma defesa gigantesca, com o peito, em cima da linha do gol. E nada mais houve.

Estamos na semifinal. Que venham argentinos, colombianos, equatorianos ou mexicanos, não importa. Nossa camisa, como diz aquele narrador da Fox, entorta o varal. Chegaremos lá. Eu acredito!

Vencer fora de casa, com time reserva, nada mal para uma estreia de Brasileiro

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo conseguiu o que ninguém, em sã consciência, esperava: estrear no Brasileiro, jogando no campo adversário, com time completamente reserva, com vitória. O jogo foi horrível, diga-se de passagem, mas podemos considerar que o gramado é um terrão, que o time do Botafogo é medíocre e que o time reserva do São Paulo também ficou perto dessa mediocridade. Mas quebrou o tabu de não ganhar jogos fora de casa.

Bauza decidiu, corretamente, poupar os titulares para o jogo de quarta-feira contra o Atlético-MG, pela Libertadores. Sabendo que o Brasileiro é longo e que um resultado negativo neste domingo em nada mudaria o planejamento de título, colocou um time recheado de garotos, com Lugano liderando a defesa e Kardec a frente. O problema é que o time ficou muito recuado e até os 20 minutos não conseguiu passar do meio de campo.

A primeira vez que o time foi para a frente ocorreu a falta em Kardec, que Lucas Fernandes cobrou e marcou o único gol da partida. Isso deu mais tranquilidade ao time, que passou a equilibrar o jogo. O Botafogo, apesar do domínio, não conseguia concluir bem. Além disso, a defesa estava bem posicionada. As jogadas de ataque do time carioca não exigiam velocidade dos nossos zagueiros. Talvez essa seja a explicação para a boa partida de Lugano.

Bauza acertou o posicionamento do time para o segundo tempo e o São Paulo voltou marcando mais na frente. Os jogadores de meio de campo se aproximaram mais do ataque e as ações foram divididas. Por mais que o Botafogo entrasse no desespero para tentar alguma coisa, em nenhum momento senti que o São Paulo poderia tomar o gol de empate. Até porque Renan Ribeiro oferecia ao time, e à torcida, total segurança.

Não fosse a arbitragem danosa ao Tricolor do cidadão do apito, teríamos feito o segundo gol. Num belo lançamento de Kelvin para Centurion, que marcou de cabeça, mas a arbitragem inventou um impedimento.

Valeu pela vitória. O espetáculo foi horroroso, mas os três pontos estão consignados. Numa partida prognosticada para a derrota, saímos com a vitória. Parece que os ventos de outrora voltaram a soprar pelos lados do Morumbi. Oxalá assim continue.

Em jogo típico de Libertadores, a torcida fez a diferença

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo venceu o Atlético-MG por 1 a 0. Talvez seja este, para o mandante, um bom resultado, apesar da contagem magra. É que o Atlético será forçado, no jogo de volta, a vir para cima, pois o empate é nosso. Ao vir para cima se abrirá para contra-ataques do São Paulo. E os mineiros sabem que precisam de dois gols sem tomar nenhum para a classificação, pois uma vitória simples levará o jogo para os pênaltis. E se o São Paulo marcar um gol, o Atlético precisará fazer três. Portanto essa vitória tem, sim, extrema importância.

Neste jogo do Morumbi faltou técnica de ambos os lados e sobrou marcação e bolas divididas. Também sobrou violência por parte dos atleticanos, sob os olhares complacentes e coniventes deste péssimo árbitro colombiano.

Bauza optou por Wesley no lugar do contundido Michel Bastos. Mas com a forma que montou a equipe acabou matando as principais jogadas de ataque. Kelvim foi deslocado para a esquerda e não rendeu o que se previa. Ganso, mais aberto pela direita, foi presa fácil para a defesa adversária, o que culminou em um Calleri abandonado entre os zagueiros.

No entanto, se o São Paulo não criou chances, o Atlético também não. Maicon e Rodrigo Caio colocaram no bolso o argentino Lucas Prato e Robinho. Ganharam todas, sem brincar, sem titubear.

Eu esperava que Bauza voltasse com Michel Bastos no lugar de Wesley para o segundo tempo. O volante não fazia boa partida. Mas ele esperou alguns minutos e quando colocou Michel, o fez no lugar de Kelvim. Depois colocou Wilder no lugar de Thiago Mendes, mantendo Wesley em campo.

Ainda bem que Bauza é o técnico e eu só jornalista. Pois foi em uma falta na lateral da área sobre Wesley, com cobrança dele, perfeita, que Michel, predestinado, desviou a bola e marcou o gol da vitória. Merecido.

Depois, com Maicon machucado, entrou Lugano. E o uruguaio mostrou que está completamente sem tempo de bola, colocando em risco a defesa.

Entendo que, como disse Bauza, o time foi e está competitivo. Não deu chances ao adversário, lutou por todas as bolas e saiu vencedor.

Louros á torcida que lotou o Morumbi e não parou um único minuto, incentivando o time. Essa torcida, é sim, responsável, por boa parte das vitórias do Tricolor em casa. A lamentar o incidente que vitimou 17 pessoas. Os responsáveis pelo estádio do Morumbi devem satisfação à massa tricolor.

Classificação ratificada. Mas temos que acertar a defesa

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb. Estamos nas quartas-de-final da Libertadores, numa classificação obtida no Morumbi, quando goleamos o Toluca por 4 a 0. Ali já sabíamos que seria impossível perder a classificação.

Bauza colocou em campo o mesmo esquema tático utilizado contra o The Strongest. Só que no México, a altitude era de 2.600 metros, mil metros a menos que La Paz. Em compensação, o Toluca é anos-luz melhor que o The Strongest.

Entendo que o simples fato de termos ganho aqui por 4 a 0 deu a tranquilidade suficiente para o time jogar. O que está preocupando, e muito, é a jogada aérea e nossa área. Rodrigo Caio, várias vezes, marcou a bola, enquanto dois adversários entravam pelas costas. Sem contar que sua impulsão estava abaixo do que se espera como regular. E como as bolas eram alçadas sempre da esquerda para a direita, no segundo pau, o São Paulo correu muitos riscos.

Digo que temos que acertar essa defesa, principalmente pelo adversário que teremos pela frente. Acabado o jogo do São Paulo fiquei assistindo Atlético-MG e Racing. E a única jogada do time mineiro é a bola alçada na área. Aliás, eles lançam pelo alto de qualquer lugar do campo. Assim foram os dois gols e as principais chances que eles tiveram.

Não vejo o Atlético-MG como favorito. Acho que será um jogo muito igual. Mas se conseguirmos repetir o futebol que tivemos no primeiro jogo contra o Toluca e fizermos, digamos, 2 a 0, acho que o Atlético não consegue reverter em BH.

Não vou criticar Bauza. Por mais que não concorde em hipótese alguma com Ganso no banco, pois mesmo ele não sendo forte na marcação, pode desequilibrar o jogo num passe ou lançamento, entendo que Bauza fechou em sua cabeça os sistemas táticos a serem utilizados. Enquanto estiver dando certo, não vou poder reclamar e tenho que apoiar.

 

Acordaram o gigante adormecido. Agora saiam da frente!

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, foi uma noite épica. Houve a combinação perfeita: Libertadores + frio + chuvisco + vento + Morumbi lotado = goleada sobre aquele que encantou a todos na primeira fase, que se classificou em primeiro lugar com uma rodada de antecedência no chamado “grupo da morte”, e que todos temiam pelo exímio toque de bola. O São Paulo jogou tudo isso lama abaixo e arrasou o Toluca.

Foi, sem dúvida alguma, de longe a melhor exibição do ano. Algo visto em grandes equipes de futebol do mundo. Sufocando o adversário desde o início, marcando a saída de bola, não deixando a bola passar do meio de campo, criando chances, em muitos momentos massacrando a defesa adversária. Eu disse a melhor exibição do ano, mas se for puxar pela memória, poderia dizer dos últimos anos.

Nem o mais otimista são-paulino iria admitir um placar destes. Eu, brincando, quando saía da Jovem Pan ontem para ir ao Morumbi, fui provocado pelo Vampeta para uma possível derrota. Disse a ele que seria 3 a 0 para o São Paulo. Ele me perguntou:

– Com Centurion?

Eu disse que ele marcaria um dos gols. Claro que foi tudo na brincadeira e eu me contentaria muito com uma vitória simples, de 1 a 0. Fosse um placar de 2 a 0, já seria uma festa.

A atmosfera criada pela torcida embalou a vontade do time. O casamento foi perfeito. Ganso, o maestro. Kelvin e Michel Bastos abriam nos cantos do campo, escancarando o sistema defensivo ferte montado pelos mexicanos. E Centurion, quem diria, em noite de rara inspiração, atormentando o miolo de zaga do Toluca. Não só ele. Muitas vezes era Ganso quem entrava por ali. Até Thiago Mendes e Hudson chegaram a fazer as vezes de um centro-avante.

Vi um time muito compacto, mordendo e dividindo todas as bolas, criando chances, chutando de média e longa distância, não dando sossego para a defesa oposta. Os mexicanos ficaram atônitos. O São Paulo não deixou o Toluca jogar. Edgardo Bauza surpreendeu o técnico mexicano colocando o time todo à frente, impedindo o toque de bola, característica principal do Toluca. E então os gols foram saindo naturalmente.

O placar foi de 4 a 0. Mas poderia ter sido de mais. A noite foi tricolor. O espírito de Libertadores esteve presente em todos que estavam no Morumbi, dentro ou fora de campo. Acredito que só uma catástrofe, daquela tipo Brasil e Alemanha, para tirar o São Paulo da próxima fase. E que venha Atlético-MG ou Racing. Seja quem for, conhecerá a força do gigante que estava adormecido, e acordou!

A noite em que o Conselho Deliberativo resgatou sua imagem

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, 25 de abril de 2016 ficará marcadona história do São Paulo como o dia em que o Conselho Deliberativo resgatou sua imagem perante o torcedor e o sócio do clube. Ao expulsar de seus quadros o ex-presidente Carlos Miguel Aidar, de nefasta administração, e o ex-vice-presidente de Futebol, atual diretor de Relações Institucionais, Ataíde Gil Guerreiro, mostrou que a depuração dos maus são-paulinos começou a ser feita.

Cabem, aqui, algumas considerações individuais desta noite de segunda-feira, pois no todo, como disse acima, aquele que ama o São Paulo acima de qualquer interesse político ou financeiro, saiu vitorioso. Como eu disse ontem, comentando com alguns amigos, foi uma goleada a nosso favor fora de campo.

Não poucas vezes critiquei Marcelo Pupo, presidente do Conselho Deliberativo. Por atos e palavras que li aqui e acolá, me dava a impressão de ter criado uma Comissão Disciplinar com o objetivo claro de jogar tudo para baixo do tapete. Erro meu de avaliação. Na sessão desta segunda-feira ele conduziu com firmeza e maestria a reunião. Quando Antonio Cláudio Mariz de Oliveira pediu a palavra e defendeu descaradamente Aidar e Ataíde, pedindo, antes que o parecer final fosse apresentado, o arquivamento de tudo e uma simples advertência aos dois, Pupo foi firme e recusou a manobra. Depois foi a vez de Tércio Molica pedir a possibilidade de mudar o parecer e votar por uma suspensão, e não expulsão. Também foi rejeitado. Marcelo Pupo cumpriu o regimento, que previa voto SIM ou NÃO para a expulsão de cada um deles.

Também critiquei muito durante as últimas semanas o presidente da Comissão Disciplinar, José Roberto Ópice Blum. Se por um lado ele fez o que deveria ser feito, com as indicações de expulsão de Aidar e Ataíde, na justificativa do parecer deixou claro que foi obrigado, quase que constrangido, a pedir a pena máxima para Aidar, pois não lhe restava outra alternativa; e para Ataíde carregou no relatório, chegando a chamá-lo de homicida. A este, portanto, não retiro as críticas que fiz ao longo do tempo.

Durante toda a sessão foi crescendo em mim, pelas informações que chegavam, que Aidar seria expulso e Ataíde absolvido. Menos mau que não foi esse o resultado final.

Um parágrafo para falar do grupo de Eduardo Alfano (16 conselheiros), que esteve com Aidar até os últimos dias de sua gestão e que pelas informações que recebi votaria pela absolvição do ex-presidente. Fui procurado por Alfano e outros cinco anciãos, digo, conselheiros, me cobrando com veemência mudança no que citei no editorial. Eu nunca disse que o grupo havia fechado questão, mas falei em tendência. Fiz uma nota no mesmo instante relatando a mudada de posição, mas quando perguntei qual seria o voto daqueles seis, me disseram que o voto era secreto. Portanto me permitem imaginar que votaram com Aidar. Outros três integrantes deste grupo me procuraram mais tarde para afirmar que votaram na expulsão. Ótimo. Estou deixando isso claro aqui. Em relação ao primeiro grupo, fui ofendido em determinado momento. Poderia ter registrado alguma reclamação. Mas naquele momento éramos eu e eles seis. Portanto, minha testemunha seria eu mesmo. Chance de alguma coisa? Zero. Para concluir, me pareceram pessoas – as seis primeiras – que estão mais preocupados com o futuro político do que com a instituição. O tempo dirá se eu tenho razão.

Aidar e Ataíde foram expulsos do Conselho, mas não do clube. Isso quer dizer que eles seguem sócios do São Paulo. Isso quer dizer que amanhã posso cruzar com eles, principalmente Aidar, nas alamedas do clube, o que seria tedioso para mim. Fiquei sabendo que a  Comissão Disciplinar do São Paulo marcou uma reunião para esta semana para avaliar o parecer votado e aprovado pelo  Conselho e poderá tomar a mesma atitude, expulsando os dois da nossa sociedade. Se for necessário algum sócio fazer o requerimento para que isso aconteça, estou à disposição para isso. Ou melhor: o farei.

Fica, agora, o rojão nas mãos do presidente Carlos Augusto Barros e Silva. Ataíde Gil Guerreiro é o diretor de Relações Institucionais, e por ser sócio do clube, poderia continuar cumprindo a função. Mas uma administração que tenta se mostrar transparente – e tem feito isso, de fato – pode manter na diretoria uma pessoa que foi expulsa do Conselho? Ou Leco o tira da diretoria, ou começa a manchar a imagem de sua administração.

Mas a depuração não para por aí. Liquidado o caso Aidar/Ataíde, agora é hora da Comissão Disciplinar ir a fundo na investigação do contrato com a Under Armour, onde aparece a Far East e o tal Jack Banafshesa . Só quero lembrar que, em determinado ponto da gravação feita por Ataíde, Aidar diz que “o Jack é o Douglas, o Douglas é o Jack”. Assinaram aquele contrato, além de Carlos Miguel Aidar, Douglas Shwartzmann, Júlio Casares e Osvaldo Vieira de Abreu. A desistência do Jack para a comissão de R$ 18 milhões é, no mínimo, para ser crível por quem coloca a botinha na chaminé em 25 de dezembro. Todos estes devem ser investigados pela Comissão Disciplinar. Aliás, sobre Douglas Shwartzmann, outras acusações existem. Na mesma gravação, Aidar fala que o “Douglas está louco, pede comissão para tudo”. Portanto a limpeza de nossos quadros tem que continuar. Espero para já uma resposta da Comissão Disciplinar nesse sentido.

Termino dizendo que valeu a pena o trabalho de ontem, na transmissão em tempo real que fizemos pelas nossas redes sociais (Twitter e Facebook), informando que em determinado momento, existiam 157 mil pessoas online acompanhando a sessão. Me permito comemorar a expulsão de Carlos Miguel Aidar, principalmente, como uma vitória do Tricolornaweb. Quando passei a receber as informações e denunciar tudo o que estava acontecendo em sua gestão, tomei quase como uma coisa pessoal e virou questão de honra limpar do São Paulo pessoa tão lesiva ao clube.

 

Que o voto secreto não seja a arma dos covardes no Conselho Deliberativo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o Conselho Deliberativo do São Paulo tem a grande chance de resgatar a confiança, credibilidade e admiração da coletividade tricolor nesta noite. Ao votar o parecer da Comissão Disciplinar, cujo epílogo, pelo que apuramos, indicará a suspensão por 90 dias de Ataíde Gil Guerreiro e a expulsão de Carlos Miguel Aidar, coloque SIM e comece a limpeza tão necessária ao nosso clube.

Desde quarta-feira da semana passada tenho conversado com muita gente na área social. Garanto que tive contato com mais de 80 conselheiros, entre eleitos e vitalícios, e pude apurar que, se não mentiram para mim falando uma coisa e se esconderão sob a covardia do voto secreto para mudar a posição, o SIM será votado por ampla e esmagadora maioria.

As articulações políticas foram muito intensas neste final de semana. Conselheiros ligados ao grupo Legião, ao qual pertence Ataíde Gil Guerreiro, tentavam cooptar membros de outros grupos no objetivo de inocentar o atual diretor de Relações Institucionais, e expulsar Aidar. Já membros do grupo Legenda, ao qual pertencem o vice-presidente Roberto Natel e o vice do Social, Carlos Sadi, defendem a expulsão de Aidar e advertência a Ataide. Há um grupo, o da Participação, ao qual pertencia Juvenal Juvêncio e do qual faz parte o atual presidente Carlos Augusto Barros e Silva, que defende punição igual aos dois. Grupos da oposição também caminham nesse sentido. Apenas o grupo do Conselheiro Eduardo Alfano, composto por 16 conselheiros, diz abertamente que votará contra as punições. Há outro grupo, liderado por Antonio Donizete Gonçalves, que foi vice-presidente Social e de Esportes Amadores na gestão Aidar, que tende a votar com o ex-presidente, não obstante o Dedé, como é conhecido, ter encaminhado uma mensagem por Whatsapp no grupo de Conselheiros, à qual tive acesso, falando que o dia é de resgatar a credibilidade em nossa instituição. O grupo Vanguarda, que é do atual presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Pupo, e do ex-presidente Bastos Neto, não tem posição definida, mas tende a ser favorável a Carlos Miguel Aidar.

Nos últimos dias os dois “réus” mandaram e-mails aos conselheiros, explicando suas posições  pedindo o voto de confiança. Abaixo reproduzo os dois e-mails, pois também tive acesso.

  1. De Carlos Miguel Aidar

Prezados, chegou o dia.
Agradeço a todos que, de alguma forma, me ajudaram, me deram apoio e, acima de tudo, me ouviram e me compreenderam.
Agora é esperar a decisão do Conselho Deliberativo que aprovará ou rejeitará o parecer da Comissão de Ética.
Infelizmente, não conheço tal parecer, o que acontecerá somente na reunião do Conselho.
Do ponto de vista técnico nada ficou provado contra mim e nem ficaria, porque nada cometi de irregular. Nem eu e nem ninguém ligado a mim ou que tenha participado da minha diretoria cometeu.
Quem estará em julgamento serei eu, só eu, e não qualquer outra pessoa a mim ligada, nem mesmo minha gestão estará em julgamento, porque esta foi aprovada por unanimidade quando se aprovou da mesma forma o Balanço Patrimonial encerrado em 31 de dezembro de 2015, assim como de 2014 foi aprovado por expressiva maioria.
Por isso vou otimista à reunião, esperando que o julgamento seja unicamente pelo aspecto técnico.
Se cometi algum deslize deverei pagar por ele. Porém, se não cometi, deverei ser inocentado.
É o que espero, ser inocentado pelo Conselho Deliberativo do São Paulo F. C. preservando minha história no Clube onde exerci por longos anos a diretoria jurídica e depois as presidências da diretoria por três vezes e do Conselho Deliberativo por uma vez.
Muito obrigado.
Carlos Miguel.

 

2) Ataíde Gil Guerreiro

Conselheiros: respondo perante a Comissão de Ética processo para esclarecer se agredi ou não o ex-presidente Carlos Miguel, em nenhum momento houve qualquer desconfiança com relação ao meu comportamento ético. Não pedi absolvição pessoalmente ou por telefone para qualquer Conselheiro, isto porque tenho a real convicção que prestei um enorme serviço ao SPFC levando o ex-presidente a renúncia, objetivo de grande parte do Conselho, mas que não seria conseguido com as trocas de farpas pela imprensa, que só maculavam o SPFC mas não conseguiriam nunca completar o objetivo do afastamento do ex-presidente. Estou pronto a ser julgado sobre a existência da agressão, não aceito em hipótese nenhuma qualquer menção desairosa a minha honestidade, por isso respondi o e-mail anexo do conselheiro Newton Luiz Ferreira. NÃO SOU JULGADO POR CORRUPÇÃO, POR INCRÍVEL QUE POSSA PARECER VOU A JULGAMENTO POR TER FEITO UM ENORME BEM AO SPFC.

Ataíde Gil Guerreiro

 

 

Com muitos conselheiros com os quais conversei deixei claro que se o Conselho abdicar de seu direito de resgatar sua imagem bastante desgastada junto ao torcedor e ao sócio, juntarei todos num único saco, pois não posso confiar na palavra de ninguém se o voto secreto prevalecer. Aliás, cabe aqui uma explicação: o voto será secreto em caso de pedido de expulsão, pois é o que manda o estatuto do clube. Mas sugeri aos que conversaram comigo, e deixo aqui aberto a todo, que fotografem seus votos e me enviem por Whatsapp, Faceboo, Twitter, Instagran ou e-mail, que os publicarei no Tricolornaweb. Outra opção é a Declaração de Voto, que pode ser feita e fica consignado em Ata. Desta maneira também teríamos conhecimento daqueles que cumpriram com sua obrigação.

Nossa posição é pela suspensão de Ataíde Gil Guerreiro por 90 dias e expulsão de Carlos Miguel Aidar para sempre do nosso clube. Assim agindo o Conselho Deliberativo estará recuperando sua imagem junto à torcida e aos sócios. É o que esperamos.

 

 

 

Classificação no estilo Libertadores

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, foi uma noite memorável. Digna de Isordil para quem é e também para quem não é cardíaco. Mas o São Paulo trouxe o empate dos 3.700 metros de altitude de La Paz, terminando a partida com um zagueiro como goleiro.

Sou crítico do trabalho de Edgardo Bauza. Entendo que ele é técnico de time pequeno e ganhou duas Libertadores jogando como tal. Aproveitou-se da altitude a favor, na LDU, e da garra argentina no San Lorenzo. Ontem, antes do jogo, quando recebi a informação que Ganso ficaria no banco, algo que já se especulava há alguns dias, joguei nas redes sociais: ou o Bauza volta como gênio, ou vai direto a Buenos Aires. Felizmente, para nós, deu a primeira alternativa.

O São Paulo jogava por um empate, numa altitude próxima ás nuvens; o adversário sabe, como poucos, usar esse fator a seu favor; precisava vencer para nos eliminar. Claro que não seria possível jogar de igual para igual, marcando na frente, fazendo jogadas de profundidade, pois assim os jogadores não chegariam ao final da partida.

Depois do sistema de marcação que foi armado percebi que Ganso sobraria ali, Não era o caso de termos que criar chances, mas de evitar que eles tivessem. E não fosse por uma falha grotesca de Denis, o plano daria certo. Afinal o único chute a gol do The Strongest nem foi um chute. Foi o cruzamento que originou o gol.

É fato que bateu preocupação. O The Strongest passaria, então, a se defender e a nós caberia criar. Sem Ganso. Por sorte o gol de empate não demorou a sair. Com Calleri – toca no Calleri que é gol -, o São Paulo voltou a implementar seu jogo de marcação, evitando os chutes de meia distância, congestionando o meio de campo.

Hudson, Thiago Mendes e Wesley formaram uma muralha. Maicon – gigante – e Rodrigo Caio ficavam na retaguarda. E Mena, ainda que limitado, dava toda sua dedicação de raça ao time.

Até para substituir Bauza foi bem. Bruno derreteu. Colocou Caramelo. Michel não andava. Colocou Ganso. E como ele não tem poder de velocidade e marcação, tirou Calleri e pôs Kardec para fechar a lateral. Ganso, então, ficou solto no meio e na frente para organizar as jogadas e segurar a bola.

Denis ainda aprontaria mais uma: foi expulso infantilmente aos 48 minutos do segundo tempo. Então descobrimos que Maicon, além de grande zagueiro, é melhor goleiro que Denis, ao menos para sair do gol e interceptar cruzamentos. Ainda sobre Denis: não dá para ser goleiro do São Paulo. Seu contrato termina esse ano. Peço encarecidamente á diretoria que não renove. E também não há necessidade de contratar ninguém. Renan é o cara e deve ser titular do São Paulo.

Foi sofrido, sim, mas estamos nas oitavas-de-final da Libertadores. Espero que a diretoria não perca tempo e vá ainda hoje à Assunção, com vídeos e o que mais puder, para tentar anular a pena de Calleri. Ele apanhou e foi expulso por isso. Talvez se tivesse batido, não fosse punido.

Boa São Paulo. Você provou, mais uma vez, que é o time da fé.

Vexame em Osasco poderia ter sido evitado. Mas o foco é Libertadores!

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo foi goleado pelo Audax, em Osasco e está fora do Paulista. Foi um vexame que poderia ser evitado, pois não é segredo para ninguém que o foco é a Libertadores e o jogo de quinta-feira próxima, contra o The Strongest, na altitude de La Paz. Depois do que aconteceu neste domingo, se eu já estava preocupado, agora estou apavorado.

Se Bauza escalasse um time reserva para jogar contra o Audax, poupando o time principal para a guerra a 3.600 metros de altitude em La Paz, e fosse eliminado do Paulista, ainda que com goleada, ninguém iria criticar. Poderia sobrar uma ou outra reclamação para o elenco, mas a torcida continuaria otimista esperando a quinta-feira chegar. Mas depois que o time principal foi goleado porque, na própria explicação do técnico, acabou o físico no segundo tempo, o que acontecerá na Bolívia? Vamos aguentar 15 minutos?

Então vou criticar aqui o planejamento feito para o ano. No mínimo, amador. Não posso aceitar que profissionais do ramo, seja na área técnica, física ou administrativa, não tivesse visão para este fato. A nós, torcedores, cabe torcer sempre por um resultado positivo. A quem trabalha com isso cabe a razão, o conhecimento e a lógica. E isso, infelizmente, passa muito longe do São Paulo dos últimos anos.

No jogo contra o Audax a defesa foi o ponto negativo. Lugano fez, talvez, sua pior partida com a camisa do Tricolor. Rodrigo Caio foi um convite à festa adversária. Os laterais, Bruno e Mena, sucumbiram na velocidade do time de Osasco. O meio campo, acreditem, se ressentiu da falta de João Schimidt. Pior: ele não jogará na Bolívia.

Incrível que no primeiro tempo o jogo foi muito bom. O São Paulo terminou perdendo por 2 a 1, mas se tivesse virada ganhando, ou mesmo empatando, não seria injusto. Mas o que aconteceu no segundo tempo foi absurdo. Daqueles apagões que temos visto com o time nos últimos tempos. E aí, quando você pede para Bauza mexer, no banco tem Centurion, Wesley, Wilder, Kardec. Fica muito difícil.

Mas, por que ele não relacionou Rogerio? O que Bauza tem contra esse jogador?  Ele é infinitamente mais útil do que o inútil Centurion. Sei que é grave o problema de saúde de sua namorada e isso está afetando diretamente seu futebol. Então, para o bem do atleta e do clube, que ele seja liberado para acompanhá-la e retorne ao time quando a situação estiver resolvida. A torcida do São Paulo não pode pagar o preço por uma questão pessoal, por mais que seja grave.

Vamos ter uma semana tensa, certamente, mas, como o foco é Libertadores, é nesse jogo que quero pensar. E esperar para ver o que vai acontecer. Como sempre digo, somos o Clube da Fé. Então, a esperança nunca morre.